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#Resenha: Columbine (Dave Cullen)

Qualquer adolescente dos anos 90 foi marcado pela tragédia de Columbine, quando 2 estudantes americanos, Dylan Klebold e Eric Harris, entraram armados em uma escola em Littleton, Colorado, em 20 de abril de 1999, e atiraram contra alunos e professores indiscriminadamente, matando 13 pessoas e ferindo outras 21. Até então, essa era uma realidade muito distante. Pelo menos, no Brasil, pouco se havia falado sobre casos como esse.

Na época, foi lançado um documentário chamado Tiros em Columbine, no original Bowling for Columbine (nomeado por um boato, hoje já refutado, de que os atiradores teriam ido para a aula de boliche, antes do massacre). O filme de Michael Moore é muito interessante (e extremamente atual, especialmente na discussão sobre o porte de armas que estamos enfrentando nos últimos dois anos), pois mostra o papel da indústria armamentista em casos como esse.

Muito se especulou que Eric e Dylan eram excluídos socialmente e que sofriam muito bullying por parte, especialmente, dos atletas da escola e que esse seria o motivo de terem tomado esta atitude. Nessa época, as escolas passaram a discutir o assunto com maior seriedade. Apesar de que, em minha opinião, há um longo caminho a percorrer para que soluções efetivas sejam tomadas e alunos e professores sejam conscientizados. Pois muito se fala, mas pouco se faz. E crianças e adolescentes continuam a sofrer com isso todos os dias. Nesta questão, falo por experiência própria! Passei por anos terríveis na escola e não tive apoio de verdade dos meus professores e diretores. Na maior parte do tempo, agiam como se fosse minha culpa e me diziam para ser mais forte!

Mas na verdade, durante a leitura, descobrimos uma história totalmente diferente do que foi apresentado pela mídia. Não que Dylan e Eric não tenham sofrido algum tipo de bullying, mas eles tinham um grupo de amigos, não eram excluídos socialmente. Eles eram diferentes, sim. Mas se encaixavam com várias pessoas. Outra coisa muito interessante é o grau de inteligência dos dois, especialmente, de Dylan, que chegou a frequentar uma escola para superdotados na infância. Ao decorrer do livro, que vai alternado entre as histórias de sobreviventes e pais, investigação policial e trechos dos diários dos garotos, vamos percebendo duas personalidades diferentes que se completaram da pior maneira possível: Dylan tinha um caso severo de depressão, que foi se agravando muito nos últimos dois anos antes do massacre, e Eric exibia um comportamento clássico de psicopatia. Ele não tinha empatia e tinha um complexo de superioridade. O grande sonho dele era um extermínio total, em que ele sairia ileso. Eric se inspirou muito no atentado de Oklahoma City, orquestrado por Timothy McVeigh e Terry Nichols, e que teve ampla divulgação em todos os meios de comunicação (inclusive, no documentário Tiros em Columbine, Michael Moore faz um paralelo muito interessante entre as diferenças entre Canadá e EUA, os dois países possuem forte cultura armamentista, mas enquanto no Canadá casos de violência são pouco explorados pela mídia, nos Estados Unidos, tragédias são exploradas à exaustão). O grande objetivo de Eric era “superar” o ataque ao prédio federal de Oklahoma City no número de vítimas. Para isso, construíram diversas bombas, que por sorte no dia, não funcionaram. O tiroteio, na verdade, foi um plano B. A ideia principal era fazer o maior número de casualidades com as bombas e atirar em sobreviventes.

Atentado em Oklahoma City

Eric e Dylan se encontraram em um paralelo extremamente perigoso: Eric queria matar e não se importava em morrer e Dylan queria morrer e não se importava em matar. Uma tempestade perfeita e tenebrosa estava formada!

Outro ponto importante explorado pelo livro é que várias denúncias foram registradas, em especial contra Eric, que havia ameaçado um colega de morte, após uma briga. Ele divulgava seus experimentos com bombas e ameaças em sites e os pais de seu colega informaram as autoridades diversas vezes. Mas nada foi investigado a fundo. Após o massacre, essas evidências foram escondidas do público por muito tempo, pois mostravam que talvez tudo isso poderia ter sido evitado, caso providências tivessem sido tomadas.

COLORADO – MARCH 6: (VIDEO CAPTURE) Eric Harris (L) watches as Dylan Klebold practices shooting a gun at a makeshift shooting range March 6, 1999 in Douglas County, CO in this image from video released by the Jefferson County Sheriff’s Department. Approximately six weeks after this video was made, Klebold and Harris killed 13 people at Columbine High School in Littleton, CO in the worst school shooting in U.S. history. Some of the weapons seen in the video were used in the shooting. (Photo by Jefferson County Sheriff’s Department via Getty Images)

O sofrimento dos pais dos assassinos, que é muito pouco considerado, também é discutido. E podemos entender um pouco da situação impossível que precisam enfrentar: a morte de seus filhos, a culpa, o ódio de muitos a sua volta.

Um livro sensacional! E para completar seguem alguns links interessantes para complementar esta leitura!

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