Browsing Category

Books

Books

A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

Lembro de uma tarde, quando era bem nova, provavelmente tinha uns 10 anos, em que li pela primeira vez sobre Sylvia Plath. Era uma nota de revista, creio que uma crítica de um livro sobre ela. E neste artigo, eles contavam um pouco sobre sua história, principalmente sobre sua morte. Sylvia cometeu suicídio aos 30 anos. Estava em casa com seus dois filhos. Deixou leite e pão para quando eles acordassem, abriu a janela e vedou o quarto das crianças com toalhas molhadas e roupas. Tomou, então, uma grande quantidade de narcóticos e colocou a cabeça dentro do forno, com o gás ligado. Esta história ficou tão marcada em minha memória, que mesmo com o passar dos anos não foi esquecida. E a curiosidade por sua obra só aumentou com o passar do tempo. Seu romance, inspirado nos eventos de seus anos de faculdade, A Redoma de Vidro, passou a fazer parte dos livros que considerava obrigatórios. Por coincidência, lendo o primeiro capítulo de A Redoma de Vidro, vejo uma sensação semelhante à que tive ao ler sobre Sylvia:

“Foi um verão estranho, quente e úmido, quando os Rosenbergs foram eletrocutados, e eu não sabia o que estava fazendo em Nova Iorque. Eu sou uma estúpida em relação a execuções. A ideia de ser eletrocutado me deixava aflita, e era tudo o que se tinha para ler nos jornais – manchetes que chocavam, me encarando em cada esquina e em cada entrada das estações de metrô, bolorentas e invadidas pelo cheiro de amendoim. Não tinha nada a ver comigo, mas eu não podia evitar de me perguntar como seria ser queimado vivo por toda a extensão de seus nervos.”

1364583892486.cached

A profundidade desta obra de Sylvia é imensa. Somente uma pessoa que realmente vivenciou esta situação, poderia descrevê-la desta maneira. Passar toda esta angústia, que, sim, acaba chegando até o leitor. Como a sombra descrita em um dos trecho do livro.

Eu senti ser engolida pelas sombras como a parte negativa de uma pessoa que nunca vi antes em minha vida.”

A1UU+VanR5L._SL1500_

O livro foi escrito foi escrito em 1963. Mas, com certeza, nunca ficará datado, pela natureza atemporal dos sentimentos que aborda. E, principalmente, no momento em que vivemos, com esta obrigatoriedade de ser feliz, ou de pelo menos aparentar ser, a história de Esther não poderia ser mais atual. Afinal, ela estava vivendo o sonho de todas as garotas, quando foi pega no meio de um turbilhão de sentimentos e dúvidas incontroláveis.

A história começa quando Esther Greenwood, uma jovem estudante pobre, que vivia em uma pequena cidade, ganha uma bolsa de estudos para a faculdade e alguns prêmios. Dentre estes, um mês de estágio em Nova Iorque, com todas as despesas pagas, além de vários bônus e conselhos profissionais de pessoas famosas em sua área de interesse, promovido por uma revista de moda.

“Era para eu estar aproveitando aquela experiência ao máximo. Era para eu ser a inveja de milhares de outras universitárias como eu, ao redor da América, que não queriam nada mais que viajar nesses mesmos sapatos de couro envernizado, tamanho trinta e cinco, que comprei na Bloomingdale’s no horário de almoço, com um cinto de couro envernizado preto e uma bolsinha de couro envernizado preta para combinar. E quando minha foto saiu numa revista em que as doze de nós estavam trabalhando – bebendo martinis em minúsculas imitações de corpetes prateados presos numa grande, gorda nuvem de tule branco, em algum Starlight Roof, na companhia de jovens anônimos com as melhores estruturas ósseas contratados ou emprestados para a ocasião – todos deviam estar achando que eu estava num verdadeiro turbilhão.”

o-SYLVIA-PLATH-facebook

Mas, ao invés de se sentir nas nuvens, como todas as outras garotas, Esther se vê rodeada por sentimentos negativos e começa a desenvolver uma forte depressão.

“Eu sabia que havia algo errado comigo naquele verão, porque tudo o que eu podia pensar era sobre os Rosenbergs e como estúpida eu fui em ter comprado todas aquelas desconfortáveis roupas caras, penduradas frouxas como peixes em meu closet, e como todos os pequenos sucessos que eu acumulei tão alegremente na faculdade se degradavam, reduzidos à nada ante o mármore sofisticado e as fachadas de vidro laminado ao longo da Avenida Madison.”

Na maioria das resenhas que li sobre A Redoma de Vidro, as pessoas se referem à leitura como um soco na boca do estômago. E não acredito que poderia ter uma descrição mais acurada que essa. Porque Sylvia nos faz vivenciar uma dor e uma agonia intensas, como se acontecesse em nossa própria pele.

430118A

 “Eu vi minha vida estendendo seus galhos em minha frente como a figueira verde da história. Da ponta de cada ramo, como um figo roxo e grande, um maravilhoso futuro acenava e piscava. Um figo era um marido e um lar feliz e filhos, e outro figo era uma famosa poetisa e outro figo era uma brilhante professora, e outro figo era E Gê, a editora incrível, e outro figo era Europa e África e América do Sul, e outro figo era Constantin e Socrates e Attila e um pacote de outros amores com nomes esquisitos e profissões incomuns, e outro figo era a campeã da equipe olímpica, e além e acima desses figos haviam muitos outros figos que eu não podia distinguir bem.  Eu me vi sentada na bifurcação dos galhos desta figueira, morrendo de fome, só porque eu não conseguia me decidir de qual figo escolher. Eu queria cada um deles, mas escolher um significaria perder todo o resto, e, enquanto eu estava sentada ali, incapaz de me decidir, os figos começaram a se enrugar e ficarem pretos, e, um por um, eles caíram ao chão, aos meus pés.”

Apesar de ser tão denso e até mesmo incômodo, ao chegar na última página, minha vontade era começá-lo de novo! Não tenho muito mais a dizer, a não ser: Leia!

Sylvia-Plath

P.S.: Ansiosa para começar A Mulher Calada, de Janet Malcolm. Vejam só a descrição:

“A Mulher Calada – Uma das poetas mais originais do século XX, Sylvia Plath se suicidou no inverno de 1963, poucos meses depois de se separar do marido, o também poeta Ted Hughes. Esse gesto último selou, em torno de sua vida e sua obra, um campo de forças tão poderoso que ainda hoje continua a opor não só os vivos aos mortos, como todos os que sobreviveram à tragédia.  Neste livro, Janet Malcolm se debruça sobre todas as biografias já escritas sobre Sylvia Plath, além de adentrar um intrincado mundo de cartas, arquivos e delicadas situações familiares. Dotada de elegância e senso narrativo excepcionais, Malcolm mescla psicanálise, poesia, biografia e reportagem, num ensaio de amplitude e profundidade surpreendentes, capaz de envolver o leitor com o magnetismo de uma trama policial.”

Comecei a ler o prefácio do livro e sem palavras para minha frustração com Ted Hughes, ex-marido de Sylvia, que destruiu o último diário dela, que continha anotações até três dias antes de sua morte!

Ah, A Redoma de Vidro é o livro do mês do Clube do Livro, do Girls With Style! Participe também!!!

Books, Books #Friday3thBooks, Filmes

#Fridat13thBooks: Horror em Amityville – Jay Anson

Mais uma sexta-feira 13!!! Portanto, é dia de dicas de livros e filmes com o clima sombrio da data! Para esta resenha escolhi um dos livros mais perturbadores que já li: Horror em Amityville.

O livro de Jay Anson, foi publicado em 1977. Além de grande sucesso de vendas, teve várias adaptações para o cinema. O livro conta a história da família Lutz. George e Kathleen haviam acabado de se casar e ele se tornara padrasto de seus três filhos de um relacionamento anterior. Eles começaram, então, a procurar uma casa que fosse grande o suficiente para acomodá-los e também para sediar a empresa de George. Depois de uma busca exaustiva, sem nenhum resultado, uma corretora os levou para conhecer uma casa que não estava nas ofertas imobiliárias dos jornais. E, foi assim que eles chegaram à casa 112, da Ocean Avenue, em Amityville – uma verdadeira mansão, que tinha até mesmo um abrigo para barcos. Qual não foi a surpresa do casal quando descobriram que aquela casa estava sendo vendida por apenas 80 mil dólares, valor muito abaixo ao do mercado. Claro que deveria haver algum problema. Eles só não podiam imaginar qual! Foi aí que a corretora, sem mais rodeios, contou que essa era a casa da família DeFeo.

Amityville by Doug Kerr

Em 1974, Ronald DeFeo Jr havia assassinado brutalmente seu pai, sua mãe e seus quatro irmãos, com uma espingarda. Em seu julgamento, ele alegara insanidade, dizendo que ouvia vozes ordenando que ele matasse sua família. A despeito dos esforços de sua defesa, DeFeo foi condenado à prisão perpétua. O caso teve ampla divulgação e a casa ficara “marcada”. Isto explicava algo estranho que George notara ao chegarem na casa: todas as venezianas das janelas vizinhas que se abriam para o número 112 estavam fechadas, enquanto as que davam para a frente das casas estavam abertas!

convict

Apesar de estar acima de seu orçamento, os Lutz se apaixonaram pela casa! E pouca importância deram à sua história. No dia 18 de dezembro de 1975, eles se mudaram definitivamente para a Ocean Avenue. Onde morariam por apenas 28 dias, até fugirem aterrorizados.

image010

Desde o primeiro dia de sua estadia na casa, coisas muito estranhas começaram a acontecer. O primeiro a pressentir foi o Padre Mancuso, amigo pessoal dos Lutz, que foi convidado para benzer a casa.

“Foi com apreensão que o padre Mancuso percorreu os poucos quilômetros que o separavam de Amityville. Sentia que o que o preocupava não era o fato de ir à casa dos DeFeos, mas uma outra coisa … Passava de uma e meia quando chegou ao seu destino. A entrada da casa dos Lutz estava tão cheia de carros que foi obrigado a estacionar o seu velho Vega azul na rua. Notou com prazer que a casa era imensa. Que bom que George tinha podido oferecer a Kathy e às crianças um lar tão confortável! O padre retirou os objetos do culto do carro, vestiu a estola, apanhou a água benta e entrou na casa para dar início à bênção. Mas quando começou a proferir as palavras do ritual aspergindo a água benta, ouviu uma voz masculina ordenar com assustadora clareza: “Saia!” Chocado, ergueu a cabeça e rodou nos calcanhares, os olhos arregalados de espanto. A ordem viera de um ponto, bem atrás dele, mas não havia ninguém na sala. Quem quer que tivesse dito aquilo, não estava à vista.”

O padre passaria por uma viagem terrível voltando para sua casa. O que o deixou ainda mais apreensivo sobre a nova casa de seus amigos. Este era apenas o começo da longa sucessão de fatos estranhos que iriam acontecer com a família Lutz. Desde batidas estranhas todos os dias às 3:15h, o frio dentro da casa que não passava, mesmo com termostato no máximo, o amigo imaginário da filha de Kathy, até a mudança de comportamento da família.

George e Kathy Lutz

George e Kathy Lutz

O suspense é crescente na história e a gravidade dos acontecimentos piora a cada instante. Junte-se a isso as descobertas que a família faz sobre a história da casa, que vão muito além dos DeFeo. A história vai lhe prender do início ao fim!

Tudo no livro é ainda mais intenso, pois é baseado em fatos reais. A casa 112 da Ocean Avenue, ainda existe. Inclusive pode ser vista pelo Google Street View! O caso DeFeo aconteceu exatamente como descrito e o livro inicia-se com fragmentos de jornal sobre a família Lutz.

“Amityville: dia 23 de dezembro, George e Kathleen Lutz compraram a casa onde os seis membros da família de Ronald DeFeo tinham sido friamente mortos à bala no ano anterior, mudando-se para lá pouco tempo depois. Dali a …. dias, eles abandonaram a casa, deixando toda a mobília. E disseram aos amigos e vizinhos que a casa era assombrada…”

– Newsday, 14 de fevereiro de 1976

“Palavras de Gerard Sullivan, promotor adjunto de Suffolk. Referindo-se aos Lutz: ‘Eles parecem estar verdadeiramente aterrorizados e intimidados.’ “

– Daily News, de Nova York.14 de fevereiro

“Lutz disse que fenômenos psíquicos que não podia descrever persuadiram-no e a sua família a deixar subitamente a casa por motivos de segurança pessoal… ele afirma que não ficaria outra noite naquela casa…”

– Newsday, 12 de fevereiro

“Fenômenos como os que este livro descreve realmente acontecem – e a pessoas e famílias comuns, que não são nem exibicionistas nem ávidas de atenção. Aqueles, que já estiveram envolvidos em investigações psíquicas poderão verificar que o caso não é atípico.”

– extraído do prefácio do reverendo John Nicola

Claro que a veracidade da história dos Lutz é amplamente confrontada, mas isso não tira nenhum mérito do livro. Muito pelo contrário! Uma leitura imperdível para os amantes do terror!

rZHdqFaKU6FuSCfchnyjm8nMjrd

Ah, e temos também as adaptações para o cinema. Segue uma lista dos filmes já feitos:

  • The Amityville Horror, de 1979.
  • Amityville II: The Possession, de 1982.
  • Amityville 3-D, de 1983.
  • Amityville: The Evil Escapes, de 1989.
  • The Amityville Curse, de 1990.
  • Amityville: It’s About Time, de 1992.
  • Amityville: A New Generation, de 1993
  • Amityville Dollhouse: Evil Never Dies, de 1996.
  • The Amityville Horror, de 2005.

Dentre estes, destaca-se Amityville II: The Possession, que concentra-se na história dos DeFeo e na refilmagem de 2005, The Amityville Horror, no DVD, temos um documentário sensacional sobre o caso. E será lançado, em 2015, um novo filme da franquia – Amityville: The Awakening. Confira o trailer:

Books, Filmes

#Resenha: Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose – Stephen Rebello

“O cinema deveria ser considerado mais forte do que a razão.”

Alfred Hitchcock

alfred-hitchcock

Terminada a leitura do incrível livro de Stephen Rebello, Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose. E que leitura deliciosa foi esta! Stephen teve a honra de ser a última pessoa a entrevistar o diretor. Deste fato, misturado com sua paixão por Psicose, veio a ideia de escrever um livro sobre os bastidores do filme.

livro-alfred-hitchcock-e-os-bastidores-de-psicose-10862-MLB20035876113_012014-F

Quando Hitchcock comprou os direitos do livro de Robert Bloch não imaginava as dificuldades que enfrentaria em sua produção e muito menos o sucesso estrondoso de bilheteria e posteriormente de crítica que o filme teria.

Apesar de já ter em seu currículo quarenta e seis filmes e três temporadas de sua bem-sucedida série de TV, Alfred Hitchcock Presents, era um momento delicado para o diretor, que a despeito do sucesso de seu último filme, Intriga Internacional, ainda era assombrado pelo fracasso de bilheteria de Um Corpo que Cai, baseado no livro de Pierre Boileau e Thomas Narcejac, D’entre les morts. A mesma dupla havia escrito Celle qui n’était plus, cujos direitos foram comprados por Henri-Georges Clouzot, que o transpôs para o filme As Diabólicas, sucesso de público e crítica. Tudo isto foi ainda mais doloroso para Hitch, pois ele tentara comprar os direitos de As Diabólicas e perdeu para Clouzot por algumas horas.

les-diaboliques-photos-4

Psicose viria a ser o quinto e último filme do contrato de Hitchcock com a Paramount. Os diretores do estúdio porém ficaram perplexos com a ideia. Não viram na trama nenhum requinte, além de temas polêmicos como o travestismo do personagem principal e a relação incestuosa de Norman e sua mãe.

“Ainda assim, mesmo num momento de relativa prosperidade, para as altas patentes da Paramount, Hitchcock e Psicose não pareciam uma boa combinação. Haviam vazado nas conversas de corredor do estúdio os rumores de que o diretor queria tentar “algo diferente”; a mesma motivação que tinha resultado em O homem errado na Warner Bros. e em O terceiro tiro e Um corpo que cai na Paramount — três fracassos de bilheteria.”

vertigo-alfred-hitchcock-865414_1024_768

Hitchcock não estava acostumado a receber um não como resposta, assim quando o estúdio negou o financiamento para seu filme, ele resolveu pagar de seu próprio bolso, utilizando as instalações da Universal-International. Restando para a Paramount apenas a distribuição do filme.

Esta não foi a única recusa que seu projeto recebeu, além de ter que trabalhar com um orçamento muito reduzido, vários de seus colaboradores mais próximos se afastaram do projeto.

Mas o desejo de inovar era maior que todas as dificuldades para o diretor. Finalmente, Hitch havia achado um material que realmente lhe interessava.

“O cineasta não estava brincando totalmente quando disse à imprensa: “Se eu dirigisse Cinderela, o público iria esperar um cadáver aparecer na carruagem.” Ou quando comentou com pesar sobre a armadilha na qual havia se aprisionado: “Estilo é autoplágio.” H. N. Swanson, amigo de Hitchcock e agente de autores de suspense como Raymond Chandler e Elmore Leonard, explica da seguinte forma: “Hitch nunca procurava casualmente ‘alguma coisa diferente’. Ele era incansável.” Outro parceiro de longa data do diretor, o agente Michael Ludmer, corroborou: “Nós procurávamos de tudo — peças, romances, contos, recortes de jornal. Mistérios do tipo ‘quem matou?’ estavam fora de questão, e ele desconfiava de ficção científica, do sobrenatural ou de qualquer coisa que tivesse a ver com criminosos profissionais. Como não dava para adivinhar qual seria a pequena faísca que acenderia seu entusiasmo, era terrivelmente trabalhoso coletar material para Hitch.” E foi aí que entrou Psicose.”

pyscho-movie-poster

O livro nos leva, passo a passo, por todas as etapas do filme, desde a escolha do roteirista, Joseph Stefano; e do elenco, com o formidável Anthony Perkins e Janet Leigh; as filmagens, com todas as suas particularidades e dificuldades técnicas; as polêmicas que surgiram à partir dos anos sobre a direção da cena do chuveiro; até a escolha da trilha sonora, corte final do filme e divulgação.

Neste processo, conhecemos uma infinidade de personagens brilhantes envolvidos na produção deste filme e de outras grandes obras do cinema. Além de nos dar uma nova perspectiva sobre o diretor: seus defeitos, desafetos, protegidos e sua ferrenha autocrítica.

“Não gosto de conflitos”, disse uma vez o cineasta, “mas não vou sacrificar meus princípios. Estabeleci um limite no meu trabalho. Abomino pessoas que dão menos do que têm de potencial. Isso é fraude (…) e pessoas assim serão excluídas.”

É interessante também perceber que além de um diretor genial, Hitchcock era excelente na divulgação de seus filmes. Trabalhando com um set totalmente fechado e tendo feito todos os participantes do filme professarem um juramento de não divulgar nenhuma de suas surpresas, Hitchcock conseguiu manter o suspense ao máximo. Para isto, até mesmo criou um manual sobre como exibir o filme para os gerentes de cinemas de todo o país. O ponto alto da divulgação foi o trailer de Psicose, onde Hitch nos apresenta o Motel Bates.

“Hitchcock, porém, como mestre da autopromoção, providenciava oportunidades para fotos “improvisadas” assim que surgia uma deixa. O diretor de arte Robert Clatworthy recordou: “Ao longo da filmagem, ele manteve sempre visível uma cadeira com ‘Sra. Bates’ escrito atrás, bem grande. O humor de Hitchcock era assim. Por Deus, a Sra. Bates era uma pessoa real, então tinha de ter uma cadeira.” Num final de tarde, o diretor se acomodou nessa cadeira — uma foto premeditada (e devidamente registrada) como um agrado para os divulgadores do estúdio; mais tarde, todos os principais nomes do elenco, de Martin Balsam a Janet Leigh, também foram fotografados na mesma cadeira. Exceto, claro, Anthony Perkins.”

Mesmo com toda a falta de suporte da Paramount, conseguiu montar uma campanha genial, que se reflete na bilheteria do filme. Psicose custou 800 mil dólares e arrecadou 60 milhões em todo o mundo.

“Intermináveis reprises, imitações e paródias tiraram um pouco do gume afiado de Psicose, principalmente para gerações que aprenderam a confundir jatos de sangue, montagens frenéticas e trilhas sonoras mecânicas com o verdadeiro suspense. Em contraste com as séries Sexta-feira 13 ou A hora do pesadelo e suas muitas crias, a comoção causada pelo filme de Hitchcock pode soar hoje tão incompreensível quanto uma velha série dos primórdios da TV ou um filme mudo. Quem foi criado com Jason e Freddy pode ficar perplexo com o fato de o público de 1960 ter gritado por causa de Norman. Entretanto, se eles tiverem muita sorte, talvez apareça um equivalente contemporâneo de Alfred Hitchcock que os pegue de surpresa e mate de medo os espectadores de filmes dos Estados Unidos mais uma vez.”

Um livro imperdível para quem ama cinema e, principalmente, para os apaixonados por Psicose!

O filme Hitchcock, de 2012, é uma adaptação do livro de Stephen Rebello. Com Anthony Hopkins, no papel de Hitchcock, o filme explora principalmente a relação do diretor com sua esposa e grande colaboradora, Alma. Aspecto em que diverge muito do livro. Não que isto seja ruim. Muito pelo contrário, é o complemento perfeito para o livro de Stephen Rebello.

hitchcock_header1

Apesar de nunca ter superado o imenso sucesso de Psicose, Hitchcock ainda produziu seis filmes, dentre eles o maravilhoso Os Pássaros, que está na minha lista de favoritos do diretor, junto com Festim Diabólico e Janela Indiscreta. Ver esta referência ao final do filme Hitchcock foi delicioso!

“E respondeu: ‘Eu sempre quero que o público pense o que o personagem está pensando. No momento em que eu perder uma pessoa da plateia, perco todas.’ Então percebi que essa era uma das maneiras de ele manter seus espectadores na beirada da poltrona, ansiosos por absorver todas essas pequenas informações.”

Books, Filmes

Scarlett O’Hara – E o Vento Levou…

“There was a land of Cavaliers and Cotton Fields called the Old South. Here in this pretty world, Gallantry took its last bow. Here was the last ever to be seen of Knights and their Ladies Fair, of Master and of Slave. Look for it only in books, for it is no more than a dream remembered, a Civilization gone with the wind…”

Ben Hecht

gone-with-the-wind-vivien-leigh-scarlett-ohara-black-white-1200x3200

Chegou mais um final de semana e este é muito especial. No domingo, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. E para celebrar, resolvi falar aqui sobre uma das melhores personagens femininas da história do cinema e da literatura: Scarlett O’Hara, de E o Vento Levou.

ho_uFyppdN-7-JPvcZ4aBlPpb2E

O livro de Margareth Mitchell foi publicado em 1936 e foi vencedor do prêmio Pulitzer do ano posterior. A história começa em 1861, o ano em que foi declarada a Guerra Civil ou Guerra da Sucessão americana. Scarlett é a filha mais velha de um rico produtor de algodão, no sul dos Estados Unidos.  Desde o primeiro momento, fica claro que Scarlett é mimada e egocêntrica.

“Mas, não obstante a simplicidade da saia rodada, a maneira modesta como usava o cabelo, enrolado sobre a nuca e a quietude das pequeninas mãos brancas que lhe repousavam, cruzadas, no regaço, a sua verdadeira personalidade conseguia sobressair. Apesar da expressão calma que a fisionomia normalmente ostentava, os olhos dela eram irrequietos, voluntariosos, cheios de vida, o que estava em completo desacordo, com a sua atitude recatada. As maneiras discretas, estudadas, tinham-lhe sido impostas pelas suaves repressões maternas e pela disciplina mais dura que a ama preta a fizera observar; mas os olhos eram dela, muito seus, e só a ela obedeciam.”

E o Vento Levou – Margareth Mitchell

045-gone-with-the-wind-theredlist

Apesar de viver rodeada por inúmeros rapazes da região, é apaixonada por seu vizinho Ashley Wilkes. Mas, contrariando todas as expectativas de Scarlett, ele resolve se casar com sua prima, Melanie. Ter suas vontades contrariadas foi uma verdadeira novidade para ela, que resolve, então, se casar com o irmão de Melanie, Charles, só para se vingar.

Neste mesmo dia, Scarlett conhece Rhett Butler, charmoso, sagaz e com uma reputação arruinada. Ele, apesar de se mostrar interessado por ela, não satisfaz nenhuma de suas vontades e se prova no mesmo nível de astúcia que ela.

gone-with-the-wind-updated-4

Entra, então, em cena, um dos grandes “personagens” da história: a guerra. Durante todo o período em que pairou a sombra de uma possível guerra entre norte e sul, os sulistas jamais consideraram uma derrota, muito pelo contrário, acreditavam que tinham mais fibra, valores mais elevados e muito mais coragem que seus vizinhos do norte, deixando de considerar seu poderio militar e suas fábricas de munição. E a guerra e posterior derrota do Sul, vem para mudar toda a sua vida. Como na citação que dá início ao filme: “…uma civilização que o vento levou.”

E é neste contexto que Scarlett irá passar pelas maiores provações de sua vida. Enfrentando a morte de familiares e amigos, a angústia pelos que estão lutando na guerra, a pobreza e a fome. Durante a história, ela se verá sozinha e desamparada muitas vezes. Mas lutará, com todos os meios possíveis para sobreviver.

gone-with-the-wind-gone-with-the-wind-4377797-1024-768

“As God is my witness, as God is my witness they’re not going to lick me. I’m going to live through this and when it’s all over, I’ll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I’ll never be hungry again.”

Scarlett tem muitas atitudes equivocadas, a maioria delas provocadas por sua obsessão pelo Ashley. Apesar disso, não tem como não se apaixonar pela personagem. Por sua força, determinação e inteligência. Seus vários defeitos e erros somente a fazem mais completa, mais real. Pensar que uma personagem assim foi escrita em 1936 é realmente impressionante! E em vários trechos podemos identificar, ainda hoje, dificuldades pelas quais toda mulher passa.

Gone With the Wind

“Estou cansada de ser eternamente antinatural e nunca fazer qualquer coisa que eu quero fazer. Estou cansada de agir como se eu não comesse mais do que um pássaro, e andar quando eu quero correr e dizer que sinto que vou desmaiar depois de uma valsa, quando eu poderia dançar por dois dias e não me cansar. Estou cansada de dizer: “Como você é maravilhoso!”, para enganar os homens que não têm a metade do senso que eu tenho, e estou cansada de fingir que não sei de nada, para que os homens possam me dizer coisas e se sentirem importantes, enquanto o fazem…”

MCDGOWI EC004

“Esse é o único pecado imperdoável em qualquer sociedade. Seja diferente e seja condenado! “

scarlett-o-hara-scarlett-ohara-21298957-836-1024

Até você perder sua reputação, você nunca perceberá o fardo que era ou o que a liberdade realmente é. “ O filme e o livro são apaixonantes!

Se você ainda não conhece, não perca mais tempo e veja agora! Não irá se arrepender!

“Dear Scarlett! You aren’t helpless. Anyone as selfish and determined as you are is never helpless. God help the Yankees if they should get you.”

Rhett Butler

brutal-love

Books, Filmes

#Resenha: Psicose – Robert Bloch

“Mary começou a gritar. A cortina se abriu mais e uma mão apareceu, empunhando uma faca de açougueiro. E foi a faca que, no momento seguinte, cortou o seu grito. E a sua cabeça.”

large_psycho_blu-ray_5

Já no começo desta resenha, temos a revelação da morte de uma das personagens principais de Psicose, o romance de Robert Bloch, que revolucionou a maneira de desenvolver um suspense… matando sua mocinha no primeiro terço do livro. Longe de estragar a história, isto só ajudou a construir uma narrativa excepcional.

Psicose conta a história de Norman Bates, gerente de um motel de uma pequena e pacata cidade. Um homem de meia idade, que nunca se casou e que vive com sua mãe dominadora. As coisas se tornam ainda mais complicadas quando uma nova estrada é inaugurada, diminuindo drasticamente o número de carros que passam na frente do motel.

Psycho_movie-Review_animated

Norman, então, se torna ainda mais solitário e dependente de sua mãe.

“— Eu bem disse, quando me contaram que a estrada ia ser transferida. A sra. podia ter vendido o motel antes que a notícia da mudança transpirasse. (…) Mas a senhora não me quis ouvir. Nunca me ouve, não é? É só o que a senhora quer, o que a senhora acha. A senhora me deixa doente! (…)

— Então deixo, garoto? Repetiu ela, com suavidade ainda maior. — Deixo-o doente, heim? Pois bem: acho que não. Não, menino: não sou eu quem o deixa doente. (…) A verdade é que lhe falta senso comum. Nunca teve a menor dose de senso comum! Por exemplo, nunca teve o senso comum de sair para sempre desta casa, de arranjar um emprego, de se alistar no Exército… Nem mesmo de arranjar uma namorada…

— A senhora é que não deixou!

— Está certo, Norman: fui eu que não deixei… Mas se você fosse homem, teria feito o que queria. Quis gritar que ela estava errada, mas não pôde.”

Conhecemos, então, Mary Crane. Mary trabalhou por muitos anos em uma agência de seguros. Tem uma vida simples e cuida de sua irmã mais nova, Lila, tentando lhe proporcionar coisas que não teve, como cursar uma faculdade. Mary é noiva de Sam, o dono de uma loja de ferragens, que luta para saldar as dívidas deixadas por seu pai, para que depois possam se casar. Mas, Mary já está muito cansada de esperar. No momento em que começa a perder toda a esperança, surge uma oportunidade tentadora. Um dos clientes da agência paga à seu chefe 40 mil dólares, em dinheiro. E pedem que Mary deposite a quantia no banco. Em um impulso, ela resolve fugir com o dinheiro e encontrar seu noivo para se casar.

"Algumas vezes...nós, deliberadamente, nos colocamos em uma armadilha."

“Algumas vezes…nós, deliberadamente, nos colocamos em uma armadilha.”

Em meio a uma viagem turbulenta, dirigindo o dia todo, ela acaba se perdendo na noite chuvosa e resolve parar para descansar no motel Bates.

“Desligou o motor e esperou. Escutava a monótona pancada de chuva entre as lufadas do vento. Lembrava-lhe a noite em que a mãe morrera, pois chovia assim. E agora a escuridão a cercava. Estava sozinha no meio da treva. De que lhe valia o dinheiro? De que lhe valia Sam? Errara o caminho, estava numa estrada desconhecida… não havia recurso. Cavara sua própria cova e agora tinha de deitar-se nela… Mas por quê pensava assim? Não era cova: era leito. Ainda procurava decifrar isso quando a enorme sombra surgiu da treva e abriu tranquilamente a porta do carro.”

best friend

-Você sai com seus amigos? -O melhor amigo de um garoto é sua mãe.

Mary conhece Norman e durante um jantar ele lhe conta sua história e de sua mãe. E quando ela sugere que ele interne sua mãe em um lugar em que possam tomar conta dela, eles têm uma acalorada discussão. Que termina com Mary voltando ao seu quarto e tomando a decisão de devolver o dinheiro que roubou. Mas ela nunca teve a chance. Acabou sendo assassinada no chuveiro… No que se tornaria uma das cenas mais icônicas do cinema.

mary-psicose

Norman ao descobrir que sua mãe matou Mary, resolve se desfazer do corpo e salvar sua mãe da cadeia. Mas, logo começam as buscas por Mary. Sua irmã, Lila, procura Sam para descobrir se ela foi até ele e um investigador é contratado pela agência para investigar e encontrar o dinheiro.

"Oh, mas ela é inofensiva. Tão inofensiva quanto estes pássaros empalhados."

“Oh, mas ela é inofensiva. Tão inofensiva quanto estes pássaros empalhados.”

O final de Psicose é completamente inesperado e fez do filme de Hitchcock um dos maiores clássicos do cinema. Psicose trata do que há de mais aterrorizante, a natureza humana.

O livro foi inspirado na história de Ed Glein. Morador de um vilarejo, em Wisconsin, Ed entrou para a história como um dos maiores assassinos em série da história. Como o personagem de Norman, Ed era solteiro e recluso e quando seus crimes foram descobertos tinha 51 anos. Além de assassinar mulheres, Ed guardava partes de seus corpos, como lábios, narizes, cabeças e tinha até roupas com a pele de suas vítimas. Apesar de não fazer parte do processo, todos diziam que teve uma relação perturbadora com sua mãe.

"Eu acho que todos nós somos um poco loucos de vez em quando."

“Eu acho que todos nós somos um poco loucos de vez em quando.”

“A fazenda de Gein oferecia um testemunho não só sobre a insondável aptidão do ser humano para a barbárie, mas sobre a capacidade de uma comunidade inteira em negar sua existência. “Não pode acontecer aqui”, insiste a letra satírica de uma canção de Frank Zappa, Help I’m a Rock. O “aqui” em questão é o coração e a mente do ser humano.”

Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose – Stephen Rebello

Robert Bloch ficou extremamente impressionado quando a história começou a ser publicada nos jornais, mesmo não sabendo de todos os detalhes, afinal muitas coisas eram pesadas demais para serem divulgadas nos anos 50. Ele, então, começou a criar em sua mente o personagem principal de um romance. E, com o passar do tempo, o desenvolvimento de sua criação se mostrou acuradamente de acordo com a história real.

“Quando Bloch percebeu a estranha semelhança entre as revelações dos crimes verdadeiros e seu próprio romance, começou a se pegar encarando sua imagem nos espelhos e pensando sobre si mesmo. “Em outras palavras”, ruminou o escritor, “ao inventar meu personagem cheguei muito perto da personalidade real de Ed Gein. Fiquei horrorizado em pensar como eu podia imaginar tais coisas. E o resultado foi que passei os dois anos seguintes me barbeando de olhos fechados. Eu não queria me olhar no espelho.”

Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose – Stephen Rebello

Hitchcock comprou os direitos para realizar o filme. Esta decisão desagradou há muitos, desde os executivos da Paramount até os seus colaboradores mais próximos. Mas, o diretor comprou a briga e realizou o filme com um orçamento reduzido e até investindo seu próprio salário na produção. Além disso, comprou o maior número de exemplares do livro, que sua equipe conseguiu encontrar, para que o final não fosse revelado previamente e o filme perdesse o impacto.

movie

O filme supera em muito o livro. Coisa rara de acontecer! Muito bem construído e com uma tensão crescente e palpável. Possui cenas primorosas, como quando Mary está no carro, com o dinheiro, pronta para deixar a cidade e é avistada por seu chefe.

O filme e o livro são imperdíveis! Não deixem de conferir!

fly

“Eles vão ver e vão saber, e irão dizer: Por que? Ela não machucaria uma mosca…”

Books, Filmes

#Resenha: Garota Exemplar – Gillian Flynn

Follow my blog with Bloglovin

“Quando penso em minha esposa, penso sempre em sua cabeça. No formato dela, em primeiro lugar. Quando nos conhecemos, foi na parte de trás da cabeça que eu reparei, e havia algo adorável nela, em seus ângulos. (…) Eu reconheceria sua cabeça em qualquer lugar. E o que havia dentro dela. Também penso nisso: sua mente. Seu cérebro, todas aquelas espirais, e seus pensamentos disparando por essas espirais como centopeias rápidas e frenéticas. Como uma criança, eu me imagino abrindo seu crânio, desenrolando seu cérebro e vasculhando-o, tentando capturar e entender seus pensamentos. No que você está pensando, Amy? A pergunta que eu fiz com maior frequência durante nosso casamento, embora não em voz alta, não à pessoa que poderia responder. Suponho que essas indagações pairem como nuvens negras sobre todos os casamentos: No que você está pensando? Como está se sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que iremos fazer?”

amazingamy

 

A história de Garota Exemplar começa no dia do quinto aniversário de casamento de Amy e Nick Dunne. Começamos a acompanhar os pensamentos de Nick, relembrando o desenrolar dos fatos que os levou ao ponto em que estão em seu casamento. As dificuldades financeiras e um problema familiar levam Nick a decidir pela mudança de Nova Iorque para sua pequena cidade natal no Missouri…levando consigo sua esposa Amy. Esta mudança não estava nos planos de Amy e, logo, ela não escondia sua frustração.

“Eu a estava arrastando, como um homem das cavernas, para uma cidade que ela evitara agressivamente, e a obrigaria a viver no tipo de casa da qual costumava debochar. Suponho que não seja um acordo se apenas um dos dois vê dessa forma, mas nossos acordos eram sempre assim. Um de nós sempre estava com raiva. Normalmente Amy.”

"Existe uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia dessa pessoa."

“Existe uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia dessa pessoa.”

Quando, então, Nick chega em casa e a encontra revirada e sem sinais de Amy, a polícia logo passa a considerá-lo o principal suspeito. A necessidade constante que Nick sente em agradar às pessoas faz com que ele tenha reações atípicas e suspeitas no desenrolar da trama, como sorrir na coletiva de imprensa sobre sua esposa desaparecida.

Mas, será que é somente isto? Poderia Nick ser realmente culpado?

nick

A primeira parte do livro faz com que esta dúvida aumente a cada minuto. Os dias passam e as mentiras que Nick disse à polícia continuam a vir à tona. E sua descrição de Amy parece confusa e errônea quando comparadas à versão dela descrita em seu diário.

E aqui temos a primeira sacada genial do livro. Os capítulos são alternados entre Nick e Amy. Nos de Nick, acompanhamos os fatos em tempo real, desde o dia do desaparecimento de Amy e nos dela, temos a leitura de seu diário, que conta desde o início do relacionamento deles.

Enquanto a Amy que Nick descreve é rancorosa e está constantemente insatisfeita com sua relação, a Amy que nos é apresentada no diário é doce e loucamente apaixonada por seu marido, que não a compreende e desconta todas as suas frustações nela.

Qual seria a versão real? E, se Nick é inocente, por que tantas mentiras?

"O amor faz com que você queira ser um homem melhor. Mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também lhe dê permissão para que seja somente o homem que é."

“O amor faz com que você queira ser um homem melhor. Mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também lhe dê permissão para que seja somente o homem que é.”

E, finalmente, após sete dias de seu desaparecimento, finalmente conhecemos a verdade.

Toda a primeira parte é sensacional, construindo a tensão, nos aproximando dos personagens e criando grandes dúvidas. Mas a segunda parte é o ponto alto do livro.

Amy sem dúvidas é um dos personagens mais bem construídos que já tive o prazer de ler. Desde sua infância, teve que conviver com a sombra da Amy Exemplar, personagem de uma série de livros infantis que seus pais criaram para mostrar como eles esperavam que ela agisse. Ou seja, Amy sempre esteve abaixo das expectativas, sempre tendo que lutar para superar padrões inatingíveis.

“Até Nick, eu nunca me sentira como uma pessoa de verdade, porque sempre fui um produto. Amy Exemplar tinha de ser brilhante, criativa, gentil, atenciosa, esperta e feliz. Só queremos que você seja feliz. Rand e Marybeth diziam isso o tempo todo, mas nunca explicaram como. Tantas lições, oportunidades e vantagens, e eles nunca me ensinaram como ser feliz. Lembro-me de sempre ficar perplexa com as outras crianças. Eu ia para uma festa de aniversário, via as outras crianças rindo e fazendo caretas, e tentava fazer também, mas não entendia por quê. Ficava sentada ali com o elástico do chapéu de aniversário apertando meu queixo, com a cobertura granulada do bolo deixando meus dentes azuis, e tentava entender por que aquilo era divertido.”

Amy é complexa, intensa e passa longe dos estereótipos de personagens femininos a que estamos acostumados. O que torna o livro excepcional!

Se você ainda não leu Garota Exemplar, comece agora! E assista ao filme, que faz jus à obra que representa (apesar do livro ainda ser bem melhor!).

mesa-gone girl

“Não tenho mais nada a acrescentar. Só queria garantir que eu tivesse a última palavra. Acho que fiz por merecer.”

Books

#Resenha: O Leopardo – Jo Nesbø

“Øystein disse que você ficou tão machucado porque não quis desistir de jeito nenhum. Você se levantava de novo e de novo e por fim estava tão ensanguentado que os rapazes maiores ficaram com medo e deram no pé.

Olav Hole riu baixinho.

— Eu achava que não podia te dizer naquela época, seria encorajar a entrar em brigas. Mas eu me sentia tão orgulhoso que podia chorar. Você era tão corajoso, Harry. Tinha medo do escuro, mas isso não te impedia de andar na escuridão. E eu era o pai mais orgulhoso do mundo. Alguma vez te disse isso, Harry? Harry? Está aí?”

O Leopardo – Jo Nesbø

Jo Nesbø já foi jogador profissional de futebol e vocalista e guitarrista de uma banda de pop rock. Mas problemas no joelho e a decisão de deixar o ramo musical, o trouxeram para o que seria seu grande hit: escrever romances policiais.

jonesbo

O primeiro contato que tive com seus livros, foi com Boneco de Neve. Assim que li a sinopse foi impossível resistir.

 “Considerado seu livro mais ambicioso pelo jornal inglês The Guardian e comparado a Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris, pelo The Times, Boneco de neve é um livro arrepiante. No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras. O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. No caso mais desafiador da sua carreira, Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.”

O livro traz como personagem principal o detetive Harry Hole. Apesar de seu indiscutível talento, que o levou a ser escolhido para participar de um curso sobre serial killers, com o FBI, Harry está mais próximo de um problema do que de uma solução para o Departamento de Homicídios de Oslo. Além de seu temperamento difícil de controlar, Harry é alcoólatra e constantemente atormentado por casos e erros do passado. Ou seja, a personificação perfeita de um anti-herói. Mas tudo isto só torna o personagem ainda mais atraente. Charme que ele usa muitas vezes sem escrúpulos.

“Harry ouviu a formalidade na sua voz. A voz de um homem sem capacidade de perdoar, sem consideração, sem pensar em nada além das próprias metas. E aplicou a técnica de convencer invertida, com a qual tinha êxito com demasiada frequência (…).”

Em O Leopardo, a polícia se vê as voltas com um novo psicopata e precisa novamente da ajuda de Hole, que desapareceu depois da resolução do caso do Boneco de Neve. E cabe a detetive Kaja Solness encontrar Harry e trazê-lo de volta. Mas as cicatrizes deixadas pelo último caso desta vez são muito mais profundas e pessoais. Tendo perdido seus únicos pontos de equilíbrio, Hole se refugiou em Hong Kong e busca no ópio uma fonte de entorpecimento para o passado.

leopard2

A única carta na manga a ser usada pra trazê-lo de volta é a doença de seu pai. O que nos leva a alguns dos melhores trechos do livro. Em seus diálogos com o pai, podemos ter uma visão melhor da formação da personalidade de Harry.

Mas não foi somente a necessidade de capturar o assassino que levou o departamento a ir atrás de Hole. Há uma verdadeira guerra política acontecendo entre a Divisão de Homicídios e a Kripos sobre quem terá prioridade nos melhores casos e acesso aos recursos. Ou seja, não é necessário somente resolver o caso, mas resolvê-lo primeiro. E neste contexto, entra Mikael Bellman, o chefe da Kripos totalmente voltado para a ascensão social e que não tem a intenção de facilitar em nada as coisas para Harry.

A história é muito bem desenvolvida e nos prende a cada página.  E, mais uma vez, o detetive se vê muito mais próximo ao assassino do que poderia imaginar. A tensão emana em cada parágrafo.

“Prendeu a respiração para captar os ruídos. Não ouviu nada, mas notava uma presença. Como um leopardo. Alguém lhe contara que o leopardo era tão silencioso que podia esgueirar-se para pertinho da presa no escuro, e podia ajustar o fôlego para respirar no mesmo ritmo que você. Podia prender a respiração quando você prendia a sua. Ela tinha certeza de que podia sentir o calor do corpo dele. O que ele estava esperando? Ela voltou a respirar. No mesmo instante sentiu o hálito de alguém na nuca. Ela se virou, golpeou, mas acertou apenas o ar. Ela se encolheu, tentou se encolher, se esconder. Em vão. Quanto tempo havia ficado desacordada? O efeito da droga estava quase no fim. A sensação durou apenas uma fração de segundo. Mas foi o suficiente para dar-lhe o presságio, a promessa. A promessa do que estava por vir.”

Boneco de Neve e O Leopardo são, respectivamente, o sétimo e oitavo volume da série de Harry Hole. O primeiro volume, Garganta Vermelha, recebeu diversos prêmios da crítica e Boneco de Neve teve seus direitos comprados para a produção de um filme por Martin Scorsese. Os livros de Jo Nesbø trazem o que há de melhor no gênero policial e o autor virou um dos meus favoritos no gênero, junto com Stieg Larsson, da Trilogia Millenium. Aguardando ansiosa pelo filme e pelo próximo livro da série!

Martin Scorsese adquiriu os direitos para o filme de Boneco de Neve.

Martin Scorsese adquiriu os direitos para o filme de Boneco de Neve.

“I think it’s possible to learn. The problem is that we learn so damned slowly, so that by the time you’ve realized something, it’s too late.” 

Books, Séries

#Resenha: Não Sou uma Dessas – Lena Dunham

“Não tem problema mudar de ideia. Sobre um sentimento, uma pessoa, uma promessa de amor. Não posso continuar só para não me contradizer.”

Não sou uma dessas – Lena Dunham

A primeira vez que ouvi falar sobre Lena Dunham foi antes da estreia de Girls, o seriado da HBO, que foi divulgado como a nova Sex and the City. Claro que como boa fã que sou de Carrie Bradshaw, fui conferir, apesar de achar que dificilmente algo seria parecido. E realmente, não havia a menor semelhança! Apesar das duas séries apresentarem a vida de quatro amigas e Nova Iorque como plano de fundo, elas não poderiam estar mais distantes. Sex and the City foi e continua sendo uma das séries mais glamourosas já feitas e Girls nos apresentava um outro extremo, outro tempo e uma realidade tão crua, que praticamente gritava em nossa cara. Com personagens cheios de novos dilemas, uma geração que não tem nenhuma segurança financeira e ainda está longe de descobrir o que realmente quer de sua vida e como fazer isso acontecer, principalmente. Isso incomodou muita gente, talvez por ser uma verdade que ninguém quer ver estampada em uma série de TV. Mas, é daí, que vem toda a sua genialidade!

 

Celebrity Sightings In New York City - May 25, 2012

Lena é criadora, produtora e personagem principal da série. Tudo isso, em um universo tão dominado pelos homens, como os estúdios americanos, já seria um grande feito. Mas é em sua honestidade brutal e visão cruelmente realista de si mesma, que ela consegue causar um grande impacto. Principalmente, com a Hannah, personagem que interpreta. Hannah é infantil, indecisa e muitas vezes absurdamente irritante, apesar de todo o seu potencial e inteligência. E ficava a dúvida, seria ela um espelho da Lena?

A voz de uma geração!

A voz de uma geração!

Eis que surge então seu livro autobiográfico: Não sou uma dessas. E finalmente, essa dúvida seria esclarecida. Junto com muitas outras, como o que ela realmente acha que tem para contar em um livro? E, sim, Hannah e Lena são iguais. E são maravilhosas! Sua sinceridade fica ainda mais evidente em seu livro, que começa já impactante: “Tenho vinte anos e me odeio. Meu cabelo, meu rosto, o formato da minha barriga. A maneira como minha voz soa hesitante e meus poemas soam piegas”.

"As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem."

“As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem.”

Em 300 páginas, Lena discute e nos apresenta sua experiência em seções:  Amor & Sexo, Corpo, Amizade, Trabalho e Panorama. Apesar de todas serem excelentes, é quando discute sobre autoestima e percepção de si mesma que ela se torna brilhante. Lena está fora dos padrões de beleza e, apesar de nos contar com detalhes sua relação conturbada com seu peso (trazendo em uma parte até seu diário alimentar!), ela também consegue lidar com tudo isso de uma forma que poucas mulheres, consideradas lindas pelos padrões, conseguiriam. No capítulo em que fala sobre suas cenas de nudez na série e no cinema, isto fica evidente:

“Mais tarde, assistindo à gravação no laboratório de mídia de Oberlin, não me senti envergonhada. Não adorava o que via, mas também não odiava. Meu corpo era só uma ferramenta para contar uma história.”

“Os atores profissionais sempre dão respostas prontas, como “É apenas um trabalho, é muito mecânico” ou “Foi muito legal trabalhar com ele, ele é como um irmão”, mas, como ninguém nunca me acusou de ser profissional ou atriz, serei honesta. É estranho pra cacete.”

“Ficar nua é melhor em alguns dias do que em outros. (…) Mas faço isso porque o meu chefe manda. E o meu chefe sou eu. Quando se está nua, é bom estar no controle.”

"Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer."

“Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer.”

Ela não é 100% segura de si mesma ou de sua aparência e nem precisa ser. Afinal de contas, quem escolhe o que é ser bonito? E quem disse que isso é o que mais importa?

O livro é honesto, sensível e, só de escrever sobre ele, já tenho vontade de ler de novo! A edição também é linda e cheia de ilustrações. Vale a pena, mesmo que você não goste de Girls ou da Lena. Este livro pode te fazer mudar de opinião!

Meu quote favorito:

ilustracao

 

Para finalizar, vi esta declaração da Mindy Kaling sobre ser sempre questionada por ser confiante e achei tão incrível que poderia ter um post só para ela, mas coloco aqui porque me remete aos mesmos sentimentos que tive ao ler este livro.

mindy-kaling-quote-confidence-beauty-redefined-e1383489207674

 

Books, Books #Friday3thBooks

#Friday13thBooks – Helter Skelter e Manson

Fato 1: Muito amor por 6º feiras 13! Filmes de terror passando na TV e climão!!!

Fato 2: A história dos assassinatos Tate-LaBianca é muito impressionante e Helter Skelter é um livro sensacional!

Conclusão: Dia perfeito para iniciar o blog!

“When I get to the bottom I go back to the top of the slide 
Where I stop and I turn and I go for a ride
Till I get to the bottom and I see you again. 

                                                                Helter Skelter – Beatles

 2015-02-13 13.14

Ano passado, assistindo ao canal da Tati Feltrin, descobri o livro Helter Skelter, escrito pelo promotor dos casos Tate-LaBianca Vincent Bugliosi, em parceria com Curty Gentry. O livro já me chamou a atenção de cara por ser escrito por alguém que realmente presenciou todo o desenrolar do caso, que teve acesso a todas as evidências e contato com todos os envolvidos.

Sobre o caso:

Na noite de 9 de agosto de 1969, Sharon Tate, esposa de Roman Polanski, e outras quatro pessoas – Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski e Steven Parent – foram assassinadas na casa da atriz na Cielo Drive. O caso teve enorme repercussão, principalmente devido a notoriedade das vítimas, como Sharon, que estava grávida de 8,5 meses, Jay Sebring, cabelereiro das principais estrelas de Hollywood e Abigail Folger, herdeira do Café Folger, e também pelos aspectos macabros da cena do crime, com muitas características ritualísticas e crueldade inacreditável.

Sharon Tate

Sharon Tate

Mas, a história não termina por aí e a população Los Angeles assiste chocada a notícia de que outro assassinato havia acontecido na noite do dia 10 de agosto. Desta vez, as vítimas são um casal de classe média alta, Leno e Rosemary LaBianca. Mortos em sua casa, na Waverly Street. Outra cena bizarra! Mas, desta vez, a proximidade destas vítimas, pessoas comuns, traz um medo ainda maior à população. Ninguém estava seguro!

Sharon Tate, Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, Steven Parent, Rosemary e Leno LaBianca.

Sharon Tate, Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, Steven Parent, Rosemary e Leno LaBianca.

A investigação toda teve grandes impasses. Durante meses, os casos não foram conectados, apesar de terem elementos absolutamente semelhantes, como as palavras escritas com o sangue das vítimas nas paredes. Provas foram corrompidas e evidências, como a arma do crime, levaram meses para serem encontradas, por falta de comunicação entre os departamentos. Somente em novembro, o caso começaria a ser desvendado. Entram em cena, então, a Família Manson e seu guru, Charles Manson – um dos personagens mais bizarros e populares da história.

Charles Manson

Charles Manson

O caso causou uma comoção sem igual! Jovens “hippies”, normais e bonitos, que poderiam ser seus vizinhos, boys and girls next door, completamente controlados por um mentor, ao ponto de matar pessoas completamente desconhecidas e sem apresentar nenhum pingo de remorso, inclusive dispostos a levar toda a culpa por ele. O poder de Charles Manson vai muito além disso. Performances intensas no tribunal, seguidores fiéis, que acampam em frente ao tribunal em protesto, entrevistas na Rolling Stones, uma filosofia baseada em músicas dos Beatles e Apocalipse – elementos que o fazem virar um ícone cultural, com centenas de jovens se identificando e até mesmo abandonando tudo para virar parte da Família.

Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten.

Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Leslie Van Houten.

O livro é sensacional, Bugliosi nos leva através da história, primeiro pela investigação da polícia e depois seguindo todos os seus passos ao ser chamado para ser o promotor do caso. Temos acesso a provas que não foram admissíveis no julgamento, dezenas de depoimentos e casos provavelmente interligados. O julgamento em si, desde a luta para provar uma teoria tão inacreditável sobre o motivo dos assassinatos, como condenar Charles, sendo que ele não estava presente enquanto os crimes foram cometidos, as ameaças da família e as mortes durante o julgamento, são impressionantes. São quase 700 páginas, mas passa em um minuto.

2015-02-13 13.13

 

A biografia de Charles Manson – Manson, de Jeff Gunn, publicada pela Darkside Books, nos leva a fundo em sua vida, desde a história conturbada de sua mãe, seus traumas de infância, até suas diversas passagens por reformatórios e prisões. Tudo isto, nos mostra melhor, como ele desenvolveu um poder de persuasão tão grande. Quais suas influências, suas motivações, suas ambições tão grandes e despedaçadas. Mas, nada que justifique suas ações! O livro traz uma descrição incrível da sociedade na época. Todos os eventos e tensões sociais que a permeavam e como tudo isso criou um ambiente perfeito para um homem com suas habilidades de convencimento. Como o próprio autor diz: “Charles Manson sempre foi o homem errado no lugar certo e na hora certa”. O capítulo Berkeley e o Haight já valeriam a leitura toda. Diferente de Helter Skelter, Manson conta a história de maneira linear e não se preocupa em ser ater somente aos fatos devidamente comprovados, como, por exemplo, a parte em que menciona que Charles teria ido à casa de Sharon Tate, depois do crime, durante a madrugada, para organizar como ele queria. Um fato que não tem testemunhas oculares, nem evidências físicas. Mas que faz sentido!

 MANSON

Fica a sugestão de dois livros excepcionais sobre uma história tão assustadora, com personagens tão notórios, que não envelhece jamais!

Nota do blog:

  • Helter Skelter – 05/05
  • Manson – 04/05

tumblr_n5ma9hITJd1tpppzvo1_1280

P.S.: Assistam ao filme Helter Skelter (2004), dirigido por John Gray. Sensacional! Susan Atkins do filme me mata de medo!!!! O documentário The Manson Women também vale muito a pena!

Manson Family

Manson Family

best rv shower head