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#Resenha: The Stranger Beside Me – Ann Rule

Theodore Robert Cowell, a.k.a. Ted Bundy foi um dos mais temidos serial killers da história. Estima-se que tenha matado pelo menos 35 mulheres, no período entre 1974 e 1978, em diversos estados dos EUA. Foi condenado por seus crimes à pena de morte e executado na Flórida, em 24 de janeiro de 1989. Sua história alcançou imensa repercussão e foi contada em diversos livros. Mas o que realmente se destacou foi The Stranger Beside Me, escrito por Ann Rule, na época uma ex-policial de meia idade, que acabara de passar por um divórcio e sustentava sua família escrevendo artigos sobre crimes. Até aí, nada demais. Ann foi contratada para escrever um livro sobre a série de assassinatos que assolou Washington, em 1974. O que ninguém poderia prever era que ela conhecia o assassino. Na verdade, era um amigo que havia sido bem próximo à ela: Ted Bundy.

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Ted nasceu em 1946, em Vermont. Sua mãe, Eleanor Louise Cowell, era muito jovem e solteira. A identidade de seu pai nunca foi revelada. Na época, para evitar um grande escândalo, Louise foi para Vermont ter seu filho e ele foi criado como seu irmão, em seus primeiros anos de vida. Posteriormente, Louise deixaria a casa de seus pais e se mudaria com Ted para Tacoma, onde conheceria seu futuro marido, Johnny Culpepper Bundy, que daria o sobrenome para seu filho.

Apesar de sempre ter mencionado uma infância feliz, quando vivia com seus avós, e sempre ter tido seu avô como um verdadeiro modelo, foi revelado depois de seu julgamento que seu avô era na verdade um homem violento e preconceituoso, que aterrorizava sua família.

Ted foi um menino tímido na escola, mas ao alcançar a faculdade, começou a desabrochar. Muito inteligente, carismático e bonito, logo começou a chamar a atenção de seus professores. Mas ainda não tinha determinação suficiente para alcançar algo palpável. Em 1967, aos 21 anos, se apaixonou pela primeira vez por Leslie Holland, conhecida pelo pseudônimo do livro Stephanie Brooks, uma garota de cabelos castanhos, repartidos ao meio, inteligente, bonita e rica. Apesar de Ted estar completamente apaixonado e acreditar que ela era a mulher ideal, Stephanie não via de maneira tão intensa seu relacionamento e, ao se mudar para começar sua carreira, resolveu terminar seu relacionamento com Ted, por não acreditar que ele tinha uma perspectiva definida.

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O fim de seu relacionamento mexeu intensamente com Bundy, que sempre tivera complexos sobre seu valor e como as mulheres que ele admirava o enxergavam. Em 1969, ele finalmente resolve esclarecer suas dúvidas sobre seus verdadeiros pais e, apesar de já saber da verdade, ter em mãos sua certidão de nascimento é devastador.

Ted, então, resolve colocar em ação um plano para reconquistar Stephanie, mesmo tendo conhecido e se envolvido, neste meio tempo, com Meg Anders, a.k.a. Elizabeth Kloepfer, uma jovem recém-divorciada, com uma filha, que ficaria ao lado de Bundy até tempos depois de sua prisão. Bundy começa sua carreira política, auxiliando na campanha de reeleição do governador Daniel J. Evans e continua seus estudos, na esperança de entrar para a faculdade de Direito.

Em 1973, Bundy entra para a faculdade de Direito e encontra-se com Stephanie. Impressionada com sua mudança, ela se apaixona por Bundy e quando em um encontro com amigos, ele diz que estão noivos, ela aceita com facilidade. Mas, assim que consegue seu objetivo, Ted se torna frio e distante e abandona Stephanie. Neste momento, começam as mortes e ataques em Washington. As vítimas seguem um mesmo padrão, mulheres jovens, bonitas e inteligentes, em sua maioria com cabelos castanhos, usados repartidos ao meio.

Os assassinatos seguiriam Bundy pelos vários estados por que passou ou morou. Após ser finalmente identificado, Ted é inicialmente condenado apenas pela tentativa de sequestro de Carol DaRonch, vítima que saiu ilesa de seu ataque, pois apesar dos inúmeros assassinatos, Bundy era incrivelmente cuidadoso. Nada era encontrado nas cenas de crime e muitas vezes parecia impossível a forma como suas vítimas apenas desapareciam sem deixar rastros, em um curto espaço de tempo.

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Carol DaRonch

Mas Bundy era acusado de assassinatos no Colorado, para onde foi transferido para aguardar julgamento. E é no Colorado que Bundy tenta fugir pela primeira vez. Ao requisitar a oportunidade de ser seu próprio advogado, Ted ganha acesso à biblioteca para preparar sua defesa e escapa p ela primeira vez, ficando foragido por uma semana. Após ser encontrado e voltar para a prisão, Ted começa a pensar em um plano superior e em 30 de dezembro de 1977, consegue finalmente escapar da prisão. Sua fuga só seria percebida no dia 31, quando Ted já estava a caminho de seu novo destino, Tallahassee, Flórida.

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Apesar de sua intenção de um novo começo, ao chegar na Flórida, evitando qualquer problema que o levasse de novo para a cadeia, Ted não consegue ficar muito tempo inativo e dá início há alguns de seus mais terríveis crimes, como o ataque na casa da fraternidade Chi Omega. É preso, novamente, em 12 de fevereiro. Ironicamente, Ted fugiu para o pior lugar que poderia ter escolhido, um estado que havia condenado vários assassinos à pena de morte.

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Ann havia conhecido Ted, em 1971, quando trabalharam juntos em um centro de controle de crises, em Seattle. Os dois trabalhavam sozinhos, de madrugada e ela nunca se sentiu insegura ao lado dele. Pelo contrário, ele fazia questão de acompanha-la até seu carro, para que não houvesse nenhum perigo. Ele foi um grande amigo para ela nos momentos difíceis que passou, no período de sua separação.

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Ann Rule

Apesar de ter visto a semelhança de Ted com o retrato falado do assassino e de ter até mesmo dado esta dica aos investigadores, Ann não acreditava que seu amigo Ted fosse realmente o assassino e quando ele ligou para ela de Salt Lake City, antes de seu primeiro julgamento, para que ela sondasse os policiais de Washington sobre as queixas contra ele, Ann não sabia da gravidade e extensão das acusações que enfrentava.

Em seu livro, Ann nos conta sobre todo seu relacionamento com Ted, suas dúvidas e até mesmo a dificuldade em aceitar sua culpa. Mesmo sabendo de seu contrato para escrever um livro sobre os assassinatos, Ted continuou a escrever e ligar para Ann, até seu julgamento na Flórida. Após sua condenação e a publicação de The Stranger Beside Me, o relacionamento entre os dois passou a quase nada. Algumas cartas, no início bem ressentidas de Ted, que acreditava, talvez, que ela o descreveria como inocente, o que é claro ela não fez. Mas tudo indica que ele a perdoou posteriormente.

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O livro é muito bom! Tem uma perspectiva completamente diferente das outras publicações de True Crime, por este relacionamento entre escritor e criminoso. Ann nos leva a ter também um relacionamento com Ted, através de suas experiências com ele, boas e más. Podemos ver o grande conflito em que ela se encontrou, entre sua lealdade com ele e o horror que seus crimes lhe causaram. Realmente, único!

O livro traz vários capítulos posteriores, com informações sobre recursos que os advogados de Bundy interpuseram, especialmente para adiar sua morte e também com novas descobertas sobre seus crimes, como os indícios de necrofilia e relatos de mulheres que acreditavam ter escapado dele. Alguns destes capítulos são realmente necessários e interessantes. Mas conforme os anos vão se passando e novos adendos são inseridos, acabam ficando bem cansativos, o que culmina no prólogo da edição que li, um capítulo escrito pela filha de Ann Rule, que na minha opinião foi completamente desnecessário.

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