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#Resenha: O Tempo e O Vento – Érico Veríssimo

E, depois de alguns meses, finalmente terminei O Tempo e O Vento. Junto com a satisfação de praticamente um dever cumprido, vem aquela tristeza, tão familiar aos leitores, que em maior e menor grau temos ao terminar uma história. No caso de O Tempo e o Vento é uma tristeza como a perda de sua própria família. Porque é assim que os Terra, Quadros e Cambará passam a habitar em meu coração, como família. Seus amigos queridos são meus e suas dores, sinto-as todas. Apaixono-me e exaspero-me com seus personagens. Os julgo como julgaria os que estão a minha volta e a mim mesma. Não são todas as leituras de nossas vidas que nos trarão uma carga de sentimentos tão grande, que espelharão nossa alma, que nos farão amar e odiar, e repensar nosso posicionamento perante a vida. Infelizmente, não são todas. Por isto, não tenha dúvidas em se aventurar por estas páginas.

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O Tempo e O Vento conta a história do Rio Grande do Sul juntamente com a história da família Terra Cambará. Dividido em três partes: O Continente, O Retrato e O Arquipélago. Desde o tempo das missões, com Pedro Missioneiro e seu encontro com Ana Terra, Érico Veríssimo nos traz uma história mágica e envolvente, que te faz sentir parte daquela terra, de sua tradição e de seu povo. Repleta de mulheres fortíssimas e homens profundamente apaixonados, seja por uma mulher, por sua terra ou pela guerra. Traz personagens inesquecíveis, como Ana, um certo Capitão Rodrigo, Bibiana, Maria Valéria e, por que não, Rodrigo, que me levou às raias do desespero com seu egocentrismo, mas que acabei por amar, sem perceber bem quando. Também traz personagens dúbios e misteriosos, como Luiza, e outros tão sólidos e, à primeira vista, simples, como Toríbio e Liroca (tão fáceis de amar). Além de Floriano, no qual enxergo todas as minhas dúvidas e incertezas, toda a sensação de ver a vida passar, sem ter a certeza de estar participando.

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Não tem como explicar facilmente o que é esta saga e o que ela lhe proporciona. Talvez por isto, esta resenha seja tão emocional. Fica a tentativa de que você leia, simplesmente, e que possa ter esta mesma sensação que tenho ao final.

“O vento uiva, fazendo matraquear as vidraças. Bibiana Terra Cambará sorri, leva o indicador aos lábios, como a pedir silêncio, e, estendendo a mão na direção da janela, sussurra:

– Está ouvindo?”

O Continente – Vol. II

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