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Sejamos todos feministas

Books

Concluindo – Março/2015

E lá se foi o mês de março! Passou muito rápido, mas foi bem produtivo para as leituras! Ufaaa… O Goodreads já estava me cobrando! Rsrsrs Durante este mês, li seis livros. De dois deles, fiz resenha no blog: A Resposta, da Kathryn Stockett e A Mulher Calada, da Janet Malcolm.

Para concluir o mês, segue um pouquinho sobre os outros livros lidos:

Bliss – Lauren Myracle

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Quando vi o vídeo sobre Bliss, no canal da Tati Feltrin, já fiquei louca para ler. A história se passa em 1969. Bliss foi criada em uma comunidade, por seus pais hippies. Sempre envolvida em festivais e manifestações. Quando ela completa 14 anos, seus pais decidem mudar para o Canadá e a levam para morar com sua avó, uma senhora rica e tradicional, que tem pavor de tudo que foge da normalidade.  Logo, a avó de Bliss a matricula em uma escola conceituada e pela primeira vez ela terá uma educação formal.

Apesar de todas as diferenças entre ela e seus novos colegas, Bliss não fica sozinha. Todos querem conhece-la, nem que seja apenas pela curiosidade de saber como era viver em uma comunidade. Muito deste interesse, em parte, pois os assassinatos cometidos pela família Manson estão sendo noticiados o tempo inteiro pelos jornais e TV.

Bliss apesar de se adaptar bem e começar a gostar de sua nova vida, também passa por grandes dilemas, como enfrentar o preconceito racial ainda tão vivo, especialmente no momento de integração promovido nas escolas. E tudo se agrava, quando ela resolve ser amiga de uma das meninas mais excluídas da escola.

Além de tudo isso, Bliss tem um dom e começa a ouvir vozes nos prédios da escola, clamando por sangue. E ela não demorará a descobrir que está no centro de uma armadilha.

O livro é muito bom e te prende do começo ao fim. Não fiz uma resenha logo que acabei, porque, confesso, fiquei digerindo o final por uns bons dias. O livro tem um fechamento muito bom, mas não é nem de perto o que o leitor quer. Mas, depois de pensar muito, acho que foi uma decisão muito inteligente da autora. Seria muito fácil de outra maneira!

Infelizmente, o livro não foi traduzido!

Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

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Sejamos todos feministas não foi criado como um livro a princípio. Na verdade, foi uma palestra dada por Chimamanda Adichie para o TED Talks (uma plataforma de diálogo excelente, que está trazendo algumas das melhores discussões dos últimos anos). Chimamanda é uma escritora nigeriana, que tem atraído uma legião de fãs. Seu livro mais famoso, Americanah, está entre os mais desejados da minha lista!!! Principalmente, depois de ter lido Sejamos todos feministas. Que sensacional! Ela já começa seu texto nos contando sobre a primeira vez que foi chamada de feminista:

“Okoloma era um dos meus melhores amigos de infância. Morávamos na mesma rua e ele cuidava de mim como um irmão mais velho: quando eu gostava de um garoto, pedia a opinião dele. Engraçado e inteligente, usava uma bota de caubói de bico pontudo. Em dezembro de 2005, ele morreu num acidente de avião, no sudoeste da Nigéria. Até hoje não sei expressar o que senti. Era uma pessoa com quem eu podia discutir, rir e ter conversas sinceras. E também foi o primeiro a me chamar de feminista. Eu tinha catorze anos. Um dia, na casa dele, discutíamos — metralhávamos opiniões imaturas sobre livros que havíamos lido. Não lembro exatamente o teor da conversa. Mas eu estava no meio de uma argumentação quando Okolomo olhou para mim e disse: “Sabe de uma coisa? Você é feminista!” Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele — era como se dissesse: “Você apoia o terrorismo!”. Não sabia o que a palavra “feminista” significava. E não queria que Okoloma soubesse que eu não sabia. Então disfarcei e continuei argumentando. A primeira coisa que faria ao chegar em casa seria procurar a palavra no dicionário.”

Só por este parágrafo já podemos notar o quão entranhada está a mentalidade de que o feminismo é algo negativo, coisa de mulheres que odeiam os homens. Sendo que o cerne do feminismo é somente a igualdade. Uma igualdade que apesar do pensamento da maioria, ainda está longe de ser alcançada.

E assim, ela nos conta, em um texto delicioso, sobre várias situações enfrentadas por ela e pessoas próximas ao longo de sua vida e, como, sim, todos nós devemos ser feministas, homens e mulheres.

“Quando eu estava no primário, em Nsukka, uma cidade universitária no sudeste da Nigéria, no começo do ano letivo a professora anunciou que iria dar uma prova e quem tirasse a nota mais alta seria o monitor da classe. Ser monitor era muito importante. Ele podia anotar, diariamente, o nome dos colegas baderneiros, o que por si só já era ter um poder enorme; além disso, ele podia circular pela sala empunhando uma vara, patrulhando a turma do fundão. É claro que o monitor não podia usar a vara. Mas era uma ideia empolgante para uma criança de nove anos, como eu. Eu queria muito ser a monitora da minha classe. E tirei a nota mais alta. Mas, para minha surpresa, a professora disse que o monitor seria um menino. Ela havia se esquecido de esclarecer esse ponto, achou que fosse óbvio.”

O momento não poderia ser mais propício para esta leitura. Principalmente, porque está acontecendo uma verdadeira revolução, mesmo que pouco a pouco, na consciência das mulheres. Uma verdadeira onda de empoderamento feminino. Não são aceitas mais campanhas claramente sexistas, que há alguns anos atrás seriam consideradas perfeitamente naturais. As mulheres lutam, seja em seu trabalho, em seus lares ou até mesmo em seus discursos no Oscar, para incutir consciência sobre a igualdade que desejamos e merecemos.

Leitura obrigatória, para todos os gêneros!

“Minha bisavó, pelas histórias que ouvi, era feminista. Ela fugiu da casa do sujeito com quem não queria se casar e se casou com o homem que escolheu. Ela resistiu, protestou, falou alto quando se viu privada de espaço e acesso por ser do sexo feminino. Ela não conhecia a palavra “feminista”. Mas nem por isso ela não era uma. Mais mulheres deveriam reivindicar essa palavra. O melhor exemplo de feminista que conheço é o meu irmão Kene, que também é um jovem legal, bonito e muito másculo. A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.”

Regras da Comida – Michael Pollan

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Regras da Comida é um livro curtinho e despretensioso, mas que traz conselhos simples e funcionais para uma alimentação mais saudável. Se você se interessa por reeducação alimentar e já procurou por blogs e documentários sobre o assunto, já se deparou com a maioria das dicas do livro. Mas, o modo prático e direto, com que são colocadas aqui irá facilitar, e muito, na sua memorização!

Alguns exemplos:

Regra 07 – Evite produtos alimentícios que contenham ingredientes que um aluno do terceiro ano não consiga pronunciar.

Regra 20 – Não é comida se chegou pela janela de seu carro.

Regra 21 – Não é comida se tem o mesmo nome em todas as línguas. (Pense em Big Mac, Cheetos ou Pringles.)

Cilada – Harlan Coben

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E esta foi a última leitura de março. Fiquei louca para ler este livro só de olhar a capa! O livro possui duas tramas paralelas: a de Haley McWaid, uma obediente garota de 17 anos, que nunca cometeu nenhum deslize, mas uma noite não volta para casa e a de Dan Mercer, um assistente social, que é acusado de pedofilia, por um famoso programa de televisão. O subtítulo do livro é Ninguém consegue escapar das próprias mentiras e em todo o livro vamos descobrindo a vida dupla dos personagens. Todos têm algo a esconder, algo que preferiam esquecer. A leitura é rápida e muito gostosa. Mas me decepcionei um pouco com o final. O autor coloca muitos plot twists nos últimos capítulos da história e me deixou com a sensação de correria, de mal finalizado.

Bom, é isso: mês concluído e sensação de dever cumprido! Que venha abril, com livros ainda melhores!!!

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