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Concluindo: Abril/15

Oi, gente! Mais um mês acabou e vamos para a conclusão!!!

O Iluminado – Stephen King

Primeira leitura do mês. Mas, na verdade, uma releitura. Como iria ler Doutor Sono, que é a continuação, decidi ler novamente. E foi incrível novamente. Um dos melhores livros da vida e o favorito até o momento do Stephen King.

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Doutor Sono – Stephen King

A história de Doutor Sono começa com Danny e Wendy Torrance depois de escaparem do Overlook e se mudarem para o outro lado do país. Mas o mal que se encontrava no hotel não irá deixa-los totalmente Dick mostra a Danny como contê-lo. Já adulto, Danny, luta para esquecer e acaba com o mesmo vício de seu pai. Em seu processo para mudar de vida, irá conhecer uma menina, Abra Stone, com grandes poderes e que acaba entrando no caminho de criaturas muito perigosas e Danny terá que ajudá-la a enfrentá-los. O livro é bom, mas talvez pelas expectativas que criei, por ser continuação de O Iluminado, não gostei tanto. Esperava que trouxesse um pouco mais de medo, já que O Iluminado consegue te deixar arrepiado do começo ao fim, mas isso não acontece. Mas a história é muito bem desenvolvida e entrar em contato com os personagens novamente é maravilhoso.

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Belo Desastre – Jamie McGuire

Não esperava nada grandioso deste livro, afinal de contas era pra ser um romance água com açúcar. Nada de errado com isso. Às vezes, tudo que você precisa de um livro divertido e com personagens que você goste. Mas, nossa, este é provavelmente o pior livro que já li. E já li muita coisa. Odiei tudo, os personagens, a história. Só o apelido da personagem principal já me tirava totalmente a vontade de ler. Segue a sinopse:

“A nova Abby Abernathy é uma boa garota. Ela não bebe nem fala palavrão, e tem a quantidade apropriada de cardigãs no guarda-roupa. Abby acredita que seu passado sombrio está bem distante, mas, quando se muda para uma nova cidade com America, sua melhor amiga, para cursar a faculdade, seu recomeço é rapidamente ameaçado pelo bad boy da universidade. Travis Maddox, com seu abdômen definido e seus braços tatuados, é exatamente o que Abby precisa – e deseja – evitar. Ele passa as noites ganhando dinheiro em um clube da luta e os dias seduzindo as garotas da faculdade. Intrigado com a resistência de Abby ao seu charme, Travis a atrai com uma aposta. Se ele perder, terá que ficar sem sexo por um mês. Se ela perder, deverá morar no apartamento de Travis pelo mesmo período. Qualquer que seja o resultado da aposta, Travis nem imagina que finalmente encontrou uma adversária à altura.”

Abby é completamente mimada e acha que é superior a todos em sua volta. Está atraída por Travis, mas o provoca o tempo inteiro, saindo com caras que ela acha que tem mais a oferecer para ela, especialmente dinheiro. Travis é completamente descontrolado, ciumento e carente, em um nível doentio. A vida deles é completamente impensada e beira ao ridículo. Péssimo! E passa uma ideia completamente bizarra de como um relacionamento deve ser para as adolescentes influenciáveis que são seu público-alvo.

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Agora vamos aos filmes assistidos em abril:

O Labirinto de Kubrick – Room 237 – Rodney Ascher

Sinopse: Em 1980, Stanley Kubrick lançava O Iluminado, hoje considerado um dos maiores clássicos do cinema de horror. Desde então, muitas teorias surgiram na tentativa de interpretar significados escondidos no filme. Estudiosos e fãs obsessivos expõem suas teorias em torno dessas mensagens subliminares. Especulações envolvendo o holocausto, o genocídio de povos indígenas e até conspirações governamentais são cuidadosamente analisadas neste documentário.

Como fã de O Iluminado e de Stanley Kubrick não tem como dizer que não gostei. Mas achei muito viajado na maior parte das teorias. Não consegui comprar esta ideia de que cada objeto cenográfico e figurante tinha uma mensagem oculta. Mas o documentário é bem construído e se você gosta demais do filme e do Kubrick, vale muito a pena.

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Velozes e Furiosos 7 – James Wan

Sinopse: Após os acontecimentos em Londres, Dom (Vin Diesel), Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Ian Shaw (Jason Statham), um assassino profissional, quer vingança pelo acidente de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão. Mas dessa vez, não é só sobre ser veloz. A luta é pela sobrevivência.

Valeu pela despedida do Paul Walker. O filme faz muito bem o que se propõe, que é entreter. Lógico que você espera de Velozes e Furiosos cenas impossíveis, mas este eleva isto a um nível Jedi. Na maior parte do filme, fiquei pensando: eles não vão fazer isto. Mas eles faziam. Mesmo assim, muito divertido.

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Home Sweet Hell – Anthony Burns

Sinopse: Um homem de negócios bem-sucedido é casado com uma mulher bipolar, sofrendo de transtorno obsessivo compulsivo. O casamento dos dois é abalado quando ele começa a conviver com uma atraente colega de trabalho.

Comecei a assistir o filme com um pé atrás, por causa da Katherine Heigl. Não acho a atuação dela boa, na maioria das vezes, mas adorei neste filme. O TOC, a obsessão com perfeição. Achei sensacional. Adorei!

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O Morro dos Ventos Uivantes – Andrea Arnold

Sinopse: Nova adaptação do romance clássico escrito por Emily Brontë, mostra a história de duas gerações das famílias Earnshaw e Linton, enquanto suas fortunas se entrelaçam numa complexa trama, dominada pelo ardente relacionamento entre dois amantes amaldiçoados, Heathcliff e Cathy. Heathcliff é um jovem adotado por uma rica família na Inglaterra. Com o tempo, ele nutre uma obsessão por Catherine Earnshaw, sua irmã adotiva. Quando descobre que ela irá se casar com Edgar Lindon, Heathcliff resolve fugir para fazer fortuna, para que no futuro possa retornar e conquistá-la.

Assim que terminei de escrever a resenha de O Morro dos Ventos Uivantes decidi assistir ao filme. Esta é uma das adaptações cinematográficas do livro. Não é a mais conhecida. A fotografia é maravilhosa, as escolhas de closes que a diretora faz são sensacionais e dão a impressão de estar no lugar das personagens. Mas a escolha do final me decepcionou muito, como fã da estória.

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O Garoto da Casa ao Lado – Rob Cohen

Sinopse: Uma mulher divorciada (Jennifer Lopez) se envolve romanticamente com o vizinho adolescente (Ryan Guzman) e o relacionamento gera consequências inimagináveis quando o rapaz se mostra obcecado e inconsequente.

Shame on me por assistir um filme com a Jennifer Lopez. Mas queria um filme só para me divertir. Só que não consegui isto, fiquei o tempo inteiro agoniada, pensando em como era ruim.

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Interestelar – Christopher Nolan

Sinopse: Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.

Sensacional! Não tem outra maneira de descrever. Melhor filme do gênero que já assisti. Fotografia impecável e a história realmente te envolve, você realmente se importa com os personagens. Matthew McConaughey estava maravilhoso e ainda tem a Jessica Chastain, que adoro desde Histórias Cruzadas.

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Cake – Uma Razão para Viver – Daniel Barnz

Sinopse: Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand, Jenkins e Doyle, ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.

Desde que ouvi sobre este filme, fiquei louca para assistir. E realmente é maravilhoso. Jennifer Aniston está maravilhosa. Pra todos que diziam que em todos os seus papéis ela era a Rachel, um grande tapa na cara. Injustiça não ter sido indicada ao Oscar.

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E agora vem a seção Marvel do mês. Assisti Vingadores: Era de Ultron e resolvi fazer uma maratona dos filmes já lançados.

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Vingadores: Era de Ultron – Joss Whedon

Sinopse: Quando Tony Stark tenta reiniciar um programa de manutenção de paz, as coisas não dão certo e os super-heróis mais poderosos da Terra, incluindo Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro, terão que passar no teste definitivo para salvar o planeta. Com o aparecimento do vilão Ultron, a equipe dos Vingadores tem a missão de neutralizar seus terríveis planos.

Amei o filme! Pode não ser o melhor da Marvel, mas com a reunião de tantos personagens maravilhosos, não tem como você não curtir demais. Vi uma resenha excepcional que diz que o filme atende às expectativas dos fãs, mas não as ultrapassa. O que realmente é um problema. Mas gostei demais do modo como alguns personagens cresceram, principalmente Gavião Arqueiro e Thor. Viúva Negra maravilhosa como sempre e vê-la com Hulk, meu outro personagem favorito, não tem preço. E temos a que provavelmente será minha personagem favorita futuramente: Feiticeira Escarlate. Sensacional!

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Capitão América 2: O Soldado Invernal – Anthony Russo e Joe Russo

Sinopse: Após os cataclísmicos eventos em Nova York, Steve Rogers, também conhecido como Capitão América, vive tranquilamente em Washington, DC e tentando se ajustar ao mundo moderno. Mas quando um colega da S.H.I.E.L.D. é atacado, Steve se vê preso em uma rede de intrigas que ameaça colocar o mundo em risco. Unindo forças com a Viúva Negra, o Capitão América luta para expor a grande conspiração enquanto enfrenta assassinos profissionais enviados para silenciá-lo a todo momento. Quando a dimensão da trama maligna é revelada, o Capitão América e a Viúva Negra pedem ajuda a um novo aliado, o Falcão. Contudo, eles logo se veem enfrentando um inimigo formidável e inesperado – o Soldado Invernal.

Depois de assistir ao primeiro filme, Capitão América era um dos personagens que menos gostava. Mas que surpresa com Soldado Invernal, amei do início ao fim e Steve Rogers passou a ser um dos meus favoritos!

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Thor – Kenneth Branagh

Sinopse: Quando é banido do reino de Asgard e exilado na Terra, o arrogante guerreiro Thor (Chris Hemsworth) é obrigado a lutar para reaver seus poderes perdidos. Perseguido pela força invasora enviada para destruí-lo, o desventurado Deus do Trovão tem que enfrentar a batalha e descobrir o que é preciso para se tornar um verdadeiro herói.

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Thor: O Mundo Sombrio – Alan Taylor

Sinopse: Mundos colidem quando um poderoso inimigo antigo ameaça mergulhar o cosmos na escuridão eterna. Agora, reunido com Jane Foster (Natalie Portman), e forçado a forjar uma aliança com seu traiçoeiro irmão Loki (Tom Hiddleston), Thor (Chris Hemsworth) embarca em uma perigosa jornada pessoal para salvar a Terra e Asgard da destruição.

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Thor era um personagem que passava meio despercebido para mim. Foi só quando o vi em Era de Ultron, que resolvi assistir aos filmes solo do personagem e gostei demais. A personalidade dele ainda está sendo moldada, mas o crescimento é impressionante. Asgard é um show a parte, melhor fotografia da Marvel. Queria ter visto em 3D. E tem Natalie Portman! E Loki, melhor vilão! Amo demais!

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#Resenha: Como ter uma vida normal sendo louca – Camila Fremder e Jana Rosa

Mais uma resenha atrasada no blog! Abril não está sendo fácil, minha gente. Mas, vamos que vamos! O livro desta semana é um dos mais divertidos que já li, junto com O Diário de Bridget Jones e acabou me lembrando muito dele. Como ter uma vida normal sendo louca, escrito pelas maravilhosas Camila Fremder e Jana Rosa, tem como subtítulo: Dicas para lidar com as diversidades e situações do universo feminino. Mas é muito mais que isso. Ele trata com humor de qualidade todas as pequenas loucuras femininas de nosso dia a dia. Afinal de contas, de perto ninguém é normal.

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Dá uma olhadinha na sinopse:

“Em Como ter uma vida normal sendo louca: a autoajuda definitiva para todas as mulheres, de todas as idades e em todas as situações, Camila Fremder e Jana Rosa presenteiam as leitoras com dicas sobre as mais diversas situações do dia a dia, desde como se livrar de pessoas chatas em aviões, parecer intelectual, mesmo sem ser, até como dizer a um amigo que ele fede. Além disso, ainda ensina como se comportar na festa do encontro da turma da escola depois de muitos anos passados da formatura. O livro é interessante da primeira à última página e apresenta uma visão muito bem humorada de situações que poderiam constranger qualquer pessoa. O prefácio é de Gloria Kalil.”

Camila Fremder e Jana Rosa

Camila Fremder e Jana Rosa

Tem como não amar?

Quando falo que lembrei de O Diário de Bridget Jones é porque enxergo ela em todas as situações que o livro aborda. Certeza que seria seu novo livro de cabeceira! Mas não vejo só a Bridget nas páginas, vejo a mim e a todas as mulheres que conheço. Todas as situações mais complicadas e hilárias pelas quais passamos e só confessamos para nossos melhores amigos!

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O livro é dividido em vários ensinamentos. A primeira parte é Respeito, Sucesso e Superação, que aborda desde como ser solteira e ser respeitada pela sociedade (Difícil! Muito difícil!), até como seguir a vida após ser taggeada em uma foto feia com muitos likes e comentários. A segunda parte é Amor e relacionamentos. Ri demais com o capítulo: Manual do Psicopata Romântico. Quem nunca teve um desse na vida? E me diverti ao mesmo tempo em que me assustei com os capítulos 7 e 8: o fantasma da ex e o fantasma da próxima. Ninguém entra tão fundo na vida de stalker como nós, mulheres apaixonadas. Ótimo saber que não estamos sozinhas, todos passam por essa fase um dia. A terceira parte, Saúde e Bem-estar, traz o guia da tatuagem errada e dicas preciosas sobre como viver acima do peso sem que ninguém perceba. Na quarta, Vida Profissional e Finanças, elas te ensinam o que fazer se você já passou dos 28 e ainda não se encontrou e como viver no cheque especial. E por último, a quinta parte, Influenciando Pessoas, com o imperdível A mentira nas redes sociais.

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Mais real e identificação imediata, impossível! Todo meu amor por este livro!!!

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“Um livro para todas as loucas normais que levam uma vida como qualquer outra pessoa… Vivendo, estudando, trabalhando, seguindo seus ex agachadas no táxi e forjando acidentes em frente à casa deles, dizendo que foi coincidência e pedindo pra voltar.”
Tatá Werneck

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#Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

Que semana corrida, gente! Mas, mesmo com atraso, hoje a resenha do blog é muito especial! Decidi falar sobre O Morro dos Ventos Uivantes, único romance escrito por Emily Brontë. O livro foi lançado em 1847 e é considerado, hoje, como um clássico da literatura. Li, pela primeira vez, quando tinha uns 11 anos de idade e nossa, mudou totalmente minha percepção quanto à leitura. Até então tudo que havia lido era agradável, com mocinhos e mocinhas como personagens principais. E com O Morro dos Ventos Uivantes tudo mudou. Percebi que a literatura pode e deve lhe trazer questionamentos e sentimentos conflitantes. A maioria das pessoas da minha geração irá dizer que foi Harry Potter que despertou o gosto pela leitura deles. Pra mim, foi O Morro dos Ventos Uivantes.

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Há alguns anos atrás no auge de Crepúsculo, o livro de Emily Brontë, antes desconhecido para a maioria, virou febre, pois aparecia como um dos livros favoritos da Bella. Qual não deve ter sido a surpresa da maioria das pessoas quando leram a obra.

Apesar de contar a história de um amor que chega a ser mais forte que a morte, O Morro dos Ventos Uivantes é principalmente sobre vingança. A história começa quando o Sr. Lockwood aluga uma propriedade no campo, Thrushcross Grange. Um dia ele resolve fazer uma visita a seu locatário, que é praticamente seu vizinho, Heathcliff, que mora na propriedade Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes). A personalidade de Heathcliff, assustadora e infinitamente interessante logo chama a atenção de Lockwood, assim como todos os habitantes daquele estranho lugar. Paira no ar uma aura de ressentimento e ódio velado em todos eles. Lockwood fica preso lá por causa do mau tempo e tem sonhos perturbadores. Ao voltar para Thrushcross Grange, fica doente e tem que passar os dias confinado em seu quarto. É neste momento que se vê somente na companhia de sua governanta, Ellen Dean, que desde pequena morou em Wuthering Heights e conhece toda a história da família.

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Heathcliff possui uma história misteriosa. Foi trazido ainda pequeno pelo Sr. Earnshaw, antigo proprietário do Morro, de uma de suas longas viagens. Sua história antes disso é um grande ponto de interrogação. O carinho que o Sr. Earnshaw tinha para com o menino desagrada profundamente sua esposa e seu filho Hindley. Mas sua filha Catherine logo se aproxima do menino, que possui verdadeira adoração por ela. Quando os pais morrem, Hindley já bem mais velho e casado, assume a propriedade e passa a utilizar todos os meios para humilhar e maltratar Heathcliff. Cathy apesar de amá-lo, sabe que terá um futuro melhor se casando com outra pessoa. Seu vizinho, Edgar Linton, por exemplo, que é rico, bonito e a venera.

Cathy é uma personagem extremamente egoísta e impulsiva. Jamais permite que suas vontades sejam contrariadas. Mas realmente ama Heathcliff. Ama, como ela mesma diz, como ama a si mesma.

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“— Não é, não — retrucou ela. — É o melhor! Os outros representam a satisfação dos meus caprichos e do desejo de Edgar. Mas este é em intenção de alguém que compreende, no seu próprio ser, os meus sentimentos para com Edgar e para comigo mesma. Não sei expressar-me bem; mas, sem dúvida, você e todo o mundo têm noção de que há ou deverá haver uma existência para além de nos. Qual seria o sentido de eu ter sido criada, se estivesse contida apenas em mim mesma? Os grandes desgostos que tive foram os desgostos de Heathcliff, e eu senti cada um deles desde o início: o que me faz viver é ele. Se tudo o mais acabasse e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, eu não me sentiria mais parte do universo. Meu amor por Linton é como a folhagem de um bosque: o tempo o transformará, tenho a certeza, da mesma forma que o inverno transforma o arvoredo. O meu amor por Heathcliff lembra as rochas eternas: proporciona uma alegria pouco visível, mas é necessário. Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre, mas sempre, no meu pensamento; não como uma fonte de satisfação, que eu também não sou para mim mesma, mas como eu própria. Por isso, não torne a falar da nossa separação: ela é impossível e. . .”

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Quando Cathy decide se casar, Heathcliff vai embora sem dizer uma palavra a ninguém. Anos depois retorna e começa uma vingança contra todos os que os separaram. Uma história sobre como o amor pode ser violento e a vingança ultrapassar todos os limites.

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Heathcliff e Catherine são dois grandes anti-heróis. Cheios de defeitos e muitas vezes cruéis. Mas é impossível não se apaixonar por eles.

“Eu amo o meu assassino… Mas o teu! Como o poderia eu perdoar?”

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#Resenha: Extraordinário – R.J. Palacio

À primeira vista, você poderia imaginar que Extraordinário é um livro infantil. Mas, apesar de em minha opinião, ser um livro que deveria ser obrigatório nas escolas, é muito mais que isso. É um livro para todas as idades e o mais importante que lhe ensinará grandes coisas.

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Extraordinário conta a história de August Pullman, um menino de dez anos, que nasceu com uma rara síndrome genética, que resultou em deformidade facial. Desde bebê passou por 27 cirurgias e foi educado em casa.

“Médicos vieram de cidades distantes só para me ver, parados ao lado da minha cama sem acreditar. Dizem que só posso ser uma das maravilhas da Criação, e até onde veem não conseguem explicar.”

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Sua mãe acredita que seria bom para ele começar a frequentar uma escola normal e conviver com outras crianças. Mas seu pai tem muito medo de como ele será tratado. Todos sabem como as pessoas e especialmente as crianças podem ser cruéis, sem pensar. Auggie também fica com medo no começo, mas depois de conhecer alguns alunos da nova escola, decide tentar.

“A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma.”

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E todo o aprendizado de Auggie e de seus colegas vai entrar e permanecer no coração dos leitores para sempre. O livro mostra o ponto de vista de vários personagens: Auggie, sua irmã, Via, seu amigo da escola, Jack e vários outros personagens. Isto é muito bom, pois mostra como é difícil para as pessoas que convivem com alguém tão diferente e com o preconceito dos que estão em volta.

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“Se forem apenas um pouco mais gentis que o necessário, alguém, em algum lugar, algum dia, poderá reconhecer em vocês, em cada um de vocês, a face de Deus.”

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“Não precisamos dos olhos para amar, certo? Apenas sentimos dentro de nós.”

“A grandeza não está em ser forte, mas no uso correto da força.”

Meu conselho é: leia! Acompanhar a jornada de August vai ser inesquecível e você aprenderá muito mais do que pode imaginar!

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#Resenha: Zodíaco – Robert Graysmith

O Zodíaco é considerado um dos mais conhecidos serial killers da história e só perde em mistério para o Jack, o Estripador. Sua verdadeira identidade jamais foi revelada e ele passou vários anos aterrorizando a população da Califórnia.  Há um detalhe que aumenta ainda mais sua popularidade: ele escrevia cartas para os jornais locais, com enigmas em que dizia estar revelada sua identidade.

Retrato falado do Zodíaco

Em 20 de dezembro de 1968, David Faraday e Bety Lou Jensen estacionaram em frente à estação de bombeamento do lago Herman, em Vallejo, um lugar conhecido pelos casais de namorados da região. Outro carro parou perto deles e um homem corpulento desceu e se aproximou. Evidências afirmam que ele tentou fazer com que os jovens saíssem do carro. Como eles se recusaram, ele atirou no vidro traseiro e no pneu. Quando eles tentaram sair pelo lado do passageiro, o homem atirou em David, deixando-o inconsciente. Bety Lou tentou correr, mas foi atingida e caiu morta há 23 metros de distância. David ainda estava vivo quando a polícia chegou ao local, mas morreu no caminho para o hospital.

David Faraday e Bety Lou Jensen

David Faraday e Bety Lou Jensen

No feriado de 04 de julho de 1969, Darlene Ferrin saiu de carro com seu amigo Mike Mageau. Logo após saírem da casa de Mike, ele percebeu que estavam sendo seguidos por um carro de cor clara. Darlene tentou fazer várias conversões para se livrar de seu perseguidor, mas estava sendo conduzida para os arredores da cidade. Quando finalmente estacionaram, o carro parou quase emparelhado ao deles. Mike perguntou se Darlene conhecia o motorista e ela disse para ele não se preocupar. Pouco tempo depois, eles respiraram aliviados quando o carro partiu. Mas a alegria durou pouco e cinco minutos depois, o carro estacionou novamente ao lado deles. Uma luz ofuscante foi lançada contra o carro deles e pouco depois os disparos começaram. Darlene foi atingida nove vezes e morreu. Mike ficou muito ferido, com tiros no braço, perna esquerda, pescoço e face, mas sobreviveu. Naquela mesma noite, a delegacia de Vallejo receberia uma ligação perturbadora:

“Darlene tinha chegado morta ao hospital à 0h38. Exatamente à 0h40, de um telefone público, um homem ligou para a delegacia de Vallejo, por meio de uma telefonista. Nancy Slover, operadora da central telefônica da polícia, atendeu. – Quero informar um duplo assassinato — o homem falou. A voz dele não enfatizava as palavras, e pareceu a Nancy que o homem estava lendo o que dizia. Ou que tinha ensaiado aquilo. – Se vocês andarem 1 quilômetro e meio para leste, na Columbus Parkway, em direção ao parque público, vão encontrar jovens em um carro marrom. A voz do desconhecido era firme e consistente, clara, mas imperativa. Nancy tentou interrompê-lo, para obter maiores informações, mas o homem falava alto, encobrindo a voz dela. Para Nancy, a voz parecia ser a de um adulto. Ele não parou de falar até que terminasse de dar sua declaração. – Eles foram mortos com uma Luger 9 mm. Eu também matei aqueles garotos no ano passado. — Adeus. Quando o homem disse “adeus”, sua voz ficou mais profunda e ameaçadora. Nancy ouviu o som do telefone sendo colocado no gancho e ficou escutando o ruído da linha telefônica.”

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Darlene Ferrin

Pouco tempo depois, chegou uma carta ao jornal São Francisco Chronicle.

“O envelope que chegou ao São Francisco Chronicle apresentava um carimbo do correio de São Francisco e tinha dois selos de 6 centavos, com a efígie de Roosevelt, colocados verticalmente um acima do outro. A carta contida nele, escrita em letras miúdas e espremidas, que descambava para a direita ao chegar perto do pé da página, era fria e ameaçadora. Junto da carta, havia a terça parte de um criptograma impresso com perfeição, composto de símbolos estranhos. Era uma carta endereçada ao editor. Nela, o autor assumia a responsabilidade pelas mortes de David, Betty Lou e Darlene.”

Robert Graysmith, autor de Zodíaco, trabalhava na redação do Chronicle, como cartunista. Quando a primeira carta chegou, ficou completamente fascinado.

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“Isso rondava no fundo da minha mente enquanto eu olhava o pequeno texto da carta. Fui tomado por várias emoções, mas principalmente senti profunda raiva diante da frieza, arrogância e insanidade do assassino. Como chargista da página de opinião, desenvolve-se um forte senso de justiça, uma necessidade de mudar as coisas, e, como pintor e cartunista, eu trabalhava com símbolos todos os dias. As ferramentas daminha profissão estavam sendo deturpadas e apropriadas por um assassino. Por volta dessa época, nenhum assassino desde Jack, o Estripador, escrevera à imprensa e zombara da polícia com pistas sobre a sua identidade. A estranheza da carta me enredou. Irrevogavelmente fisgado, imediatamente obcecado, eu queria solucionar o que sentia que iria se tomar um dos maiores mistérios da história.”

A carta continha um enigma que era formado por três partes. Cada uma delas havia sido enviada para um jornal diferente: Chronicle, São Francisco Examiner e Vallejo Times-Herald. O assassino dizia na carta, que no código estava sua verdadeira identidade. Apesar de todos os esforços da polícia, a solução do enigma veio de um casal que resolveu tentar resolver o criptograma: Donald Gene Harden, 41 anos, professor de história e economia e sua esposa, Betty June Harden. Mas o nome do assassino, é claro, não estava nele.

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Este foi o início de uma relação estreita entre o Zodíaco e os meios de comunicação, que se estendeu até 1974. Há seis casos confirmados de vítimas do Zodíaco, mas em suas cartas ele dizia haver muito mais.

Robert tornou-se obcecado pelo caso. Ele conta que o fascínio inicial era pelos símbolos enviados pelo assassino, mas logo se viu determinado a ajudar a desvendar as pistas deixadas por ele e revelar sua verdadeira identidade. O livro que escreveu no processo é incrivelmente bem detalhado, principalmente levando em conta os muitos suspeitos, jurisdições diferentes em que os crimes ocorreram e vítimas sobreviventes e testemunhas que decidiram desaparecer. Pela primeira vez, temos um olhar completo sobre a história, inclusive com as cartas completas enviadas aos jornais, que não foram publicadas na íntegra.

Uma história intrigante, que você não consegue largar até chegar à última página. De tirar o fôlego!

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O livro teve sua adaptação para o cinema, com Jake Gyllenhaalal, maravilhoso no papel de Robert. O filme explora um pouco mais sobre a vida pessoal do cartunista e como sua obsessão acabou com seu casamento e o levou a estar perigosamente próximo da verdade. Imperdível!

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#Resenha: O Iluminado – Stephen King

“Era também nesse apartamento que se achava, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano. Seu pêndulo oscilava de um lado para o outro com um bater surdo, pesado, monótono; quando o ponteiro dos minutos completava o circuito do mostrador e o relógio ia dar as horas, de seus pulmões de bronze brotava um som claro, alto, grave e extremamente musical, mas em tom tão enfático e peculiar que, ao final de cada hora, os músicos da orquestra se viam obrigados a interromper momentaneamente a apresentação para escutar-lhe o som; com isso os dançarinos forçosamente tinham de parar as evoluções da valsa e, por um breve instante, todo o alegre grupo mostrava-se perturbado; enquanto ainda soavam os carrilhões do relógio, observava-se que os mais frívolos empalideciam e os mais velhos e serenos passavam a mão pela teste, como se estivessem num confuso devaneio ou meditação. Mas, assim que os ecos desapareciam interiormente, risinhos levianos logo se riam do próprio nervosismo e insensatez e, em sussurros, diziam uns aos outros que o próximo soar de horas não produziria neles a mesma emoção; mas, após um lapso de sessenta minutos (que abrangem três mil e seiscentos segundos do tempo que voa), quando o relógio dava novamente as horas, acontecia a mesma perturbação e idênticos tremores e gestos de meditação de antes.”

A Máscara da Morte Rubra – Edgar Allan Poe

Com O Iluminado, fiz o caminho inverso: assisti primeiro e só li depois de um bom tempo. O filme se tornou o meu preferido de terror, sem sombra de dúvidas. Mas logo descobri que Stephen King odiou a adaptação para o cinema de Stanley Kubrick. Portanto, cheguei até a pensar, que quando lesse, continuaria a preferir o filme. Mas, na verdade, adorei o livro! Cheguei à conclusão de que os dois são brilhantes, mesmo tendo diferenças significativas, sim, entre si.

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Terminei a releitura de O Iluminado ontem à noite. Havia lido pela primeira vez há uns cinco anos e pensei: bem, desta vez vai ser mais tranquilo. Ledo engano, meus caros! O livro conseguiu, novamente, me gelar até os ossos. Ler Stephen King é uma verdadeira experiência. Ele consegue te transportar inteiramente para uma situação. Você realmente entra na mente dos personagens e a tensão vai aumentando de uma forma, que se torna praticamente insuportável no final.

O Iluminado conta a história da família Torrance: Jack, Wendy e seu filho Danny. Danny nasceu com o rosto envolvido no saco amniótico e sua mãe nunca se esqueceu disso, dizem que crianças assim possuem sexto sentido. Desde pequeno, ele sempre parecia saber o que seus pais estavam pensando, onde coisas perdidas estavam e tinha um amigo imaginário: Tony, que lhe mostrava coisas que iriam acontecer.

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Jack era um aspirante a escritor e professor de uma famosa escola preparatória. Mas tem um grave problema: o alcoolismo. Em uma noite especialmente terrível, quebra o braço de Danny, ao ver que ele derramou cerveja na peça que estava escrevendo. Depois de um terrível acidente, fica sóbrio. Mas sua luta é um verdadeiro inferno e um dia, mesmo sóbrio, acaba agredindo um aluno e perde seu emprego.

A situação da família deteriora rapidamente e ele se vê com uma última oportunidade para recuperar seu casamento e sua carreira. Um amigo lhe oferece um emprego como zelador do hotel Overlook, no Colorado. O Overlook foi construído entre 1907 e 1909 e mudou várias vezes de dono, durante os anos. Apesar de imenso e de ter uma história muito conhecida e por vezes muito infame, pela primeira vez o hotel passou a dar lucro. Isto porque, antes da administração atual, o hotel ficava isolado no inverno, sem ninguém que cuidasse do lugar, o que causava muitos danos devido às baixas temperaturas. Por isso, foi criado o cargo de zelador para o inverno. Um trabalho especialmente difícil e que requer as pessoas certas. Durante boa parte do inverno, o hotel fica completamente isolado por montanhas de neve. As estradas somem, os helicópteros não chegam, devido às tempestades, e as linhas de comunicação param de funcionar.

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O gerente do hotel, que entrevista Jack Torrance para o trabalho, tem sérias reservas quanto a contratá-lo, com sua família.

“- Não vejo nenhuma ligação entre a história gloriosa do Overlook, e sua impressão de que eu seja a pessoa errada para ocupar o cargo, Sr. Ullman – disse Jack. – Uma das razões pela perda de tanto dinheiro reside no fato de ocorrer uma depreciação a cada inverno. Esta depreciação diminui a margem de lucro, mais do que se possa pensar, Sr. Torrance. Os invernos são profundamente cruéis. A fim de suportar o problema, criei o cargo de operador de caldeira em regime de tempo integral e rotativo. Consertar os vazamentos, pois isso acontece, e fazer reparos, de tal forma que os elementos não fiquem sem um ponto de apoio. Estar em constante alerta em toda e qualquer contingência. Durante nosso primeiro inverno, empreguei uma família ao invés de um único homem. Foi uma tragédia. Uma tragédia terrível. Ullman olhou Jack friamente. – Cometi um erro. Admito. O homem era beberrão. (…) Sim, o Sr. Shockley me disse que o senhor não bebe mais. Ele também me contou sobre seu último emprego… seu último cargo de confiança, digamos assim. O senhor ensinava Inglês numa escola em Vermont. Perdeu o controle. (…) No inverno de 1970/71, depois da reforma do Overlook, e antes da nossa primeira temporada, admiti este… este coitado chamado Delbert Grady. Mudou-se para as dependências que o senhor e sua família irão ocupar. Ele tinha mulher e duas filhas. Eu tinha minhas preocupações a respeito, sendo as principais a dureza do inverno e isolamento dos Gradys do mundo exterior, por cinco ou seis meses. (…) Era melhor para um homem estar junto de sua família. (…) Acho que o que aconteceu foi o resultado de excesso de uísque barato, que Grady tinha em grande estoque, e que era de meu total desconhecimento, e uma situação curiosa que se chamava “febre da cabana”. Conhece a expressão? – Ullman deu um sorrisinho superior, pronto para a necessária explicação, assim que Jack admitisse sua ignorância, mas o rapaz folgou em responder rápida e decisivamente. “É uma gíria para uma reação de claustrofobia que pode ocorrer quando um grupo de pessoas é confinado. A sensação de claustrofobia é exteriorizada na forma de antipatia pelas pessoas que estão confinadas em sua companhia. Em casos extremos, isto pode resultar em alucinações e violência… já houve, inclusive, casos de assassinato gerado por problemas sem importância, tais como uma comida queimada ou uma discussão sobre quem deveria lavar os pratos. (…) Acho que o senhor se enganou em relação ao assunto. Ele os agrediu? – Matou-os, Sr. Torrance, e depois cometeu suicídio. Matou as duas meninas com um machadinho, a mulher com um revólver e se suicidou da mesma forma. Sua perna estava quebrada. Sem dúvida, deveria estar tão bêbado, que rolou escada abaixo.”

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Jack, porém, não leva a sério os avisos do gerente e aceita o trabalho. Seu plano é aproveitar este tempo de isolamento para terminar de escrever sua nova peça.  Enquanto isto, Danny está sendo avisado por Tony de que este não é um bom lugar para eles. Mas o garoto não conta nada a seus pais, pois sabe como a família precisa deste recomeço.

Ao chegarem ao hotel, no último dia da temporada, Danny vê coisas terríveis em alguns dos lugares por onde passam. Mas também faz um novo amigo, o Sr. Hallorann, o cozinheiro do hotel. Desde o início, os dois se entendem como ninguém. Uma ligação muito forte. O Sr. Hallorann conhece o segredo de Danny. E é ele que explicará a Danny sobre o hotel.

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“- Muito bem – falou Hallorann. Mexeu com as chaves dentro do bolso da jaqueta azul e abriu o porta-malas. Levantando as malas disse: – Você é iluminado, garoto. Mais do que qualquer outro que já conheci em minha vida. E veja que vou completar sessenta anos em janeiro próximo. – Hum? – Você é especial – disse Hallorann, voltando-se para ele. – Sempre chamei isto de luz interior. Era como minha avó chamava, também. Ela tinha. Costumávamos sentar na cozinha quando eu era um menino da sua idade, e tínhamos longas conversas sem sequer abrir a boca. – É mesmo? Hallorann sorriu ao ver Danny boquiaberto, com uma expressão quase faminta e disse: – Venha e entre no carro comigo um pouco. Quero conversar com você. (…)- Agora, ouça – falou Hallorann, segurando as duas mãos de Danny. – Já tive sonhos maus aqui, e já tive sensações desagradáveis. Já trabalhei aqui durante duas temporadas, e talvez por uma dúzia de vezes já tive… bem, pesadelos. E talvez, por meia dúzia de vezes pensei ter visto coisas. Não, não direi o quê. Não são para meninos como você. Coisas sórdidas, apenas. Uma vez, foi alguma coisa relacionada com a droga daqueles arbustos, tosquiados para parecerem animais. Outra vez, foi uma empregada, Delores Vickery era seu nome, e ela era um pouco iluminada, mas não creio que soubesse. O Sr. Ullman demitiu-a… você sabe o que é isso, rapaz? – Sim, senhor – respondeu Danny , candidamente. – Meu pai foi demitido da escola, e eu acho que é por isso que estamos no Colorado. – Bem, o Sr. Ullman demitiu-a porque ela afirmou ter visto alguma coisa em um dos quartos onde… bem, onde aconteceu uma coisa ruim. Era o quarto 217, e quero que me prometa que não vai lá, Danny. O inverno inteiro. Mantenha-se afastado. – Está bem – disse Danny . – A senhora, a camareira, ela lhe pediu para ir ver? – Pediu. E havia uma coisa ruim lá. Mas… não acho que era uma coisa ruim que pudesse ferir qualquer um, Danny , é o que estou tentando dizer. Os iluminados às vezes podem ver coisas que vão acontecer, e acho que, às vezes, podem ver coisas que aconteceram. Como se fossem desenhos num livro. Já viu algum desenho num livro, que o tenha apavorado, Danny ? – Já – respondeu o menino, pensando na história do Barba Azul, e o desenho era da mulher do Barba Azul abrindo a porta e vendo as cabeças. – Mas sabia que não o feriam, não sabia? – Si… im – disse Danny, um pouco incerto. – Bem, assim é neste hotel. Não sei por que, mas parece que todas as coisas ruins que já aconteceram aqui ainda têm pedacinhos espalhados, como pedacinhos de unha cortada ou melecas que alguém muito porco limpou debaixo de uma cadeira. Não sei por que só aqui, coisas ruins acontecem em todo hotel do mundo, acho eu, e já trabalhei numa porção deles e nunca tive problemas. Só aqui. Mas, Danny , não acho que essas coisas possam atingir qualquer pessoa. – Enfatizou cada palavra da frase sacudindo de leve os ombros do menino. – Portanto, se enxergar alguma coisa, num corredor, quarto ou lá fora perto dos arbustos… olhe para o outro lado e, quando se voltar, já terá desaparecido. Está bem?”

E, assim, quando todos os funcionários e hóspedes se despedem do Overlook, passamos, com a família Torrance, a conhecer verdadeiramente o hotel. Uma experiência que você jamais irá esquecer. Cada canto do Overlook tem uma memória sombria. Os corredores, os quartos, o elevador jamais estão vazios. E quanto mais a sensação de isolamento do mundo exterior cresce, mais cresce a certeza de que eles não estão sozinhos ali dentro.

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Stephen King é um mestre. Fez-me ter medo até mesmo de uma mangueira de incêndio. E o que dizer sobre o elevador do Overlook? Como diria um dos personagens do livro, ninguém me faria chegar a 200 km daquele lugar. O Overlook te seduz e te afasta com forças impressionantes. Você quer saber tudo sobre ele e, ao mesmo tempo, ficar o mais longe possível de lá.

Excepcional! Não existe outra palavra para ambos: filme e livro!

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“Ficaram olhando o carro até o perderem de vista, no declive. Quando desapareceu, os três se entreolharam em silêncio, e quase apavorados. Estavam sozinhos. Folhas de álamo rodopiavam e deslizavam sem rumo, pela grama muito bem cortada e longe dos olhos de qualquer hóspede. Não havia ninguém para ver as folhas de outono correndo furtivas pela grama, só os três. Jack teve uma curiosa sensação de voltar atrás, como se sua vida se tivesse reduzido a uma simples faísca, enquanto o hotel e o solo de repente duplicavam seu tamanho e tornavam-se sinistros, sufocando-os como que dotados de poder inanimado.”

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Concluindo – Março/2015

E lá se foi o mês de março! Passou muito rápido, mas foi bem produtivo para as leituras! Ufaaa… O Goodreads já estava me cobrando! Rsrsrs Durante este mês, li seis livros. De dois deles, fiz resenha no blog: A Resposta, da Kathryn Stockett e A Mulher Calada, da Janet Malcolm.

Para concluir o mês, segue um pouquinho sobre os outros livros lidos:

Bliss – Lauren Myracle

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Quando vi o vídeo sobre Bliss, no canal da Tati Feltrin, já fiquei louca para ler. A história se passa em 1969. Bliss foi criada em uma comunidade, por seus pais hippies. Sempre envolvida em festivais e manifestações. Quando ela completa 14 anos, seus pais decidem mudar para o Canadá e a levam para morar com sua avó, uma senhora rica e tradicional, que tem pavor de tudo que foge da normalidade.  Logo, a avó de Bliss a matricula em uma escola conceituada e pela primeira vez ela terá uma educação formal.

Apesar de todas as diferenças entre ela e seus novos colegas, Bliss não fica sozinha. Todos querem conhece-la, nem que seja apenas pela curiosidade de saber como era viver em uma comunidade. Muito deste interesse, em parte, pois os assassinatos cometidos pela família Manson estão sendo noticiados o tempo inteiro pelos jornais e TV.

Bliss apesar de se adaptar bem e começar a gostar de sua nova vida, também passa por grandes dilemas, como enfrentar o preconceito racial ainda tão vivo, especialmente no momento de integração promovido nas escolas. E tudo se agrava, quando ela resolve ser amiga de uma das meninas mais excluídas da escola.

Além de tudo isso, Bliss tem um dom e começa a ouvir vozes nos prédios da escola, clamando por sangue. E ela não demorará a descobrir que está no centro de uma armadilha.

O livro é muito bom e te prende do começo ao fim. Não fiz uma resenha logo que acabei, porque, confesso, fiquei digerindo o final por uns bons dias. O livro tem um fechamento muito bom, mas não é nem de perto o que o leitor quer. Mas, depois de pensar muito, acho que foi uma decisão muito inteligente da autora. Seria muito fácil de outra maneira!

Infelizmente, o livro não foi traduzido!

Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

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Sejamos todos feministas não foi criado como um livro a princípio. Na verdade, foi uma palestra dada por Chimamanda Adichie para o TED Talks (uma plataforma de diálogo excelente, que está trazendo algumas das melhores discussões dos últimos anos). Chimamanda é uma escritora nigeriana, que tem atraído uma legião de fãs. Seu livro mais famoso, Americanah, está entre os mais desejados da minha lista!!! Principalmente, depois de ter lido Sejamos todos feministas. Que sensacional! Ela já começa seu texto nos contando sobre a primeira vez que foi chamada de feminista:

“Okoloma era um dos meus melhores amigos de infância. Morávamos na mesma rua e ele cuidava de mim como um irmão mais velho: quando eu gostava de um garoto, pedia a opinião dele. Engraçado e inteligente, usava uma bota de caubói de bico pontudo. Em dezembro de 2005, ele morreu num acidente de avião, no sudoeste da Nigéria. Até hoje não sei expressar o que senti. Era uma pessoa com quem eu podia discutir, rir e ter conversas sinceras. E também foi o primeiro a me chamar de feminista. Eu tinha catorze anos. Um dia, na casa dele, discutíamos — metralhávamos opiniões imaturas sobre livros que havíamos lido. Não lembro exatamente o teor da conversa. Mas eu estava no meio de uma argumentação quando Okolomo olhou para mim e disse: “Sabe de uma coisa? Você é feminista!” Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele — era como se dissesse: “Você apoia o terrorismo!”. Não sabia o que a palavra “feminista” significava. E não queria que Okoloma soubesse que eu não sabia. Então disfarcei e continuei argumentando. A primeira coisa que faria ao chegar em casa seria procurar a palavra no dicionário.”

Só por este parágrafo já podemos notar o quão entranhada está a mentalidade de que o feminismo é algo negativo, coisa de mulheres que odeiam os homens. Sendo que o cerne do feminismo é somente a igualdade. Uma igualdade que apesar do pensamento da maioria, ainda está longe de ser alcançada.

E assim, ela nos conta, em um texto delicioso, sobre várias situações enfrentadas por ela e pessoas próximas ao longo de sua vida e, como, sim, todos nós devemos ser feministas, homens e mulheres.

“Quando eu estava no primário, em Nsukka, uma cidade universitária no sudeste da Nigéria, no começo do ano letivo a professora anunciou que iria dar uma prova e quem tirasse a nota mais alta seria o monitor da classe. Ser monitor era muito importante. Ele podia anotar, diariamente, o nome dos colegas baderneiros, o que por si só já era ter um poder enorme; além disso, ele podia circular pela sala empunhando uma vara, patrulhando a turma do fundão. É claro que o monitor não podia usar a vara. Mas era uma ideia empolgante para uma criança de nove anos, como eu. Eu queria muito ser a monitora da minha classe. E tirei a nota mais alta. Mas, para minha surpresa, a professora disse que o monitor seria um menino. Ela havia se esquecido de esclarecer esse ponto, achou que fosse óbvio.”

O momento não poderia ser mais propício para esta leitura. Principalmente, porque está acontecendo uma verdadeira revolução, mesmo que pouco a pouco, na consciência das mulheres. Uma verdadeira onda de empoderamento feminino. Não são aceitas mais campanhas claramente sexistas, que há alguns anos atrás seriam consideradas perfeitamente naturais. As mulheres lutam, seja em seu trabalho, em seus lares ou até mesmo em seus discursos no Oscar, para incutir consciência sobre a igualdade que desejamos e merecemos.

Leitura obrigatória, para todos os gêneros!

“Minha bisavó, pelas histórias que ouvi, era feminista. Ela fugiu da casa do sujeito com quem não queria se casar e se casou com o homem que escolheu. Ela resistiu, protestou, falou alto quando se viu privada de espaço e acesso por ser do sexo feminino. Ela não conhecia a palavra “feminista”. Mas nem por isso ela não era uma. Mais mulheres deveriam reivindicar essa palavra. O melhor exemplo de feminista que conheço é o meu irmão Kene, que também é um jovem legal, bonito e muito másculo. A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar”. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.”

Regras da Comida – Michael Pollan

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Regras da Comida é um livro curtinho e despretensioso, mas que traz conselhos simples e funcionais para uma alimentação mais saudável. Se você se interessa por reeducação alimentar e já procurou por blogs e documentários sobre o assunto, já se deparou com a maioria das dicas do livro. Mas, o modo prático e direto, com que são colocadas aqui irá facilitar, e muito, na sua memorização!

Alguns exemplos:

Regra 07 – Evite produtos alimentícios que contenham ingredientes que um aluno do terceiro ano não consiga pronunciar.

Regra 20 – Não é comida se chegou pela janela de seu carro.

Regra 21 – Não é comida se tem o mesmo nome em todas as línguas. (Pense em Big Mac, Cheetos ou Pringles.)

Cilada – Harlan Coben

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E esta foi a última leitura de março. Fiquei louca para ler este livro só de olhar a capa! O livro possui duas tramas paralelas: a de Haley McWaid, uma obediente garota de 17 anos, que nunca cometeu nenhum deslize, mas uma noite não volta para casa e a de Dan Mercer, um assistente social, que é acusado de pedofilia, por um famoso programa de televisão. O subtítulo do livro é Ninguém consegue escapar das próprias mentiras e em todo o livro vamos descobrindo a vida dupla dos personagens. Todos têm algo a esconder, algo que preferiam esquecer. A leitura é rápida e muito gostosa. Mas me decepcionei um pouco com o final. O autor coloca muitos plot twists nos últimos capítulos da história e me deixou com a sensação de correria, de mal finalizado.

Bom, é isso: mês concluído e sensação de dever cumprido! Que venha abril, com livros ainda melhores!!!

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#Resenha: A Mulher Calada – Janet Malcolm

“Como o leitor sabe, eu também escolhi um lado — o dos irmãos Hughes e Anne Stevenson — e também recorro a minhas simpatias e antipatias em apoio de minha escolha. Minha narrativa sobre Rose tem espinhos; minha tesoura folheada de prata resiste a custo à tentação de podá-la. Em outro contexto — ou seja, se eu tivesse lido The haunting of Sylvia Plath como um livro sobre um tema em que não investi coisa alguma —, ele não teria despertado em mim nada além de admiração, já que tendo a apoiar os novos teóricos da literatura em seu debate com os tradicionalistas. Mas no debate Plath-Hughes minha simpatia está com os irmãos Hughes, e assim, como um advogado apresentando uma defesa que sabe ser fraca mas ainda assim considera justa por alguma razão obscura, eu me encouraço para resistir aos atrativos da testemunha mais forte e plausível da oposição.”

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Bom, este trecho do livro já deixa bem claro que esta não é uma biografia de Sylvia Plath. Apesar de trazê-la na capa e fazer dela o centro de sua sinopse:

“A Mulher Calada – Uma das poetas mais originais do século XX, Sylvia Plath se suicidou no inverno de 1963, poucos meses depois de se separar do marido, o também poeta Ted Hughes. Esse gesto último selou, em torno de sua vida e sua obra, um campo de forças tão poderoso que ainda hoje continua a opor não só os vivos aos mortos, como todos os que sobreviveram à tragédia.  Neste livro, Janet Malcolm se debruça sobre todas as biografias já escritas sobre Sylvia Plath, além de adentrar um intrincado mundo de cartas, arquivos e delicadas situações familiares. Dotada de elegância e senso narrativo excepcionais, Malcolm mescla psicanálise, poesia, biografia e reportagem, num ensaio de amplitude e profundidade surpreendentes, capaz de envolver o leitor com o magnetismo de uma trama policial.”

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Como a autora bem explica em um texto logo antes deste que escolhi para começar esta resenha, quando traz uma citação do livro de Jacqueline Rose: Como uma criança envolvida num caso terrível de divórcio entre seus pais, tudo que foi escrito sobre a vida de Sylvia Plath, tanto por ela própria quanto pelos que a conheceram, torna imperioso para cada um de nós — e ao mesmo tempo nos impossibilita — escolher um lado. Em quem devemos acreditar? Como podemos saber? Qual é a verdade do caso? Por trás do interesse próprio dos protagonistas, desenrola-se um drama sobre os limites e os fracassos do conhecimento e do autoconhecimento. Podemos tentar chegar a uma sentença decisiva, como ocorre nos casos de divórcio, mas só se aceitarmos as formas falsas e nocivas de certeza pelas quais essas sentenças são tão famosas.”, ao que Janet atalha: “O que Jacqueline Rose deixa fora de seu relato (e seus colegas da academia deixaram fora do relato em seus textos ansiosos e retorcidos sobre outro terrível caso de divórcio, o de Paul de Man e seu jornalismo de tempos de guerra) é a impossibilidade psicológica, para um escritor, de deixar de escolher um dos lados. “Torna imperioso para cada um de nós”, sim. Mas “nos impossibilita”, não. Na falta de alguma certeza “falsa e nociva”, é humanamente impossível escrever sobre qualquer assunto. Como o assassino, o escritor precisa de um motivo.”, isto também se prova verdade sobre o leitor. Não há como não escolher um lado na história de Sylvia Plath e Ted Hughes. E meu lado escolhido foi o de Sylvia. Fica clara então minha decepção ao ver que estava lendo um longo texto em “defesa” de Anne Stevenson e Ted e Olwyn Hughes.

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Anne Stevenson foi uma contemporânea de Janet Malcolm em sua universidade. Era cercada de uma aura de confiança e liberdade e já havia ganhado um prêmio literário sério naquela época. Portanto, apesar de não terem contato, figurava no imaginário de Janet como uma inspiração. Escreveu anos depois Correspondences, um livro de poemas que teve grande aceitação do público. Se Sylvia não tivesse se suicidado, teria praticamente a mesma idade de Janet e Anne. Como Anne, havia saído dos EUA e se mudado para a Inglaterra, após o casamento e havia encarado o mesmo choque cultural. Talvez por estas semelhanças entre as duas, Anne Stevenson foi convidada, em 1985, para escrever um ensaio biográfico de 100 páginas para uma série da Penguin, Vida das Mulheres Modernas. Quando ela concluiu seu rascunho inicial, resolveu enviar o primeiro e último capítulo para Ted Hughes. Mas, além do fato de Hughes estar no exterior na época, com sua esposa Carol, sua irmã Olwyn era quem realmente se encarregava de tomar a frente, seja como executora do espólio literário de Sylvia, como do contato com os biógrafos que continuavam a surgir.

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O rancor dos irmão Hughes quanto aos biógrafos é palpável e Olwyn é a que mais ruidosamente se expressa a respeito. Mas, quando ela respondeu a Anne, apesar de dizer que achava que ela havia se equivocado em diversas partes, disse que gostara de seu estilo literário e convidou-a para um almoço. Neste encontro, Olwyn lhe entregaria algumas cartas de Dido Merwin escritas para uma das biógrafas de Sylvia, Linda Wagner-Martin, que segundo ela iriam mostrar a Anne uma face completamente diferente de Sylvia.

“Dido Merwin não suportava Sylvia Plath e esperou trinta anos para dizer ao mundo o que achava de sua ex-“amiga”, retratando-a como a mulher insuportável de um mártir paciente e sofredor. Segundo ela, o surpreendente não é que Hughes tenha deixado Sylvia Plath, e sim que a “tenha aguentado por tanto tempo”. Depois da separação, escreve ela, perguntou a Hughes “o que fora mais difícil de suportar durante o tempo que ele e Sylvia ficaram juntos”, e ele revelou que Sylvia Plath, num ataque furioso de ciúme, picara em pedacinhos toda sua obra em andamento no inverno de 1961, bem como seu exemplar das obras de Shakespeare. E Merwin também relembra, como se tivesse acontecido apenas ontem, uma temporada desastrosa que Plath e Hughes passaram com ela e seu então marido, o poeta W. S. Merwin, na chácara que tinham na Dordogne. Sylvia Plath “gastava toda a água quente, servia-se o tempo todo na geladeira (comendo no café o que estava reservado para o almoço etc.) e mudou de lugar todos os móveis do seu quarto”. Criava um clima tão desagradável com sua melancolia (embora nunca perdesse o apetite, assinala Merwin, relatando a malignidade com que viu Sylvia Plath devorar um esplêndido foie gras “como se fosse um simples bolo de carne”) que Hughes acabou encurtando a duração de sua visita. Anne Stevenson foi violentamente criticada por transmitir uma ideia “desequilibrada” de Sylvia Plath ao incluir esse retrato venenoso em sua biografia.”

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Quando se encontraram novamente, Olwyn propôs a Anne que retirasse seu texto da Penguin e o expandisse para uma biografia completa. Olwyn possuía uma pequena agência literária e conduziria as negociações do livro de Anne com as editoras nos EUA e Inglaterra, conseguindo adiantamentos substanciais. Além de dar acesso a Anne à amigos leais de Ted, que iriam lhe contar o que há anos guardavam em silêncio, esperando por um biógrafo de confiança.

“Nesse ínterim, Hughes voltara para a Inglaterra, tendo escrito a Anne uma longa carta sobre os dois capítulos que ela lhe enviara. À diferença das quinze páginas de comentários lacônicos e sarcásticos que enviara a Linda Wagner-Martin depois de ler o manuscrito desta alguns meses antes (“página 201, linha 4: cortar ‘fazendo amor’”; “página 200, linha 6: cortar ‘e cortou… rosto’”; “página 273, linhas 27-28: mencionar esses detalhes ínfimos parece burlesco; eliminar”), a carta de sete páginas que Hughes enviou a Anne era amigável, respeitosa e (considerando sua política reservada) notavelmente generosa em detalhes sobre sua vida com Sylvia Plath. No final, essa carta não foi apenas a primeira, mas também a última que Hughes enviou a Anne enquanto ela escrevia Bitter fame. Na época, porém, atuou como um estímulo poderoso; ser lisonjeada pelas atenções do irmão, além da irmã, tornava a proposta impossível de recusar.”

Olwyn cumpriu o que prometeu a Anne conseguindo adiantamentos, lhe dando acesso a seus amigos, lendo seus esboços e, principalmente, dando acesso a Ted.

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“Anne já compartilhava a opinião de Olwyn, segundo a qual Sylvia Plath era uma poetisa brilhante mas uma pessoa cansativa e detestável, e ela e Olwyn se reuniam na casa desta (àquela altura, Anne vivia em Londres com seu futuro marido, Peter Lucas) e conversavam sobre Sylvia com a espécie de deliciosa má vontade a que nos permitimos com amigos próximos de mentalidade parecida. Com toda a probabilidade, foi essa evidência dos sentimentos negativos de Anne em relação a Sylvia Plath, e não seu “estilo contido e tenso”, que tinha atraído o interesse de Olwyn, fazendo-a crer que finalmente encontrara a biógrafa ideal — a biógrafa capaz de retratar Sylvia Plath de maneira a contrabalançar a imagem idealizada pelos libbers.”

Mas, neste ínterim, Anne resolver viajar aos EUA, para trabalhar melhor em seus capítulos iniciais, utilizando as cartas e arquivos guardados de Sylvia, na Biblioteca Lilly. E foi entre estas cartas que Anne finalmente descobre Sylvia e começa a nutrir por ela uma admiração verdadeira, que até então, não sentia.

“Talvez fosse minha reação ao tom desinibido daquelas cartas, nenhuma das quais fora cortada para seu uso pelos biógrafos e que tratavam todas elas de circunstâncias presentes, ainda não ficcionalizadas, ainda ocupadas em acontecer […]. Senti em Indiana que finalmente encontrara Sylvia Plath; e que gostava mais dela, porque agora eu a conhecia. Voltei a seu diário, que li com uma compreensão renovada […]. Comecei a entender, acho eu, por que ela se transformara numa poetisa extremista, incapaz de concessões. Nenhuma posição intermediária lhe serviria […]. Noite após noite, eu emergia, atarantada, do arcondicionado da biblioteca para a umidade opressiva das noites chuvosas de Indiana. (Eu me esquecera da sensação pesada e pegajosa dos verões do Meio-Oeste.) Vivendo a vida de Sylvia no lugar da minha, experimentei pela primeira vez o sentimento intenso de identificação com minha biografada que a maioria dos biógrafos sente antes mesmo de dar início às suas pesquisas. Compreendi, com tristeza, que eu admirava Sylvia, mas jamais gostara dela. Mesmo antes de começar a trabalhar com Olwyn Hughes, eu já me sentia repelida pela impressão que ela me dava, de uma absorção crua em si mesma e uma ambição agressiva. Agora, pensei, estava começando a vê-la de forma mais clara. Decidi retornar a Londres e recomeçar a trabalhar em Bitter fame desde o início. Dessa vez, estava certa de que poderia produzir uma biografia crítica por mim mesma.”

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Olwyn, obviamente, se interpôs a esta ideia e as duas começaram um longo embate sobre o teor do livro, que teve que ser mediado por um “árbitro”, quando chegou ao ponto das duas não se falarem mais. Mesmo assim, o livro foi lançado e espezinhado pela crítica e público, que podiam notar em cada página que não estava lendo somente a opinião da autora, a presença da censura dos irmãos Hughes era palpável.

Tenho absoluta certeza que o convívio com Sylvia Plath não era nem um pouco fácil. Afinal de contas, ela sofria de depressão há anos e não só por isso, o convívio com um gênio nunca foi descrito por ninguém como fácil.

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“Como a vida de Sylvia Plath, sua obra também está cheia de silêncios ameaçadores. É bela, severa e muito fria. É surrealista, com toda a ameaça do surrealismo e sua recusa a explicar-se. Diante dos poemas de Ariel, sentimo-nos como Olwyn diante da impassibilidade de Sylvia. Sentimo-nos reduzidos à humildade e censurados, como se fôssemos as “pessoas pequenas e socadas” que Sylvia Plath via no hospital ou os herbívoros que descreve em seu poema “Mystic”, “com esperanças tão rasteiras que se sentem confortáveis”. Dizer que Sylvia Plath abusou de seu direito a nossa simpatia não é muito preciso. Ela nunca pede a nossa simpatia; não se rebaixaria a tanto. A voz de sua “verdadeira identidade” é notável por seu tom agudo de desdém — e sua profunda melancolia.”

Mas considerar Olwyn e Ted como mártires, pelo escrutínio que sofreram através dos biógrafos e admiradores de Sylvia também me parece completamente desmedido. Principalmente, quando analisamos o controle que fizeram de sua obra. A cada vez que é citado o controle sobre o espólio literário de Sylvia, não posso deixar de sentir um arrepio de raiva. Afinal de contas, quem são os irmãos Hughes para decidir quais os poemas de Sylvia que podem ser publicados? E mais, se prezam tanto por manter sua intimidade, por que publicar seus diários? Mas, mais que isso, os publicam incompletos, retirando as partes que lhes desagradam. Utilizam as permissões para a citação da obra de Sylvia em suas biografias como moeda de troca com os autores.

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Em um trecho do livro, Janet cita uma carta de Ted à mãe de Sylvia sobre a possibilidade da venda dos direitos de A redoma de Vidro nos EUA:

“Uma carta inédita que Hughes escreveu à sra. Plath sete anos depois da morte de Sylvia nos propõe uma resposta possível. A carta está no arquivo Plath da Biblioteca Lilly, na Universidade de Indiana em Bloomington — uma imensa coleção de cartas escritas e recebidas por Sylvia Plath, além da correspondência da família escrita após a sua morte. (A sra. Plath vendeu sua coleção à Lilly em 1977.) Na carta, datada de 24 de março de 1970, Hughes fala à sra. Plath de uma casa que deseja comprar na costa norte de Devon — “um lugar inacreditavelmente bonito” —, mas para a qual não tem dinheiro. Não quer vender uma casa que acabara de comprar em Yorkshire (“um investimento de primeira”) e nem quer (“por razões, como se diz, sentimentais”) vender Court Green, onde voltou a morar com as crianças depois da morte de Sylvia Plath (e onde mora ainda hoje, com Carol, sua segunda mulher). “Por isso”, diz ele à sra. Plath, “estou tentando liquidar todos os meus outros bens e o que me ocorre é The bell jar.” Ele pergunta à sra. Plath o que ela “acharia de publicar o livro agora nos Estados Unidos”, acrescentando que dali a alguns anos ele “não seria mais muito vendável”, transformando-se numa simples “curiosidade para estudiosos”. A sra. Plath, é claro, tinha horror ao livro e escreveu a Hughes uma carta vigorosa de protesto: preferia que The bell jar não fosse publicado nos Estados Unidos. Mas no final da carta, “de uma pessoa inteligente e madura para outra”, ela acaba cedendo. “Já que o direito de publicação é seu, a decisão também lhe cabe”, diz ela, com uma afetação suspeita. Assim, em 1971, The bell jar foi lançado nos Estados Unidos. A sra. Plath aguentou firme e finalmente exigiu em pagamento sua libra de carne: pediu a Hughes sua permissão para publicar as cartas que Sylvia lhe escrevera. Hughes não tinha como recusar.”

No posfácio da autora, ela esclarece, com trechos de cartas de Ted, que este resolveu não publicar o livro nos EUA, mesmo com a concordância da Sra. Plath e desistiu da compra da casa. Mas logo despois, com a descoberta de uma lei americana que prevê que as obras de um autor americano escritas no exterior perdem o direito de autor, após sete anos da morte deste. Ou seja, se não lançassem, a obra seria publicada do mesmo jeito. Mas tudo isto não muda o teor extremamente comercial da carta originalmente enviada à Sra. Plath.

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O livro é muito bem escrito e apesar de não ser o que esperava nos dá uma boa perspectiva de toda a situação. Em nenhum momento ataca Sylvia e também não deixa de nos mostrar muito sobre Ted. E como tudo na vida tem dois lados, é bom que o livro possa nos apresentar uma perspectiva mais completa. Parece contraditório dizer isto depois de citar meu descontentamento com a defesa dos irmãos Hughes, mas o que não é contraditório em tudo isto? E como diria Nelson Rodrigues: “Na hora de odiar, ou de matar, ou de morrer, ou simplesmente de pensar os homens se aglomeram. (…) A opinião unânime está a um milímetro do erro, do equívoco, da iniquidade. (…) Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

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Books, Filmes

#Resenha: Comer, Rezar, Amar – Elizabeth Gilbert

“É melhor viver o seu próprio destino de forma imperfeita do que viver a imitação da vida de outra pessoa com perfeição.”

Comer, Rezar e Amar possui um subtítulo sugestivo: a busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia. Nele, Liz Gilbert, irá nos contar como, ao final de um complicado divórcio e saindo de um relacionamento nocivo, decidiu pedir demissão de seu emprego, desistiu de seu apartamento e passou um ano morando nestes lugares.

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Com 31 anos, Liz chegou à conclusão de que não queria mais estar casada.

“Mas todos esperavam que eu quisesse ter um filho. Eu estava com 31 anos. Meu marido e eu – estávamos juntos havia oito anos, sendo seis casados – havíamos construído nossa vida inteira com base na expectativa comum de que, uma vez superada a avançada marca dos 30 anos, eu iria querer sossegar e ter filhos. Ambos esperávamos que, a essa altura, eu já tivesse me cansado de viajar e fosse ficar feliz em morar em uma casa grande e barulhenta, cheia de crianças e de colchas feitas a mão, com um jardim nos fundos e um reconfortante ensopado borbulhando em cima do fogão. (…) Mas eu não queria nenhuma dessas coisas – e estava arrasada por estar me dando conta disso. Pelo contrário: meus 20 anos haviam chegado ao fim, aquele prazo final dos 30 havia se abatido sobre mim como uma sentença de morte, e eu descobri que não queria engravidar. Continuava esperando querer ter um filho, mas isso não acontecia. E eu conheço a sensação de querer alguma coisa, podem acreditar. Sei muito bem o que é desejo. Mas esse desejo não existia.”

Apesar de ser evidente que ela não estava preparada para aquilo, Liz relutava quanto ao que poderia fazer. Afinal de contas, não era fácil desistir de uma vida “perfeita”, uma vida completamente de acordo com os padrões esperados.

“Adoro crianças, mas e se eu não tiver filhos? Que tipo de pessoa isso me torna? Virginia Woolf escreveu: “Sobre o imenso continente da vida de uma mulher recai a sombra de uma espada.” De um lado dessa espada, disse ela, estão a convenção, a tradição e a ordem, onde “tudo é correto”. Mas, do outro lado dessa espada, se você for louca o suficiente para atravessar a sombra e escolher uma vida que não segue a convenção, “tudo é confusão. Nada segue um curso regular”. Seu argumento era que atravessar a sombra dessa espada pode proporcionar à mulher uma existência muito mais interessante, mas podem apostar que ela também será mais perigosa.”

Depois de muito lutar contra seus próprios desejos, Liz finalmente se separa. Seu divórcio é extremamente doloroso e em meio a este turbilhão ela conhece David e, imediatamente, se apaixona.

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“David e eu nos conhecemos porque ele estava atuando em uma peça baseada em contos meus. Ele fazia um personagem que eu havia inventado, o que é de certa forma revelador. No amor desesperado é sempre assim, não é? No amor desesperado, nós sempre inventamos os personagens dos nossos parceiros, exigido que eles sejam o que precisamos que sejam, e depois ficando arrasados quando eles se recusam a desempenhar o papel que nós mesmos criamos.”

Mas, Liz não estava vivendo um bom momento e acaba despejando todas as suas expectativas e carência sobre ele. A relação tornou-se obsessiva e ele foi se distanciando a cada dia.

Por fim, no auge de seu desgaste emocional, Liz recebe uma proposta de trabalho: uma viagem para Bali para escrever uma matéria sobre as pessoas que vão até lá, nas férias, para praticar ioga. Nesta viagem, ela conhece um xamã, Ketut Liyer, que lhe convida para morar por quatro meses na Indonésia.

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“Você é uma escritora de livros de Nova York — disse ele meneando a cabeça, concordando. – Então você vai voltar aqui para Bali e me ensinar inglês. E eu vou ensinar a você tudo que eu sei.

Ele então se levantou e esfregou as mãos, como quem diz: Então está combinado.

– Se o senhor estiver falando sério, eu também estou – falei.

Ele me olhou com um sorriso de sua boca sem dentes e disse:

– A gente se vê.”

E assim, Liz começa seu ano sabático, em que irá aprender, em cada um de seus destinos, coisas novas sobre si mesma e como alcançar o equilíbrio que tanto busca.

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A história parece simples, mas todo o processo de redescobrimento de Liz, da percepção de suas falhas, do perdão que ela precisa aprender a oferecer, principalmente a si mesma, tocam fundo no leitor e, acompanhando sua jornada, passamos também por um processo de amadurecimento. Em vários momentos, ela se sentirá sozinha, mas reconhece que, às vezes, somente a solidão nos dá a perspectiva necessária para continuar. E em uma sociedade ainda tão padronizada quanto a que vivemos, é maravilhoso ter o exemplo de mulheres que simplesmente não se encaixam, que não possuem os mesmos sonhos da maioria e que não se conformam com a infelicidade.

“Há momentos que temos de procurar o tipo de cura e paz que só podem vir da solidão.”

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Em alguns momentos, principalmente durante a parte da Índia, o livro se torna um pouco maçante. Mesmo assim, a leitura vale a pena. Li pela primeira vez há alguns anos e reli em dezembro e esta é uma daquelas histórias que lhe trazem sentimentos e coisas novas dependendo do momento que você está vivendo. E pra quem sonha em viajar pelo mundo, é simplesmente delicioso!

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Books, Filmes

#Resenha: A Resposta – Kathryn Stockett

Terminei de ler neste final de semana o incrível A Resposta, de Kathryn Stockett. Talvez você não reconheça o título de cara, mas provavelmente já assistiu ou ouviu falar de sua adaptação para o cinema, que recebeu o título Histórias Cruzadas. O filme estreou, nos Estados Unidos, em agosto de 2011 e foi indicado ao Oscar de melhor filme, em 2012.

O livro tem como plano de fundo a pequena cidade de Jackson, no Mississippi, no início da década de 60. A narrativa é dividida entre três personagens: Skeeter, uma jovem branca que acabou de se formar na universidade e sonha em ser escritora e jornalista, Aibileen e Minny, duas empregadas negras que trabalham em casas da cidade.

THE HELP

Skeeter, Minny e Aibileen

Aibileen teve eu desistir da escola na sétima série, para começar a trabalhar como empregada na casa de famílias brancas da região e ajudar em sua casa. Desde então cuidou de dezessete bebês. Apesar da maioria das empregadas passarem praticamente a vida toda em uma casa, Aibileen mudava constantemente de trabalho, dizendo que era melhor com crianças bem pequenas, praticamente uma especialista. Na verdade, ela se mudava quando as crianças que ela tanto amava e cuidava, passavam a enxergá-la de maneira diferente, pela cor de sua pele.

“Quando eu disse pra minha professora da sétima série que não ia voltar pra escola porque precisava ajudar a minha mãe, dona Ross quase chorou. “Você é a mais esperta da turma, Aibileen”, disse ela. “E o único jeito de você continuar esperta é ler e escrever todos os dias.” Então, comecei a anotar as minhas orações, em vez de dizer elas em voz alta. Mas ninguém mais me chamou de esperta.”

THE HELP

O filho de Aibileen, Treelore, era seu maior motivo de orgulho. Vivia lendo e havia começado a escrever um livro sobre como era ser um homem negro que vivia e trabalhava no Mississippi. Um noite, enquanto trabalhava no moinho, escorregou na plataforma de carregamento e foi atropelado por um trator. O relato da dor que Aibileen sentiu e do descaso com que trataram seu filho é uma das coisas mais doloridas que já li.

“Quando fiquei sabendo, ele tava morto. Foi nesse dia que todo o meu mundo ficou preto. O ar parecia preto, o sol parecia preto. Fiquei deitada na cama, olhando pras paredes pretas da minha casa. Minny vinha todo santo dia ver se eu ainda tava respirando, me dava comida pra me manter viva. Levei três meses pra olhar de novo pela janela, pra ver se o mundo ainda tava no lugar. Fiquei surpresa quando vi que a vida do meu filho tinha parado, mas o mundo não.”,/p>

“Na nossa quinta sessão, Aibileen lê para mim sobre o dia em que Treelore morreu. Ela lê sobre como o corpo quebrado de Treelore foi jogado na caçamba de uma picape pelo mestre de obras. — E então largaram ele no hospital dos negros. Foi isso que a enfermeira me contou, a enfermeira que tava lá fora na hora. Rolaram ele pra fora da caçamba e os brancos foram embora. — Aibileen não chora, apenas deixa um tempo se passar enquanto eu olho para a máquina de escrever, e ela, para as lajotas escuras e gastas.”

Cinco meses após a morte de seu filho, Aibileen vai trabalhar na casa da Srª Leefolt, cuidando de sua filha, Mae Mobley. As duas criam laços muito fortes, especialmente porque Elizabeth, mãe de Mae, não demonstra nenhum afeto pela menina.

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É na casa dos Leefolt que Aibileen e Skeeter começam a estabelecer um vínculo. Em sua busca por uma carreira como jornalista, Skeeter é aconselhada por uma editora de Nova Iorque a buscar um emprego, qualquer emprego, em que pudesse adquirir experiência e, neste período, começar a escrever sobre coisas que lhe incomodam, mas que ninguém mais parece se importar. Ela, então, consegue uma vaga no jornal local para escrever sobre…cuidados domésticos. Além de ter tido uma empregada, Constantine, desde pequena, Skeeter não é como a maioria de suas amigas. Seus planos não têm casamento e filhos como prioridade. Portanto, ela não sabe absolutamente nada sobre como cuidar de uma casa. Skeeter amava Constantine como uma verdadeira mãe e isso nunca mudou. Não havia barreiras no relacionamento entre elas. Mas quando Skeeter retorna da faculdade descobre que Constantine havia se demitido e ido embora da cidade. A história toda lhe parece muito estranha. Afinas, elas se correspondiam praticamente toda semana. Com certeza, Constantine teria lhe avisado. E a recusa de todos em comentar o assunto só lhe confirma a certeza de que algo está errado.

Elizabeth, Skeeter e Hilly eram amigas desde o colégio. Foram juntas para a faculdade e só tomaram caminhos um pouco diferentes quando Hilly e Elizabeth desistiram da faculdade para se casar. Mesmo assim, com a volta de Skeeter para a cidade, as três se reúnem novamente. E Skeeter pede a ajuda de Aibeleen, empregada de Elizabeth, para escrever sua coluna.

THE HELP

Mas a relação das três amigas começa a sofrer grandes abalos. Diferenças que antes não eram percebidas, passam a ficar evidentes. Uma crise que tem seu auge com o grande projeto de Hilly, que Skeeter se recusa a publicar no jornal da Liga, de que fazem parte: o Projeto de Higiene para Empregadas Domésticas. No Mississippi, tudo era separado entre negros e brancos. Havia bairros específicos, as empregadas não se sentavam na mesma mesa que suas patroas, não utilizavam os mesmos talheres e não podiam dividir…os mesmos banheiros.

“Na sala sobre a história do Mississippi, procuro qualquer coisa que fale remotamente de relações inter-raciais. Encontro apenas livros sobre a Guerra Civil, mapas e velhos catálogos telefônicos. Eu me equilibro nas pontas dos pés para ver o que está na prateleira mais alta. É aí que enxergo um livreto, deitado de lado em cima do Mississippi River Valley Flood Index. Uma pessoa de tamanho normal nunca o teria visto. Puxo-o para baixo, para ver a capa. O livreto é fino, impresso em papel vegetal, um pouco amassado, encadernado com grampos. “ Compilation of Jim”“ Crow Laws of the South”, diz a capa. Abro o livro, que estala e faz um pouco de barulho. O livreto é simplesmente uma lista de leis dizendo o que pessoas de cor podem e não podem fazer em vários estados sulistas. Passo os olhos pela primeira página, intrigada sobre a razão de isso estar aqui. As leis não são nem ameaçadoras nem amigáveis, apenas citam os fatos: Ninguém pode solicitar que uma mulher branca amamente em alas ou quartos onde haja homens negros. Será considerado ilegal que um branco se case com qualquer pessoa que não seja branca. Qualquer casamento que viole esta seção será considerado nulo. Nenhum barbeiro de cor poderá trabalhar para mulheres ou meninas brancas. O oficial encarregado não poderá enterrar qualquer pessoa de cor no solo usado para o enterro de pessoas brancas. Livros não deverão ser trocados entre escolas de brancos e escolas de gente de cor, mas deverão continuar sendo usados pela raça que primeiro os utilizou. Leio quatro das vinte e cinco páginas, estupefata com a quantidade de leis que existem para nos separar. Negros e brancos não podem partilhar bebedouros, cinemas, banheiros públicos, estádios, cabines telefônicas, espetáculos de circo. Negros não podem usar a mesma farmácia nem comprar selos no mesmo guichê que eu. Penso em Constantine, na vez em que minha família a levou para Memphis, e a estrada foi totalmente lavada pela chuva, mas tivemos de seguir adiante, pois sabíamos que os hotéis não a admitiriam. Penso em como ninguém no carro falou nada. Todos nós sabemos dessas leis, vivemos aqui, mas não falamos a respeito delas. Essa é a primeira vez que as vejo escritas.”

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E é neste momento que a ideia surge na mente de Skeeter, um livro em que as empregadas contariam sua versão de como é viver e trabalhar em Jackson. Mas esta ideia, em si, é perigosa para todos os envolvidos. Tanto Skeeter quanto as empregas, se alguma delas aceitasse participar, correriam o risco de serem presas. Além de casos de violência registrados a cada dia contra pessoas negras que “ousavam” reclamar ou tentar mudar algo.

Aibileen é a primeira a ser convidada para o projeto. Depois, Minny, sua melhor amiga e uma personagem sensacional. Com o passar do tempo, vamos conhecendo as histórias destas grandes mulheres, da sua relação de amor e ódio com as famílias para que trabalham, como é cuidar dos filhos de seus patrões, enquanto seus próprios são criados por outras pessoas. E como estas crianças que criaram e amaram, na maioria das vezes, se transformam em seus pais.

O clima de medo e incerteza pode ser sentido a cada página. Cada um dos personagens nos proporciona emoções extremas: amor, ódio, compaixão. Um tapa na cara, nos mostrando um pouco da luta que já foi enfrentada contra o preconceito.

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Livro obrigatório!!!

“— Bem — respirei fundo. — Eu gostaria de escrever sobre isso, mostrando o ponto de vista das empregadas. As mulheres de cor daqui. —Tentei imaginar o rosto de Constantine, o de Aibileen. — Elas criam uma criança branca, então, vinte anos depois, a criança se torna seu empregador. É essa ironia, nós as amamos e elas nos amam, e ainda assim… — Engoli a saliva, com a voz tremendo. — Sequer permitimos que usem o banheiro da casa. Mais uma vez, silêncio. — E — me senti compelida a continuar — todo mundo sabe o que pensam os brancos, a figura glorificada de Mammy, que dedica toda a vida a uma família branca. Margaret Mitchell já fez isso. Mas ninguém nunca perguntou a Mammy o que ela pensava disso tudo. — Suor escorria pelo meu peito, molhando minha blusa de algodão. — Então você quer mostrar um lado que nunca foi examinado — disse a sra. Stein. — Sim. Porque ninguém nunca fala a respeito disso. Ninguém nunca fala sobre nada, aqui.”

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