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#Resenha: Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert

“É melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição.”

Comer, Rezar e Amar possui um subtítulo sugestivo: a busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia. Nele, Liz Gilbert, irá nos contar como, ao final de um complicado divórcio e saindo de um relacionamento nocivo, decidiu pedir demissão de seu emprego, desistiu de seu apartamento e passou um ano morando nestes lugares.

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Com 31 anos, Liz chegou à conclusão de que não queria mais estar casada.

“Mas todos esperavam que eu quisesse ter um filho. Eu estava com 31 anos. Meu marido e eu – estávamos juntos havia oito anos, sendo seis casados – havíamos construído nossa vida inteira com base na expectativa comum de que, uma vez superada a avançada marca dos 30 anos, eu iria querer sossegar e ter filhos. Ambos esperávamos que, a essa altura, eu já tivesse me cansado de viajar e fosse ficar feliz em morar em uma casa grande e barulhenta, cheia de crianças e de colchas feitas a mão, com um jardim nos fundos e um reconfortante ensopado borbulhando em cima do fogão. (…) Mas eu não queria nenhuma dessas coisas – e estava arrasada por estar me dando conta disso. Pelo contrário: meus 20 anos haviam chegado ao fim, aquele prazo final dos 30 havia se abatido sobre mim como uma sentença de morte, e eu descobri que não queria engravidar. Continuava esperando querer ter um filho, mas isso não acontecia. E eu conheço a sensação de querer alguma coisa, podem acreditar. Sei muito bem o que é desejo. Mas esse desejo não existia.”

Apesar de ser evidente que ela não estava preparada para aquilo, Liz relutava quanto ao que poderia fazer. Afinal de contas, não era fácil desistir de uma vida “perfeita”, uma vida completamente de acordo com os padrões esperados.

“Adoro crianças, mas e se eu não tiver filhos? Que tipo de pessoa isso me torna? Virginia Woolf escreveu: “Sobre o imenso continente da vida de uma mulher recai a sombra de uma espada.” De um lado dessa espada, disse ela, estão a convenção, a tradição e a ordem, onde “tudo é correto”. Mas, do outro lado dessa espada, se você for louca o suficiente para atravessar a sombra e escolher uma vida que não segue a convenção, “tudo é confusão. Nada segue um curso regular”. Seu argumento era que atravessar a sombra dessa espada pode proporcionar à mulher uma existência muito mais interessante, mas podem apostar que ela também será mais perigosa.”

Depois de muito lutar contra seus próprios desejos, Liz finalmente se separa. Seu divórcio é extremamente doloroso e em meio a este turbilhão ela conhece David e, imediatamente, se apaixona.

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“David e eu nos conhecemos porque ele estava atuando em uma peça baseada em contos meus. Ele fazia um personagem que eu havia inventado, o que é de certa forma revelador. No amor desesperado é sempre assim, não é? No amor desesperado, nós sempre inventamos os personagens dos nossos parceiros, exigido que eles sejam o que precisamos que sejam, e depois ficando arrasados quando eles se recusam a desempenhar o papel que nós mesmos criamos.”

Mas, Liz não estava vivendo um bom momento e acaba despejando todas as suas expectativas e carência sobre ele. A relação tornou-se obsessiva e ele foi se distanciando a cada dia.

Por fim, no auge de seu desgaste emocional, Liz recebe uma proposta de trabalho: uma viagem para Bali para escrever uma matéria sobre as pessoas que vão até lá, nas férias, para praticar ioga. Nesta viagem, ela conhece um xamã, Ketut Liyer, que lhe convida para morar por quatro meses na Indonésia.

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“Você é uma escritora de livros de Nova York — disse ele meneando a cabeça, concordando. – Então você vai voltar aqui para Bali e me ensinar inglês. E eu vou ensinar a você tudo que eu sei.

Ele então se levantou e esfregou as mãos, como quem diz: Então está combinado.

– Se o senhor estiver falando sério, eu também estou – falei.

Ele me olhou com um sorriso de sua boca sem dentes e disse:

– A gente se vê.”

E assim, Liz começa seu ano sabático, em que irá aprender, em cada um de seus destinos, coisas novas sobre si mesma e como alcançar o equilíbrio que tanto busca.

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A história parece simples, mas todo o processo de redescobrimento de Liz, da percepção de suas falhas, do perdão que ela precisa aprender a oferecer, principalmente a si mesma, tocam fundo no leitor e, acompanhando sua jornada, passamos também por um processo de amadurecimento. Em vários momentos, ela se sentirá sozinha, mas reconhece que, às vezes, somente a solidão nos dá a perspectiva necessária para continuar. E em uma sociedade ainda tão padronizada quanto a que vivemos, é maravilhoso ter o exemplo de mulheres que simplesmente não se encaixam, que não possuem os mesmos sonhos da maioria e que não se conformam com a infelicidade.

“Há momentos que temos de procurar o tipo de cura e paz que só podem vir da solidão.”

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Em alguns momentos, principalmente durante a parte da Índia, o livro se torna um pouco maçante. Mesmo assim, a leitura vale a pena. Li pela primeira vez há alguns anos e reli em dezembro e esta é uma daquelas histórias que lhe trazem sentimentos e coisas novas dependendo do momento que você está vivendo. E pra quem sonha em viajar pelo mundo, é simplesmente delicioso!

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