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#Resenha: Não Sou uma Dessas – Lena Dunham

“Não tem problema mudar de ideia. Sobre um sentimento, uma pessoa, uma promessa de amor. Não posso continuar só para não me contradizer.”

Não sou uma dessas – Lena Dunham

A primeira vez que ouvi falar sobre Lena Dunham foi antes da estreia de Girls, o seriado da HBO, que foi divulgado como a nova Sex and the City. Claro que como boa fã que sou de Carrie Bradshaw, fui conferir, apesar de achar que dificilmente algo seria parecido. E realmente, não havia a menor semelhança! Apesar das duas séries apresentarem a vida de quatro amigas e Nova Iorque como plano de fundo, elas não poderiam estar mais distantes. Sex and the City foi e continua sendo uma das séries mais glamourosas já feitas e Girls nos apresentava um outro extremo, outro tempo e uma realidade tão crua, que praticamente gritava em nossa cara. Com personagens cheios de novos dilemas, uma geração que não tem nenhuma segurança financeira e ainda está longe de descobrir o que realmente quer de sua vida e como fazer isso acontecer, principalmente. Isso incomodou muita gente, talvez por ser uma verdade que ninguém quer ver estampada em uma série de TV. Mas, é daí, que vem toda a sua genialidade!

 

Celebrity Sightings In New York City - May 25, 2012

Lena é criadora, produtora e personagem principal da série. Tudo isso, em um universo tão dominado pelos homens, como os estúdios americanos, já seria um grande feito. Mas é em sua honestidade brutal e visão cruelmente realista de si mesma, que ela consegue causar um grande impacto. Principalmente, com a Hannah, personagem que interpreta. Hannah é infantil, indecisa e muitas vezes absurdamente irritante, apesar de todo o seu potencial e inteligência. E ficava a dúvida, seria ela um espelho da Lena?

A voz de uma geração!

A voz de uma geração!

Eis que surge então seu livro autobiográfico: Não sou uma dessas. E finalmente, essa dúvida seria esclarecida. Junto com muitas outras, como o que ela realmente acha que tem para contar em um livro? E, sim, Hannah e Lena são iguais. E são maravilhosas! Sua sinceridade fica ainda mais evidente em seu livro, que começa já impactante: “Tenho vinte anos e me odeio. Meu cabelo, meu rosto, o formato da minha barriga. A maneira como minha voz soa hesitante e meus poemas soam piegas”.

"As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem."

“As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem.”

Em 300 páginas, Lena discute e nos apresenta sua experiência em seções:  Amor & Sexo, Corpo, Amizade, Trabalho e Panorama. Apesar de todas serem excelentes, é quando discute sobre autoestima e percepção de si mesma que ela se torna brilhante. Lena está fora dos padrões de beleza e, apesar de nos contar com detalhes sua relação conturbada com seu peso (trazendo em uma parte até seu diário alimentar!), ela também consegue lidar com tudo isso de uma forma que poucas mulheres, consideradas lindas pelos padrões, conseguiriam. No capítulo em que fala sobre suas cenas de nudez na série e no cinema, isto fica evidente:

“Mais tarde, assistindo à gravação no laboratório de mídia de Oberlin, não me senti envergonhada. Não adorava o que via, mas também não odiava. Meu corpo era só uma ferramenta para contar uma história.”

“Os atores profissionais sempre dão respostas prontas, como “É apenas um trabalho, é muito mecânico” ou “Foi muito legal trabalhar com ele, ele é como um irmão”, mas, como ninguém nunca me acusou de ser profissional ou atriz, serei honesta. É estranho pra cacete.”

“Ficar nua é melhor em alguns dias do que em outros. (…) Mas faço isso porque o meu chefe manda. E o meu chefe sou eu. Quando se está nua, é bom estar no controle.”

"Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer."

“Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer.”

Ela não é 100% segura de si mesma ou de sua aparência e nem precisa ser. Afinal de contas, quem escolhe o que é ser bonito? E quem disse que isso é o que mais importa?

O livro é honesto, sensível e, só de escrever sobre ele, já tenho vontade de ler de novo! A edição também é linda e cheia de ilustrações. Vale a pena, mesmo que você não goste de Girls ou da Lena. Este livro pode te fazer mudar de opinião!

Meu quote favorito:

ilustracao

 

Para finalizar, vi esta declaração da Mindy Kaling sobre ser sempre questionada por ser confiante e achei tão incrível que poderia ter um post só para ela, mas coloco aqui porque me remete aos mesmos sentimentos que tive ao ler este livro.

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