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American Crime Story – O Povo Contra O.J. Simpson (Jeffrey Toobin)

“An American Tragedy”

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A chamada de uma das capas mais criticadas da revista Time, que pode ser considerada um prenúncio de como o julgamento de O.J. Simpson iria ser conduzido. Orenthal James “O.J.” Simpson é um famoso ex-jogador de futebol americano, que após se aposentar dos campos, começou uma carreira bem-sucedida na televisão, como comentarista esportivo e participando de diversos filmes, como a franquia: Corra que a Polícia Vem Aí.

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O.J. com seu carisma incomparável e feitos notórios no esporte, conquistou status de celebridade em Los Angeles, cidade palco de grande tensão racial. A polícia de LA tinha um histórico de discriminação e violência exacerbada. Em 1991, um vídeo em que policiais espancavam violentamente um taxista afro-americano, Rodney King, que haviam detido sobre a acusação de dirigir em alta velocidade, foi divulgado na imprensa, causando intensa revolta. Treze dias depois, Latasha Harlins, uma adolescente afro-americana de 15 anos foi baleada e morta por Soon Ja Du, dona de uma mercearia com quem a garota havia discutido. Os policiais responsáveis pelo espancamento de King foram absolvidos por um júri predominantemente branco e Soon Ja Du foi condenada somente a condicional, multa e serviço comunitário. A impunidade deu origem a 3 dias de uma violenta revolta, em 1992, com saques, incêndios, confrontos e depredações. A comunidade negra estava farta das perseguições sem motivos e da falta de justiça que sofriam todos os dias. Líderes religiosos, artistas e esportistas de renome planejavam ações de protesto. Nas Olimpíadas de 1968, Tommie Smith, vencedor da prova de 200 metros e John Carlos, terceiro lugar, após receberem suas medalhas, levantaram os braços com os punhos fechados, símbolo do Movimento dos Panteras Negras e por isso foram expulsos dos jogos. Era notório que o envolvimento na causa prejudicava muitas vezes a carreira dos atletas.

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O.J. Simpson não tomava parte de nenhuma manifestação. Ele tinha um objetivo claro: queria vencer, queria fama. Seu charme, talento e apatia política o tornaram uma celebridade acessível. Desde quando jogava pela USC, universidade predominantemente branca e alheia aos conflitos sociais, onde fez a histórica corrida (The Run), que mudou os rumos de sua carreira, O.J. se relacionava com personalidades brancas e não sofria o mesmo preconceito que outros atletas que eram engajados sofriam. Uma de suas frases mais famosas, sintetiza essa ideia: “Eu não sou negro. Sou O.J.”

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Simpson era um herói americano e sinônimo de sucesso em tudo que participava. O primeiro comercial que participou para a Hertz, em que corre pelo aeroporto, tornou-se um fenômeno e abriu diversas portas para uma carreira fora dos campos de futebol americano.

Simpson era casado com Marguerite, com quem teve 3 filhos: Arnelle, Jason e Aaren. Após seu divórcio, quando conheceu Nicole Brown, em 1977, trabalhando em um clube. Ela tinha apenas 18 anos na época. Eles se casaram em 1985 e tiveram dois filhos. Seu relacionamento foi marcado por desentendimentos, ciúmes, traições e diversos episódios de violência doméstica. Em 1992, Nicole pede o divórcio, mas em 1993, resolve fazer uma tentativa de reconciliação, que fracassa miseravelmente e culmina na separação definitiva. Pelo menos, para Nicole. Simpson continua obcecado por ela. Seguindo-a e espionando-a. O suposto relacionamento de Nicole e Marcus Allen, um protegido de O.J. e nova estrela do futebol, agrava a tensão entre eles. No dia 12 de junho de 1994, há um recital de dança dos filhos de Nicole e O.J. e ela resolve ter um jantar com sua família no Mezzaluna. O.J. não é convidado. Durante o jantar, sua mãe esquece os óculos no restaurante e Nicole liga para pedir que entreguem-nos em sua casa. Ron Goldman, um dos garçons leva-os até Brentwood. Os dois são brutalmente assassinados na entrada da casa de Brown, enquanto os dois filhos dela dormiam no andar de cima.

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Ron Goldman

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Um dos vizinhos descobriu os corpos e ligou para a polícia. Os oficiais ao descobrirem que uma das vítimas era a ex-esposa de O.J. decidiram avisá-lo pessoalmente, antes que a mídia divulgasse. Ao chegar em Rockingham, os policiais avistaram um Ford Bronco na calçada. Nele havia rastros de sangue. Decidiram, então, entrar na propriedade, alegando que O.J. poderia estar em perigo. Kato Kaelin, um amigo de Simpson, que estava hospedado em uma casa de hóspedes da propriedade, foi encontrado e informou que O.J. havia viajado para Chicago naquela noite. Ele também relatou ter ouvido um grande barulho e sentido um tremor na parede da casa, que ele acreditou ser um terremoto. Um dos policiais, Mark Fuhrman resolveu investigar. A casa de hóspedes ficava bem próxima à cerca da propriedade e no espaço entre elas encontrou uma luva com sangue, idêntica à deixada na cena do crime.

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Ao voltar para Los Angeles, O.J. foi levado para prestar depoimento. Um dos policiais o algemou por alguns segundos, até que foi ordenado que o soltasse, pois ele não estava sendo acusado de nada. Mas o momento já havia sido captado por um dos repórteres acampados ao redor de sua propriedade. Os investigadores que o interrogaram falharam miseravelmente em construir uma linha do tempo concisa. Preocupados em não deixar uma celebridade como O.J. desconfortável, acabaram deixando que ele conduzisse a entrevista e que não desse nenhuma informação concreta que poderia ser utilizada pela promotoria.

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Mas as evidências eram abundantes, o sangue de O.J. estava na cena do crime. Ele tinha um corte no dedo, que explicava em uma versão diferente à cada pessoa que perguntava. O sangue de Nicole e Ron foram encontrados no Bronco e na luva da Rockingham. Luva esta que era uma edição limitada da Bloomingdale’s. Foi encontrado um recibo de que uma luva do modelo e do mesmo tamanho foi comprada por Nicole para presentear Simpson. O histórico de violência doméstica, com fotos das agressões e ligações gravadas para a polícia corroboravam a tese. Tudo parecia indicar uma condenação certa.

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Marcia Clark, uma promotora em ascensão, que sabia trabalhar bem com provas de DNA, foi escolhida para o caso, junto com Bill Hodgman. A defesa começou incialmente com Bob Shapiro, um advogado famoso pelos casos de celebridades que defendia e acostumado a conseguir acordos. Shapiro sabendo que não tinha a experiência necessária para um caso criminal deste porte começou a montar sua equipe, agregando o amigo pessoal de O.J., Robert Kardashian; Alan Dershowitz, notável advogado de defesa; Barry Scheck, especialista em DNA; F. Lee Bailey e Johnnie Cochran, que tomaria as rédeas do caso das mãos de Shapiro. Nascia o Dream Team e tinha início o julgamento do século. Posteriormente, entraria para o time da promotoria, Chris Darden, um promotor negro. Sua adição ao time foi duramente criticada, como uma tentativa de melhorar a imagem da promotoria junto aos jurados em sua maioria afro-americanos.

Prosecutors

Promotores

The Dream Team

The Dream Team

A questão racial foi desde o começo o mote do julgamento. Desde onde seria realizado, em Santa Mônica, em que a maioria dos jurados registrados são brancos ou no centro de Los Angeles, com grande número de jurados negros e latinos. Como seria a seleção do júri? E, principalmente, as ações da LAPD estavam na mira de todos os olhares. Teria havido uma tentativa de incriminar O.J.? Ironicamente, a polícia de Los Angeles tinha uma excelente relação com O.J., inclusive muitos dos policiais frequentavam sua casa em Rockingham. Mas o histórico da força policial testemunhava contra eles. E a comunidade negra via O.J. como um herói e mais uma vítima de discriminação. De repente, Simpson passou de um atleta que nunca se envolveu na luta pelos direitos civis para um mártir. O povo estava cansado. A ferida aberta na absolvição dos policiais que espancaram Rodney King ainda sangrava. Em meio a tudo isso, são descobertas provas de que Mark Fuhrman, que havia descoberto as principais provas do caso e era testemunha-chave da promotoria, era racista. Em fitas reveladas no meio do julgamento, Fuhrman afirmava ter prendido, espancado e humilhado afro-americanos sem nenhum motivo. E dizia também que já havia fabricado evidências.

Mark Fuhrman

Mark Fuhrman

O livro de Jeffrey Toobin, um jornalista que cobriu o caso e foi o primeiro a revelar a estratégia da defesa e as evidências contra Mark Fuhrman, demonstra os vários erros cometidos pela promotoria durante o julgamento, a execração de Marcia Clark e às humilhações a que foi submetida pela mídia e até mesmo pelo juiz Lance Ito, as dificuldades que Chris Darden enfrentou dentro de sua própria comunidade e as disputas de ego dentro do Dream Team. Mas, principalmente, mostra como a questão racial e os anos de impunidade foram fatores decisivos para a absolvição de O.J.

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A série de TV, produzida pela FX, de mesmo nome, foi baseada no livro de Toobin e é um primor. Atuações excelentes, direção segura de Ryan Murphy, que nos levam completamente ao ambiente da época. Mas o grande destaque vai para o documentário, vencedor do Oscar 2017, O.J.: Made in America. Dividido em 5 partes, nos mostra toda a vida de Simpson e como seu caráter foi moldado. Mostra os grandes conflitos e tensões que foram sendo acumulados durante os anos e traz entrevistas exclusivas com os personagens desta história. O documentário traz ainda uma parte extremamente importante, que começa a ser desenhada em American Crime Story, após a absolvição: como foi a vida de O.J. após o julgamento. Desde o distanciamento de seus amigos mais próximos a que ele tanto prezava; a perda de seus contratos; a condenação em um julgamento civil; seus bens sendo penhorados. A decadência de quem antes era um herói nacional até sua prisão por sequestro e assalto em Las Vegas.
Três obras de suma importância e que devem ser lidas e assistidas!

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#TOP 5: Séries de Comédia

Oi, gente!

Hoje vou falar sobre minhas séries de comédia favoritas! A ideia inicial era fazer um top 10 com minhas séries preferidas, mas quando fui fazer a lista vi que as comédias seriam maioria. Afinal de contas, nada como terminar um dia estressante, assistindo algo que te faça rir e te ajude a não levar a vida tão a sério.

Então vamos lá!

Friends

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Fiquei super na dúvida sobre este primeiro lugar: Friends ou Seinfeld? Chega até a cair no banal citar Friends como série favorita de comédia, mas não tem como negar: é maravilhosa! Acabei me decidindo por Friends, por puro amor aos personagens! É uma série de comédia que vai além e até mesmo faz com que você se emocione!

A premissa é simples:

“Friends é uma série que mostra a vida de seis amigos que vivem em Greenwich Village, se metendo nos apartamentos uns dos outros, além de dividir um sofá na cafeteria Central Perk. Monica é uma chef de cozinha muito controladora e com obsessão por limpeza, que sonha em se casar e ter filhos. Com ela mora Rachel, sua melhor amiga desde a época da escola, que fugiu de uma vida de patricinha interiorana para tentar ser uma mulher independente em NY. Do outro lado do corredor, moram os amigos Chandler (conhecido pelo seu humor irônico e por não se dar nada bem com mulheres) e Joey, que ganha a vida como ator, além de ter uma grande fama de mulherengo. No prédio vizinho, vive o azarado Ross, irmão de Monica, um paleontólogo romântico cujos relacionamentos nunca dão certo. Completando esse exótico grupo, está Phoebe, a ex-colega de quarto de Monica, uma pessoa otimista que vive de bicos, embora o grande prazer seja cantar e tocar seu violão.”

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O que faz Friends ser tão especial é a sintonia entre os personagens. Não tem como não querer fazer parte deste grupo e você realmente chega a se sentir um membro! Talvez muito disto se deva ao fato de os atores realmente serem amigos na vida real!

Seinfeld

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A comédia sobre o nada! Que maravilhoso isto! Seinfeld é a série que traz a comédia do dia a dia para sua TV. Eles conseguiram transportar, com muita ironia, situações que todos nós passamos. Genial!

“A melhor série sobre o nada é provavelmente a definição mais correta de “Seinfeld”. O seriado é composto por quatro personagens principais que discutem e analisam os fatos mais corriqueiros do dia a dia com boas doses de ironia, humor e egoísmo. Relacionamentos amorosos, problemas no trabalho e os mais fúteis assuntos são observadas sob as perspectivas de Jerry Seinfeld, um comediante em tempo integral, Elaine Benes, a maliciosa ex-namorada de Jerry, Cosmo Kramer, o excêntrico vizinho do humorista e George Costanza, o amigo azarado e neurótico de Jerry. Considerada a sitcom mais influente da década de 90, “Seinfeld” apresentava quatro amigos individualistas, imorais, inseguros e mentirosos, que conquistaram o público justamente por seus defeitos, que lhe conferiam certa veracidade.”

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Arrested Development

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Michael Bluth é um filho dedicado, que trabalha na empresa da família. Até que um dia, seu pai, George, é preso por fraude e Michael fica com a responsabilidade da empresa e de manter a família unida. Podia ser uma história comum, se não fosse pelo fato de todos os membros da família serem completamente fora da realidade. Gente, que série é esta? Provavelmente a que mais me fez rir na vida. Não tem como não pensar nas loucuras de nossa própria família! A Netflix produziu a quarta temporada da série, anos depois de seu injusto cancelamento e milhares de pedidos de fãs!

Will & Grace

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“Will e Grace eram namorados na adolescência. Will estava confuso com sua sexualidade, até que um dia, Grace e Will se embebedam e resolvem transar. Na hora “H”, Will percebe que é homossexual. A partir daí, os dois se tornam grandes e inseparáveis amigos, com várias situações hilariantes e atrapalhadas. Eles conhecem Jack, um gay, e Karen, uma hetéro que só quer dinheiro. O seriado ganhou vários prêmios importantes durante oito temporadas de sucesso.”

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Mais uma grande série de comédia baseada em amizade! A grande sacada de Will & Gracie é o fato de não haver nenhuma perspectiva amorosa entre os personagens principais, como frisado desde o primeiro episódio. O fato de que só a amizade importa a torna ainda mais especial! Momentos hilários, principalmente com Jack e Karen, que roubaram a cena na série!

Parks and Recreation

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“As mentes por trás de The Office nos trazem uma nova comédia mockumentary (que simula um documentário, com depoimento dos personagens e câmera acompanhando os acontecimentos em “tempo real”), mas agora sobre funcionários públicos do governo e as dificuldades de Leslie Knope em transformar uma construção abandonada em um parque útil para a comunidade.”

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Uma série de comédia sobre funcionários públicos… só isto já me faria assistir! Ser filmada como documentário foi um golpe de mestre. Temos todos os tipos de pessoas que damos de cara no cotidiano: Leslie, a funcionária super dedicada e que, mesme sem apoio, acredita que pode fazer o melhor; Ron Swanson, o chefe mais mal humorado do mundo; Tom, com as ideias de negócios mais bizarros do mundo. Os personagens são maravilhosos! Mais carismáticos, impossível. Não tem como não se apaixonar por sua loucura.

Vale a pena mencionar ainda algumas séries ótimas que surgiram nestes últimos anos, como The Mindy Project (da diva Mindy Kaling) e as novas séries da Netflix, Grace and Frankie e Unbreakable Kimmy Schmidt (criada pela Tina Fey). Dá só uma olhadinha:

The Mindy Project

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“Essa comédia romântica é da escritora e produtora indicada ao Emmy, Mindy Kaling, e conta a história de uma mulher que, embora tenha uma carreira bem sucedida, precisa desesperadamente quebrar alguns hábitos ruins de sua vida pessoal. Afinal, quantos médicos fazem piadas inapropriadas no casamento de um ex-namorado, quase se afoga na piscina de um estranho e é presa por desacato momentos antes de fazer um parto? Divertida, impaciente e politicamente incorreta, Mindy Lahiri divide uma clínica de ginecologia com outros colegas, nenhum deles disposto a tornar a sua vida mais fácil.”

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Grace and Frankie

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“A série acompanha a história das antigas rivais Grace (Jane Fonda) e Frankie (Lily Tomlin), cujos caminhos voltam a se cruzar por conta do novo rumo dos seus casamentos. Quando seus respectivos maridos anunciam que estão apaixonados um pelo outro e que planejam se casar, suas vidas ficam de pernas pro ar. E o que é pior, elas percebem que estarão eternamente ligadas por esse acontecimento. Com o tempo, descobrem que podem contar uma com a outra.”

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Unbreakable Kimmy Schmidt

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“Após quinze anos em um culto, Kimmy (Ellie Kemper) é resgatada e recomeça a vida em Nova York. Munida de uma mochila, tênis de luzinhas e livros datados de uma biblioteca, ela se depara com um mundo que achava que nem existia mais.Ingênua porém resiliente, a ex-reclusa não deixará que nada atrapalhe seu caminho e não demora a encontrar um emprego (trabalhando para Jane Krakowski), alguém para dividir um apartamento (Tituss Burgess) e uma nova vida. O elenco também inclui Lauren Adams, Sara Chase, Sol Miranda e a ganhadora do Emmy, Carol Kane.”

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Books, Séries

#Resenha: Não Sou uma Dessas – Lena Dunham

“Não tem problema mudar de ideia. Sobre um sentimento, uma pessoa, uma promessa de amor. Não posso continuar só para não me contradizer.”

Não sou uma dessas – Lena Dunham

A primeira vez que ouvi falar sobre Lena Dunham foi antes da estreia de Girls, o seriado da HBO, que foi divulgado como a nova Sex and the City. Claro que como boa fã que sou de Carrie Bradshaw, fui conferir, apesar de achar que dificilmente algo seria parecido. E realmente, não havia a menor semelhança! Apesar das duas séries apresentarem a vida de quatro amigas e Nova Iorque como plano de fundo, elas não poderiam estar mais distantes. Sex and the City foi e continua sendo uma das séries mais glamourosas já feitas e Girls nos apresentava um outro extremo, outro tempo e uma realidade tão crua, que praticamente gritava em nossa cara. Com personagens cheios de novos dilemas, uma geração que não tem nenhuma segurança financeira e ainda está longe de descobrir o que realmente quer de sua vida e como fazer isso acontecer, principalmente. Isso incomodou muita gente, talvez por ser uma verdade que ninguém quer ver estampada em uma série de TV. Mas, é daí, que vem toda a sua genialidade!

 

Celebrity Sightings In New York City - May 25, 2012

Lena é criadora, produtora e personagem principal da série. Tudo isso, em um universo tão dominado pelos homens, como os estúdios americanos, já seria um grande feito. Mas é em sua honestidade brutal e visão cruelmente realista de si mesma, que ela consegue causar um grande impacto. Principalmente, com a Hannah, personagem que interpreta. Hannah é infantil, indecisa e muitas vezes absurdamente irritante, apesar de todo o seu potencial e inteligência. E ficava a dúvida, seria ela um espelho da Lena?

A voz de uma geração!

A voz de uma geração!

Eis que surge então seu livro autobiográfico: Não sou uma dessas. E finalmente, essa dúvida seria esclarecida. Junto com muitas outras, como o que ela realmente acha que tem para contar em um livro? E, sim, Hannah e Lena são iguais. E são maravilhosas! Sua sinceridade fica ainda mais evidente em seu livro, que começa já impactante: “Tenho vinte anos e me odeio. Meu cabelo, meu rosto, o formato da minha barriga. A maneira como minha voz soa hesitante e meus poemas soam piegas”.

"As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem."

“As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem.”

Em 300 páginas, Lena discute e nos apresenta sua experiência em seções:  Amor & Sexo, Corpo, Amizade, Trabalho e Panorama. Apesar de todas serem excelentes, é quando discute sobre autoestima e percepção de si mesma que ela se torna brilhante. Lena está fora dos padrões de beleza e, apesar de nos contar com detalhes sua relação conturbada com seu peso (trazendo em uma parte até seu diário alimentar!), ela também consegue lidar com tudo isso de uma forma que poucas mulheres, consideradas lindas pelos padrões, conseguiriam. No capítulo em que fala sobre suas cenas de nudez na série e no cinema, isto fica evidente:

“Mais tarde, assistindo à gravação no laboratório de mídia de Oberlin, não me senti envergonhada. Não adorava o que via, mas também não odiava. Meu corpo era só uma ferramenta para contar uma história.”

“Os atores profissionais sempre dão respostas prontas, como “É apenas um trabalho, é muito mecânico” ou “Foi muito legal trabalhar com ele, ele é como um irmão”, mas, como ninguém nunca me acusou de ser profissional ou atriz, serei honesta. É estranho pra cacete.”

“Ficar nua é melhor em alguns dias do que em outros. (…) Mas faço isso porque o meu chefe manda. E o meu chefe sou eu. Quando se está nua, é bom estar no controle.”

"Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer."

“Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer.”

Ela não é 100% segura de si mesma ou de sua aparência e nem precisa ser. Afinal de contas, quem escolhe o que é ser bonito? E quem disse que isso é o que mais importa?

O livro é honesto, sensível e, só de escrever sobre ele, já tenho vontade de ler de novo! A edição também é linda e cheia de ilustrações. Vale a pena, mesmo que você não goste de Girls ou da Lena. Este livro pode te fazer mudar de opinião!

Meu quote favorito:

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Para finalizar, vi esta declaração da Mindy Kaling sobre ser sempre questionada por ser confiante e achei tão incrível que poderia ter um post só para ela, mas coloco aqui porque me remete aos mesmos sentimentos que tive ao ler este livro.

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