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#Resenha: Vozes de Tchernóbil – Svetlana Aleksiévitch

A História Oral do Desastre Nuclear

“Antes de Tchernóbil, havia 82 casos de doenças oncológicas para cada 100 mil habitantes. Hoje a estatística indica que há 6 mil doentes para os 100 mil habitantes. Os casos multiplicaram-se quase 74 vezes.  (…) De cada catorze pessoas, em geral ainda aptas a trabalhar, entre 46 e cinquenta anos, apenas uma morre de velhice. Nas regiões mais contaminadas, as inspeções médicas indicaram que de cada dez pessoas, sete estão doentes. Ao visitar a zona rural, você se assusta com o espaço ocupado por cemitérios…”

“Mas, agora, imagine um prédio de cinco andares vazio. Uma casa sem moradores, mas com objetos, mobílias e roupas – coisas que ninguém nunca mais poderá usar, porque essa casa fica em Tchernóbil.”

 

A descrição acima mostra o local em que foi realizada uma conferência para a imprensa, durante o julgamento dos acusados pelo acidente nuclear de Tchernóbil. O desastre ocorrido em 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, durante a realização de um teste de segurança, é considerado o pior acidente nuclear da história e é um dos únicos classificados como nível 7 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (patamar máximo). O vazamento foi dez vezes maior do que a radiação liberada pela bomba de Horshima. Em 2016, 30 anos após o acidente, um novo sarcófago foi levado através de trilhos para encobrir o antigo, que, construído às pressas para conter a radiação, começava a desmoronar.

Ainda hoje, a tragédia atrai muita atenção. Milhares de turistas planejam visitas às cidades abandonadas por seus habitantes, três dias após a catástrofe. Nada poderia ser levado de lá, nem mesmo os animais de estimação. Nenhuma dessas pessoas, no momento da partida, sabia que nunca mais retornariam para sua terra.

Vozes de Tchernóbil conta a história do acidente e de como ele marcou o fim de uma era para a população da antiga União Soviética, já castigada pela guerra, que viu grandes ideais serem jogados por terra. Mas o grande diferencial desse livro é que tudo isso é revivido através de relatos coletados por sua autora, Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do prêmio Nobel de literatura, em 2015. Filha de dois professores, pai bielorrusso e mãe ucraniana, passou de ensaios, contos e reportagens para um novo gênero de escrita, denominado novela coletiva. No capítulo intitulado “Entrevista da autora consigo mesma sobre a história omitidae sobre por que Tchernóbil desafia a nossa visão de mundo”, Svetlana mostra a abordagem utilizada para contar essa história:

“Este livro não é sobre Tchernóbil, mas sobre o mundo de Tchernóbil. Sobre o evento propriamente dito já foram escritas milhares de páginas e filmados centenas de milhares de metros em películas. Quanto a mim, eu me dedico ao que chamaria de história omitida, aos rastros imperceptíveis da nossa passagem pela Terra e pelo tempo. Escrevo os relatos da cotidianidade dos sentimentos, dos pensamentos e das palavras. Tento captar a vida cotidiana da alma. A vida ordinária das pessoas comuns. Aqui, no entanto, nada é ordinário: nem as circunstâncias nem as pessoas que, obrigadas pelas circunstâncias, colonizaram esse novo espaço, vindo a assumir uma nova condição. Tchernóbil para elas não é uma metáfora ou um símbolo, mas a sua casa.”

 

E, realmente, em toda essa história, o que há de realmente extraordinário são as pessoas. Histórias de coragem, de amor, sacrifício e, por outro lado, de completo descaso com a vida humana. A escolha da autora foi extremamente acertada, pois traz ao leitor uma proximidade tão grande com a tragédia, que podemos entender um pouco do sofrimento dessas pessoas que do dia para a noite perderam entes queridos, abandonaram suas casas e permaneceram temendo quais efeitos esse inimigo invisível, a radiação, ainda provocaria.

 “Não sei do que falar… Da morte ou do amor? Ou é a mesma coisa? Do quê? Estávamos casados havia pouco tempo. (…) Eu dizia a ele ”eu te amo”. Mas ainda não sabia o quanto o amava.”

Assim começa o relato da esposa de um dos bombeiros que foram chamados logo após a explosão do reator 4 para conter as chamas. ”A explosão, propriamente, eu não vi. Apenas as chamas que iluminavam tudo… O céu inteiro… Chamas altíssimas. Fuligem. Um calor terrível. E ele não voltava. A fuligem se devia à ardência do betume, o teto da central estava coberto de asfalto. As pessoas andavam sobre o teto como se fosse resina, depois ele me contou. Os colegas sufocavam as chamas, enquanto ele rastejava. Subia até o reator. Arrastavam o grafite ardente com os pés… Foram para lá sem roupa de lona, com a camisa que estavam usando. Não os preveniram, o aviso era de um incêndio comum…” Todos os bombeiros que trabalharam naquela noite morreram, nos meses seuintes. “O processo clínico de uma doença aguda do tipo radioativo dura catorze dias. No 14º dia, o doente morre.” Seu sacrifício e o de muitos outros que trabalhariam na construção do sarcófago, os liquidadores, evitou uma segunda explosão no reator, que contaminaria toda a Europa, tornando-a inabitável.

Chernobyl/Pripyat Exclusion Zone (011.8045)
Chernobyl visit – February 2008
Leaving Chernobyl, a quick visit to the monument built by firemen to honor the memory of their fallen colleagues who died protecting the world.
photo: Pedro Moura Pinheiro

“Os médicos, por algum motivo, nos afirmavam que eles tinham se envenenado com gases, ninguém falava em radiação. No entanto, a cidade ficou lotada de veículos militares, todas as estradas foram fechadas. (…) As ruas eram lavadas com uma espécie de  pós branco… Fiquei assustada: como iria, no dia seguinte, à aldeia comprar leite fresco? Ninguém falava em radiação, só os militares circulavam com máscaras respiratórias… As pessoas compravam os seus pães, saquinhos com doces e pastéis nos balcões… A vida cotidiana prosseguia. Só que… as ruas eram lavadas com uma espécie de pó…”

Na manhã do dia 26, a vida seguiu normalmente para os habitantes da cidade de Pripyat, cidade a três quilômetros da usina. Nenhum aviso de perigo foi emitido. Até mesmo um casamento foi realizado na cidade. Observando a filmagem, podem ser vistos rastros de radiação. O desastre só foi noticiado pela União Soviética três dias depois, após a Suécia ter noticiado a descoberta de um aumento da radiação ambiente que só poderia ter sido causado por um acidente nuclear.

 

“Eu lembro que nos primeiros dias depois do acidente, os livros sobre radiação desapareceram da biblioteca, e os livros sobre Hiroshima e Nagasaki, e até os que tratavam de raios X. Corria o boato de que era ordem do chefe para evitar pânico, que isso era para a nossa segurança. Surgiu até a piada de que se Tchernóbil tivesse ido pelos ares em terras papuas, todo mundo teria se assustado, menos os papuas. (…) Chegaram os primeiros jornalistas estrangeiros. A primeira equipe de filmagem. Vestiam macacões de matéria plástica, capacetes, galochas e luvas de borracha, e até a câmera tinha uma cobertura especial. Uma das nossas moças os acompanhava como tradutora. Ela usava um vestidinho de verão e sapatilhas.”

 

O reator continuava a queimar e 1800 helicópteros foram enviados para jogar areia e chumbo para tentar conter as chamas. Milhares de soldados foram enviados, posteriormente, para a construção do sarcófago. Muitos nem ao menos sabiam para onde estavam sendo levados. “Os oficiais que nos acompanhavam respondiam às nossas perguntas com silêncio. ‘Amigos! E se estão nos levando a Tchernóbil?’, alguém supôs. Um oficial falou: ‘Calados! As expressões de pânico serão julgadas por um tribunal militar como em tempo de guerra.’”

“De cima… podíamos ver um prédio destruído, montes de cacarecos despedaçados. E uma quantidade gigantesca de pequenas figuras humanas. Havia um guindaste da Alemanha Federal, mas morto; percorreu um pouco o teto e morreu. Os robôs morriam. Os nossos robôs foram construídos pelo acadêmico Lukatchóv para explorar Marte. Havia também robôs japoneses com aparência humana. Mas via-se que queimavam por dentro devido à alta radiação. Por outro lado, os soldadinhos correndo nos seus trajes e luvas de borracha, estes funcionavam. Tão pequenos, vistos do céu.”

 

Apesar de ser uma coleção de relatos, Vozes de Tchernóbil possui uma narrativa que chega a ser poética. Um livro excepcional, que deveria ser uma leitura obrigatória, pois nos faz pensar em como nosso país, por exemplo, reagiria a uma catástrofe dessa proporção.,/p>

Para quem se interessar em conhecer mais detalhes, seguem alguns links de excelentes documentários produzidos sobre Tchernóbil:

 

Books, Documentário, Oscar, Séries

American Crime Story – O Povo Contra O.J. Simpson (Jeffrey Toobin)

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A chamada de uma das capas mais criticadas da revista Time, que pode ser considerada um prenúncio de como o julgamento de O.J. Simpson iria ser conduzido. Orenthal James “O.J.” Simpson é um famoso ex-jogador de futebol americano, que após se aposentar dos campos, começou uma carreira bem-sucedida na televisão, como comentarista esportivo e participando de diversos filmes, como a franquia: Corra que a Polícia Vem Aí.

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O.J. com seu carisma incomparável e feitos notórios no esporte, conquistou status de celebridade em Los Angeles, cidade palco de grande tensão racial. A polícia de LA tinha um histórico de discriminação e violência exacerbada. Em 1991, um vídeo em que policiais espancavam violentamente um taxista afro-americano, Rodney King, que haviam detido sobre a acusação de dirigir em alta velocidade, foi divulgado na imprensa, causando intensa revolta. Treze dias depois, Latasha Harlins, uma adolescente afro-americana de 15 anos foi baleada e morta por Soon Ja Du, dona de uma mercearia com quem a garota havia discutido. Os policiais responsáveis pelo espancamento de King foram absolvidos por um júri predominantemente branco e Soon Ja Du foi condenada somente a condicional, multa e serviço comunitário. A impunidade deu origem a 3 dias de uma violenta revolta, em 1992, com saques, incêndios, confrontos e depredações. A comunidade negra estava farta das perseguições sem motivos e da falta de justiça que sofriam todos os dias. Líderes religiosos, artistas e esportistas de renome planejavam ações de protesto. Nas Olimpíadas de 1968, Tommie Smith, vencedor da prova de 200 metros e John Carlos, terceiro lugar, após receberem suas medalhas, levantaram os braços com os punhos fechados, símbolo do Movimento dos Panteras Negras e por isso foram expulsos dos jogos. Era notório que o envolvimento na causa prejudicava muitas vezes a carreira dos atletas.

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O.J. Simpson não tomava parte de nenhuma manifestação. Ele tinha um objetivo claro: queria vencer, queria fama. Seu charme, talento e apatia política o tornaram uma celebridade acessível. Desde quando jogava pela USC, universidade predominantemente branca e alheia aos conflitos sociais, onde fez a histórica corrida (The Run), que mudou os rumos de sua carreira, O.J. se relacionava com personalidades brancas e não sofria o mesmo preconceito que outros atletas que eram engajados sofriam. Uma de suas frases mais famosas, sintetiza essa ideia: “Eu não sou negro. Sou O.J.”

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Simpson era um herói americano e sinônimo de sucesso em tudo que participava. O primeiro comercial que participou para a Hertz, em que corre pelo aeroporto, tornou-se um fenômeno e abriu diversas portas para uma carreira fora dos campos de futebol americano.

Simpson era casado com Marguerite, com quem teve 3 filhos: Arnelle, Jason e Aaren. Após seu divórcio, quando conheceu Nicole Brown, em 1977, trabalhando em um clube. Ela tinha apenas 18 anos na época. Eles se casaram em 1985 e tiveram dois filhos. Seu relacionamento foi marcado por desentendimentos, ciúmes, traições e diversos episódios de violência doméstica. Em 1992, Nicole pede o divórcio, mas em 1993, resolve fazer uma tentativa de reconciliação, que fracassa miseravelmente e culmina na separação definitiva. Pelo menos, para Nicole. Simpson continua obcecado por ela. Seguindo-a e espionando-a. O suposto relacionamento de Nicole e Marcus Allen, um protegido de O.J. e nova estrela do futebol, agrava a tensão entre eles. No dia 12 de junho de 1994, há um recital de dança dos filhos de Nicole e O.J. e ela resolve ter um jantar com sua família no Mezzaluna. O.J. não é convidado. Durante o jantar, sua mãe esquece os óculos no restaurante e Nicole liga para pedir que entreguem-nos em sua casa. Ron Goldman, um dos garçons leva-os até Brentwood. Os dois são brutalmente assassinados na entrada da casa de Brown, enquanto os dois filhos dela dormiam no andar de cima.

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Ron Goldman

Ron Goldman

Um dos vizinhos descobriu os corpos e ligou para a polícia. Os oficiais ao descobrirem que uma das vítimas era a ex-esposa de O.J. decidiram avisá-lo pessoalmente, antes que a mídia divulgasse. Ao chegar em Rockingham, os policiais avistaram um Ford Bronco na calçada. Nele havia rastros de sangue. Decidiram, então, entrar na propriedade, alegando que O.J. poderia estar em perigo. Kato Kaelin, um amigo de Simpson, que estava hospedado em uma casa de hóspedes da propriedade, foi encontrado e informou que O.J. havia viajado para Chicago naquela noite. Ele também relatou ter ouvido um grande barulho e sentido um tremor na parede da casa, que ele acreditou ser um terremoto. Um dos policiais, Mark Fuhrman resolveu investigar. A casa de hóspedes ficava bem próxima à cerca da propriedade e no espaço entre elas encontrou uma luva com sangue, idêntica à deixada na cena do crime.

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Ao voltar para Los Angeles, O.J. foi levado para prestar depoimento. Um dos policiais o algemou por alguns segundos, até que foi ordenado que o soltasse, pois ele não estava sendo acusado de nada. Mas o momento já havia sido captado por um dos repórteres acampados ao redor de sua propriedade. Os investigadores que o interrogaram falharam miseravelmente em construir uma linha do tempo concisa. Preocupados em não deixar uma celebridade como O.J. desconfortável, acabaram deixando que ele conduzisse a entrevista e que não desse nenhuma informação concreta que poderia ser utilizada pela promotoria.

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Mas as evidências eram abundantes, o sangue de O.J. estava na cena do crime. Ele tinha um corte no dedo, que explicava em uma versão diferente à cada pessoa que perguntava. O sangue de Nicole e Ron foram encontrados no Bronco e na luva da Rockingham. Luva esta que era uma edição limitada da Bloomingdale’s. Foi encontrado um recibo de que uma luva do modelo e do mesmo tamanho foi comprada por Nicole para presentear Simpson. O histórico de violência doméstica, com fotos das agressões e ligações gravadas para a polícia corroboravam a tese. Tudo parecia indicar uma condenação certa.

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Marcia Clark, uma promotora em ascensão, que sabia trabalhar bem com provas de DNA, foi escolhida para o caso, junto com Bill Hodgman. A defesa começou incialmente com Bob Shapiro, um advogado famoso pelos casos de celebridades que defendia e acostumado a conseguir acordos. Shapiro sabendo que não tinha a experiência necessária para um caso criminal deste porte começou a montar sua equipe, agregando o amigo pessoal de O.J., Robert Kardashian; Alan Dershowitz, notável advogado de defesa; Barry Scheck, especialista em DNA; F. Lee Bailey e Johnnie Cochran, que tomaria as rédeas do caso das mãos de Shapiro. Nascia o Dream Team e tinha início o julgamento do século. Posteriormente, entraria para o time da promotoria, Chris Darden, um promotor negro. Sua adição ao time foi duramente criticada, como uma tentativa de melhorar a imagem da promotoria junto aos jurados em sua maioria afro-americanos.

Prosecutors

Promotores

The Dream Team

The Dream Team

A questão racial foi desde o começo o mote do julgamento. Desde onde seria realizado, em Santa Mônica, em que a maioria dos jurados registrados são brancos ou no centro de Los Angeles, com grande número de jurados negros e latinos. Como seria a seleção do júri? E, principalmente, as ações da LAPD estavam na mira de todos os olhares. Teria havido uma tentativa de incriminar O.J.? Ironicamente, a polícia de Los Angeles tinha uma excelente relação com O.J., inclusive muitos dos policiais frequentavam sua casa em Rockingham. Mas o histórico da força policial testemunhava contra eles. E a comunidade negra via O.J. como um herói e mais uma vítima de discriminação. De repente, Simpson passou de um atleta que nunca se envolveu na luta pelos direitos civis para um mártir. O povo estava cansado. A ferida aberta na absolvição dos policiais que espancaram Rodney King ainda sangrava. Em meio a tudo isso, são descobertas provas de que Mark Fuhrman, que havia descoberto as principais provas do caso e era testemunha-chave da promotoria, era racista. Em fitas reveladas no meio do julgamento, Fuhrman afirmava ter prendido, espancado e humilhado afro-americanos sem nenhum motivo. E dizia também que já havia fabricado evidências.

Mark Fuhrman

Mark Fuhrman

O livro de Jeffrey Toobin, um jornalista que cobriu o caso e foi o primeiro a revelar a estratégia da defesa e as evidências contra Mark Fuhrman, demonstra os vários erros cometidos pela promotoria durante o julgamento, a execração de Marcia Clark e às humilhações a que foi submetida pela mídia e até mesmo pelo juiz Lance Ito, as dificuldades que Chris Darden enfrentou dentro de sua própria comunidade e as disputas de ego dentro do Dream Team. Mas, principalmente, mostra como a questão racial e os anos de impunidade foram fatores decisivos para a absolvição de O.J.

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A série de TV, produzida pela FX, de mesmo nome, foi baseada no livro de Toobin e é um primor. Atuações excelentes, direção segura de Ryan Murphy, que nos levam completamente ao ambiente da época. Mas o grande destaque vai para o documentário, vencedor do Oscar 2017, O.J.: Made in America. Dividido em 5 partes, nos mostra toda a vida de Simpson e como seu caráter foi moldado. Mostra os grandes conflitos e tensões que foram sendo acumulados durante os anos e traz entrevistas exclusivas com os personagens desta história. O documentário traz ainda uma parte extremamente importante, que começa a ser desenhada em American Crime Story, após a absolvição: como foi a vida de O.J. após o julgamento. Desde o distanciamento de seus amigos mais próximos a que ele tanto prezava; a perda de seus contratos; a condenação em um julgamento civil; seus bens sendo penhorados. A decadência de quem antes era um herói nacional até sua prisão por sequestro e assalto em Las Vegas.
Três obras de suma importância e que devem ser lidas e assistidas!

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Books

O Segredo J – Carlos Lopes

Semana passada, tive uma grata surpresa na fanpage do blog! A Luciana Sendyk, uma querida, entrou em contato comigo para falar sobre o livro O Segredo J, do Carlos Lopes. Ela me enviou a sinopse e depois o primeiro capítulo. Achei muito legal e resolvi deixar a dica aqui.

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Segue a sinopse:

“Em 1943, durante a Segunda Grande Guerra, o presidente norte-americano Franklin Groosevelt esteve em Natal no Rio Grande do Norte para “cobrar” o apoio de Tertúlio Fragas, o presidente nada democrático do Brasil. Nessa reunião é revelado um segredo que obrigaria Fragas a tirar a própria vida anos depois. Em 1968, com a promulgação do quinto Ato Institucional, que cassa o povo e o Congresso, o jornalista Jonas Jovem é preso enquanto revolucionários sequestram embaixadores e os americanos preparam-se para conquistar a Lua. Exilado, Jonas percorre os submundos de Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro e Paris ao lado de figuras como Sick Jegue e Brian Jonas da banda inglesa The Coming Home; os compositores Raul Orixás Queixas e Paulo Lebre; o guitarrista Jimi Hemps; a cantora de blues Jane Jocklin; Jim Jorrison, o vocalista da banda The Windows e o guitarrista dos Beatels, John Lendo. Todos, incluindo os presidentes brasileiros cassados pela “revolução” de 1964, buscam o auxílio de uma outra “raça” enquanto tentam tornar público “O Segredo J”…”

Misturando personagens muito conhecidos e fatos históricos, com elementos fantásticos, o autor consegue prender sua atenção logo no começo da história.

Particularmente, amo ler sobre esses períodos da história brasileira (Era Vargas e Ditadura Militar) e estou ansiosa pelo desenrolar da história. Um ponto alto, com certeza, será a personagem inspirada em Janis Joplin.

Encontrei o e-book na Amazon. Inclusive, está disponível para o Kindle Unlimited. Vale a pena conferir!

Books, Clássicos

#Resenha: O Tempo e O Vento – Érico Veríssimo

E, depois de alguns meses, finalmente terminei O Tempo e O Vento. Junto com a satisfação de praticamente um dever cumprido, vem aquela tristeza, tão familiar aos leitores, que em maior e menor grau temos ao terminar uma história. No caso de O Tempo e o Vento é uma tristeza como a perda de sua própria família. Porque é assim que os Terra, Quadros e Cambará passam a habitar em meu coração, como família. Seus amigos queridos são meus e suas dores, sinto-as todas. Apaixono-me e exaspero-me com seus personagens. Os julgo como julgaria os que estão a minha volta e a mim mesma. Não são todas as leituras de nossas vidas que nos trarão uma carga de sentimentos tão grande, que espelharão nossa alma, que nos farão amar e odiar, e repensar nosso posicionamento perante a vida. Infelizmente, não são todas. Por isto, não tenha dúvidas em se aventurar por estas páginas.

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O Tempo e O Vento conta a história do Rio Grande do Sul juntamente com a história da família Terra Cambará. Dividido em três partes: O Continente, O Retrato e O Arquipélago. Desde o tempo das missões, com Pedro Missioneiro e seu encontro com Ana Terra, Érico Veríssimo nos traz uma história mágica e envolvente, que te faz sentir parte daquela terra, de sua tradição e de seu povo. Repleta de mulheres fortíssimas e homens profundamente apaixonados, seja por uma mulher, por sua terra ou pela guerra. Traz personagens inesquecíveis, como Ana, um certo Capitão Rodrigo, Bibiana, Maria Valéria e, por que não, Rodrigo, que me levou às raias do desespero com seu egocentrismo, mas que acabei por amar, sem perceber bem quando. Também traz personagens dúbios e misteriosos, como Luiza, e outros tão sólidos e, à primeira vista, simples, como Toríbio e Liroca (tão fáceis de amar). Além de Floriano, no qual enxergo todas as minhas dúvidas e incertezas, toda a sensação de ver a vida passar, sem ter a certeza de estar participando.

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Não tem como explicar facilmente o que é esta saga e o que ela lhe proporciona. Talvez por isto, esta resenha seja tão emocional. Fica a tentativa de que você leia, simplesmente, e que possa ter esta mesma sensação que tenho ao final.

“O vento uiva, fazendo matraquear as vidraças. Bibiana Terra Cambará sorri, leva o indicador aos lábios, como a pedir silêncio, e, estendendo a mão na direção da janela, sussurra:

– Está ouvindo?”

O Continente – Vol. II

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Comics, DC, HQ, Marvel, Quadrinhos

“O horror! O horror!”

Depois de longos e tenebrosos meses, o blog volta à ativa. Shame on me! Mas, pelo menos, nesta pausa não parei as leituras. Muito pelo contrário, achei um novo segmento: os quadrinhos! Nunca tinha curtido muito ler quadrinhos, a não ser quando era criança e aguardava ansiosamente pelo Almanacão de Férias, da Turma da Mônica. Tudo mudou quando conheci o canal do Pipoca e Nanquim, por indicação em um vídeo da Tati Feltrim. Resolvi dar uma conferida, obviamente levada pelo boom de filmes da Marvel e da DC deste ano e dos próximos que vêm por aí. No final das contas, acabei ficando apaixonada.

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Percebi que nossos gostos estão sempre em mutação. Essa mudança já começara a ocorrer com os livros e filmes de ficção científica, que antes eu passava longe e hoje estão entre os meus favoritos. Estes novos universos fantásticos casam maravilhosamente bem nos quadrinhos. Obviamente, que este é só um segmento, há quadrinhos para todos os temas e gostos, mas por enquanto estes são os meus favoritos!

Para fazer uma lista do que li, decidi dividir por personagens. Segue, então:

Demolidor

O primeiro quadrinho que comprei! Claro, por causa da minha paixão absoluta pela série da Netflix! Comprei o encadernado #8 da Panini, que conta a história da mãe de Matt Murdock, além de alguns outros arcos. Única tristeza: não ter comprado os volumes anteriores para poder acompanhar melhor, agora vou ter que procurar!

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O segundo de Demolidor, ganhei! E é provavelmente meu preferido entre os que tenho: Demolidor por Frank Miller & Klaus Janson – Vol. 1. Frank Miller revolucionou a história do Demolidor. Se não fosse por sua entrada no título, provavelmente não teríamos a série do personagem hoje! Imperdível! E a boa notícia é que o volume 2 acaba de ser lançado.

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Batman

Essa é a coleção que mais cresceu!!! Claro, porque é o meu favorito! Já tinha Batman: Ano Um, do (um doce pra quem adivinhar) Frank Miller e David Mazzucchelli. Comprei por impulso, porque amo o personagem, mas não tinha lido. Um pecado! Sensacional! Frank já havia escrito Batman: O Cavaleiro das Trevas e foi escolhido para uma reformulação que a DC havia proposto para seus personagens. Na verdade, ao contrário de outros heróis, a história de Batman não havia ficado datada, portanto o desafio era recontar uma origem considerada perfeita, refinando-a. O que ele fez com maestria!

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Li depois A Corte das Corujas e A Noite das Corujas, primeiro arco do Batman em Os Novos 52, reformulação geral da DC Comics. Gostei muito dos títulos. É bem sombrio e te deixa tenso o tempo todo! E considero os vilões da história realmente excelentes.

Batman

E, em um golpe de sorte, resolvi comprar O Longo Dia das Bruxas. Não sabia nada sobre a história e ameiiii! Tem meus dois vilões preferidos: Coringa e Harvey Dent (no caminho para se tornar Duas Caras).

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Li também Lendas do Cavaleiro das Trevas vol. 2, do Neal Adams. Divertido, muito diferente das outras histórias que conhecia. Mais antiga, com nazistas como inimigos e Robin.

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Pra finalizar as leituras de Batman, A Piada Mortal e Coringa. Separados obviamente, porque aqui o foco não é o Batman. Inclusive, em Coringa ele praticamente não aparece. Enquanto em A Piada Mortal vemos as origens do vilão, em Coringa acompanhamos seu dia a dia, após ser liberado de Arkham. Sem dúvida, dois clássicos! E Coringa é sensacional, uma das melhores (poucas) HQs que já li.

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X-Men

Assim que comecei a me interessar por quadrinhos, encontrei a Saga da Fênix Negra nas bancas. Tinha um pé atrás com X-Men por causa dos filmes, não consigo gostar. Mas já tinha visto muitos comentários sobre a Fênix Negra e resolvi arriscar. No final das contas, detesto os filmes, mas amooo os quadrinhos dos X-Men e a saga da Fênix é incrível! Muito diferente do filme, não se prenda a isso!

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Depois tive a sorte de me deparar com os encadernados que a Panini está lançando de Massacre. Outra saga sensacional, apesar de ter gostado muito mais do primeiro encadernado, por enquanto. No segundo, a história não caminha praticamente, ficamos entre os personagens da X-Force, X-Factor e Homem-Aranha, sem muito do plot principal, mas obviamente é necessário. Ansiosa pelos próximos!

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Quarteto Fantástico

Já falei sobre como não gosto dos filmes dos X-Men (um adendo, gostei de First Class e, em menor escala, de Dias de um Futuro Esquecido)? Pois é, isso não é nada perto de quanto detestei os filmes do Quarteto Fantástico. Come on, people? Se é pra fazer isso, devolve logo os direitos pra Marvel, porque não agradou ninguém, nem antes, nem agora. Mas encontrei a Coleção Histórica Marvel do Quarteto e resolvi arriscar. Primeiro por ser a base dos heróis da Marvel. E segundo, já tinha gostado de tantas coisas que não imaginava. Por que não? Outra decisão acertada! Os dois primeiros volumes trazem Galactus, o Vigia, o Surfista Prateado. É realmente um achado pra quem está começando, como eu, neste universo. O terceiro não achei tão legal, afinal o Quarteto Terrível pra mim é risível…Pete Pote de Cola? Até o Coisa ri disso. Mas mesmo assim é muito divertido. O quarto ainda estou lendo, mas por enquanto se baseia na amizade entre o Tocha e Homem-Aranha, que já estava sendo explorada no terceiro.

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Superman

Comprei Superman – À Prova de Balas, um capa dura de mais de 680 páginas. Por que? É lindo, e eu sabia que se não comprasse, ia me arrepender. Superman não está entre os meus favoritos, mas realmente este encadernado é maravilhoso. Me deu uma outra visão sobre o personagem. Gosto que ele tenha tantas dúvidas, tantos momentos de fraqueza. Me fez gostar mais dele!

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Comecei a ler também Injustiça. Terminei o ano 1 e… nossa!!! Incrível! Must read, sem sombra de dúvidas! Uma história que está me tirando do sério de tanta raiva. Damian Wayne, como detesto! E a Mulher Maravilha? Completamente diferente! Adoro e odeio ao mesmo tempo! Sensacional!

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Bom, isto é um resumo do que estou lendo. Como certeza, vem muito mais por aí. Mesmo por que, não conseguiria parar! Ah, e decidi fazer a Coleção da Eaglemoss e comecei a comprar alguns do Lanterna Verde! Deus me ajude!

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Books, Filmes

#Resenha: A Sangue Frio – Truman Capote

O gênero True Crime é um dos meus favoritos! Desde que li Helter Skelter, fiquei apaixonada por este tipo de literatura. No Goodreads, existe um ranking com os melhores livros deste estilo, que é também conhecido como nonfiction. Nesta lista, está A Sangue Frio, do Truman Capote. Conhecia Capote por seu trabalho como roteirista e também pelo seu livro Bonequinha de Luxo, que inspirou um dos meus filmes preferidos. Já o considerava muito bom, principalmente por The Innocents, filme em que ele foi roteirista, baseado no conto de Henry James, A Volta do Parafuso. Apesar de não ter gostado do conto (achei muito arrastado), gostei bastante do filme, acho que ele fez escolhas muito inteligentes para o roteiro!

Truman Capote

Truman Capote

Achei muito curioso um escritor que nunca havia feito nada do gênero, ter escolhido assassinatos reais para um trabalho. Principalmente, porque nos outros livros que li com esta temática, os autores estavam diretamente relacionados ao caso, como Bugliosi, autor de Helter Skelter, que foi promotor no julgamento dos assassinatos Tate-LaBianca; Robert Graysmith, que trabalhava no Chronicle, quando começaram a receber as cartas do Zodíaco; e Ann Rule, que além de já escrever sobre crimes, era amiga de Ted Bundy.

Mas a falta de um relacionamento direto com o crime ou com os assassinos (pelo menos a princípio) torna a decisão de escrever sobre isto (a meu ver) ainda mais extraordinária. Veja bem, Truman conseguiu visualizar o imenso potencial da história em um simples recorte de jornal. Qualquer outra pessoa teria passado por isto sem a mais vaga lembrança depois. Capote viu naquela nota, sobre assassinatos em uma pequena cidade a milhares de kilômetros, no meio do Kansas, uma oportunidade de estudar os seres humanos. Não só as vítimas e os assassinos, mas o efeito que um caso desses traria para aquela pacata cidade, em que todos se conheciam e deixavam as portas abertas durante a noite. Este era seu mote principal e quando chegou a Holcomb, para dar início à sua pesquisa, nem ao menos se importava que o crime fosse algum dia solucionado.

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Ele viajou para lá, junto com Harper Lee, autora de O Sol é para Todos, que havia acabado de ganhar um Pulitzer por sua obra e conta-se que a presença dela foi essencial para que suas entrevistas tivessem sucesso. Afinal a personalidade de Truman era muito impactante, muito diferente de tudo que a cidade conhecia.

Família Clutter - Assassinados em sua própria casa, sem motivo aparente!

Família Clutter – Assassinados em sua própria casa, sem motivo aparente!

Quando os assassinos são enfim descobertos, Capote vê que não poderia terminar seu livro, sem ter uma visão clara sobre os homens que cometeram o crime e passa a entrevistá-los continuamente, até sua execução (não é spoiler, está até mesmo na capa do livro).

Os Assassinos: Perry Smith e Dick Hickock

Os Assassinos: Perry Smith e Dick Hickock

Truman é primoroso no desenvolvimento deste livro. Em nenhum momento, ele aparece no texto. Com todas as suas entrevistas, ele consegue desenvolver a personalidade das vítimas, reconstituir suas horas finais, mostrar os impactos na cidade e, ainda, nos revela a personalidade dos assassinos, suas histórias, até este fatídico acontecimento. Chega a ser assustador a proximidade que ele leva o leitor a ter com os personagens da história.

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O livro é sensacional e praticamente deu origem ao gênero do jornalismo literário, como Capote denominou-o. Está em primeiro lugar na lista de True Crime Books, do Goodreads e não é por menos! É fantástico!

Assisti Confidencial, logo após terminar o livro. O filme conta a história de Capote, durante o período que escreveu A Sangue Frio, e seu relacionamento controverso com Perry Smith, um dos assassinos da família Clutter. Particularmente, gostei muito do filme. Realmente, me emocionou! Apesar de alguns dizerem que é inferior à Capote, que conta a mesma história e inclusive foi feito praticamente na mesma época. Irei assisti-lo também, junto com a adaptação de A Sangue Frio, e contarei minhas impressões em uma resenha somente dos filmes!

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Books

#Resenha: Cuco – Julia Crouch

Comecei a ler Cuco com um pé atrás. Apesar de já ter visto o livro na grande maioria dos bookshelf tours que assisti, as opiniões sobre ele eram bem negativas. A mesma coisa acontecia no Skoob. Mas, mesmo assim, resolvi dar uma chance. E acabei gostando muito!

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O livro conta a história de Rose, que vive uma vida tranquila, em uma casa construída em uma cidade pequena, praticamente no campo. Apesar de seu casamento com Gareth ter sofrido algumas turbulências, recentemente, o término de sua nova casa e a chegada de sua segunda filha parecem selar o começo de um período de paz.

Rose é a típica dona de casa perfeita dos anos 60. Adoro os trabalhos domésticos e sua grande aspiração é educar bem suas filhas e viver tranquilamente, longe dos perigos da cidade grande.

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Mas tudo muda quando sua amiga de infância Polly liga para dizer que seu marido morreu em um acidente de carro e que ela está voltando para os Estados Unidos, com seus dois filhos. A relação entre Rose e Polly sempre foi muito estreita. Passaram uma infância terrivelmente difícil, apoiando-se sempre uma na outra.

Rose então decide convidá-la para morar com eles por um período, até que ela consiga atravessar o luto e se reestabelecer. O convite logo gera uma grande tensão com Gareth, que apesar de ter sido amigo do marido de Polly, não consegue suportá-la. Mesmo assim, acaba acatando a vontade de Rose.

Mas quando Polly chega, tudo começa a mudar. Acidentes inexplicáveis e segredos do passado começam a vir a tona. Nada era tão perfeito quanto parecia!

A leitura é muito rápida! A primeira parte é um pouco cansativa, mas do meio para o final fica difícil largar o livro. Gostei até mesmo do final, que foi muito criticado. Achei que foi coerente com a personalidade dos protagonistas, principalmente com o desejo de Rose de manter tudo perfeito. A única grande crítica fica pela falta de confrontos. Muitas vezes, você está aguardando ansioso por um diálogo, em que tudo seja colocado às claras, e ele nunca acontece.

Mesmo assim, gostei e recomendo. Me lembrou muito A Mão que Balança o Berço!

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Books

#Resenha: #Girlboss – Sophia Amoruso

#Girlboss tem como subtítulo, na edição brasileira, a frase: Inspiradora história da executiva de 100 milhões de dólares, CEO da Nasty Gal. Ou seja, um livro de conselhos profissionais de uma grande empresária. Não se encaixa nas minhas categorias preferidas de livros. Mas, há algo muito diferente neste, que é justamente a história de vida da Sophia, que começou sua carreira com uma loja de roupas vintage no eBay.

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Sophia tem uma grande sacada já no começo de seu livro, colocando uma hilária linha do tempo de sua vida, que termina com:

“2006: Eu tenho uma hérnia, o que significa que preciso arrumar um emprego para ter seguro saúde. Eu encontro um, checando identificações no lobby de uma faculdade. Eu tenho muito tempo livre, então eu fico navegando na internet e abro uma loja no eBay chamada Nasty Gal Vintage.

2014: Eu sou CEO de uma companhia de 100 milhões de dólares com um escritório gigante em Los Angeles, um centro de distribuição e entrega em Kentucky e 350 empregados.”

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E é lógico que você fica entusiasmado para saber como uma mudança dessas ocorreu em tão pouco tempo. Mas isso não é o grande atrativo do livro, a personalidade de Sophia é. Ela é uma pessoa completamente fora do convencional. Saiu de casa muito cedo, detestava a escola, nunca foi para a faculdade e vivia sendo despedida dos empregos que arranjava. Além disso, passou grande parte de sua adolescência viajando de carona e roubando lojas. O perfil que qualquer pessoa consideraria completamente inapto para o sucesso.

Mas quando ela abre sua loja no eBay, a Nasty Gal Vintage, e vende sua primeira peça, sua vida começa a mudar. Ela finalmente achou algo pelo que realmente era apaixonada para trabalhar. E garimpando roupas em brechós, preparando as peças, vendendo nos leilões do eBay e fazendo verdadeiros editoriais para atrair clientes, ela começa a erguer a grande empresa que possui hoje.

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A Nasty Gal é uma marca jovem, que nasceu com a prerrogativa de vender peça únicas, respeitando a personalidade de suas clientes. E isso também é passado neste livro. Não é um manual de passos para o sucesso, são dicas de uma pessoa que alcançou grandes objetivos, sendo diferente dos demais e que deseja que você também use sua individualidade e criatividade para ser bem sucedida.

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Livro muito divertido e com sacadas excelentes!

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Books

#Resenha: A Lista Negra – Jennifer Brown

Sabe aquele livro que mexe fundo com você? Foi assim com A Lista Negra, da Jennifer Brown. Não tinha ouvido falar sobre este livro até pouco tempo atrás, mas assim que assisti um vídeo falando sobre ele, já me interessei e passou para o topo da minha must read. E não me arrependi, o livro é sensacional.

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Valerie Leftman é uma estudante do ensino médio que não se encaixa nos padrões da maioria, tem poucos amigos e namora Nick, que também sempre fugiu do padrão. Além do bullying constante que sofre na escola, Val passa por vários problemas em casa. Seus pais praticamente não se falam e quando o fazem é somente para brigar. Um dia, cansada de tudo, ela resolve fazer uma lista com todas as pessoas e situações que lhe perturbam e que ela gostaria que desaparecessem, A Lista Negra. Ela nem ao menos iria mostrar esta lista para ninguém, era somente um desabafo muito pessoal, mas Nick um dia pega seu caderno e resolve participar também. A vida de Nick também é muito complicada, apesar de frequentar uma escola em que a maioria dos alunos possui uma vida financeira confortável, sua situação familiar é bem diferente. Sua mãe parece não ligar muito pra ele e ele já teve vários padrastos. Apesar de tudo isto, ele é muito inteligente e oferece à Val todo o carinho e apoio que sempre lhe faltaram. Mas Nick também tem um lado sombrio, passa muito tempo pensando na morte, fica obcecado quando houve sobre um tiroteio em uma escola e muitas vezes a raiva que sente chega a assustar Val. Isto tudo piora quando Nick passa a andar muito com um amigo problemático e a se drogar com frequência.

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Quando Val é mais uma vez perturbada por uma colega de classe no ônibus a caminho da escola, ela chega para reclamar com Nick e ele lhe diz que irá resolver a situação. O que ela não podia prever é que ele iria começar um tiroteio em sua escola, que culminaria com a morte de vários alunos e um professor. Apesar de já terem discutido sobre isto, em teoria, Val nunca levou a questão a sério. E nunca cogitou que Nick a levasse também. Ela, então, entra em desespero e tenta impedi-lo. Leva um tiro ao se colocar na frente de uma das colegas que mais a fez sofrer e acorda no hospital para descobrir que Nick se matou e que ela está em um grande problema. A lista é descoberta e todos pensam que ela foi cúmplice.

A história do livro começa com a volta de Valerie para a escola, depois do tiroteio e de meses de recuperação. Acompanhamos sua readaptação, as reações de seus colegas, das vítimas que sobreviveram e dos amigos das pessoas que morreram. A história é muito dolorida e consegue abrir feridas antigas também. Impossível não voltar à sua época de escola e se colocar no lugar dos personagens. Mas, pra mim, o mais pesado foi a relação de Valerie com seus pais. O relacionamento ruim deles acaba piorando muito depois do tiroteio. Saber que até seus pais tem medo dela ou a culpam pesa muito para a personagem.

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Uma história que realmente consegue te tocar e te fazer refletir sobre muitas coisas. Já ouvi várias pessoas falando sobre como este livro deveria fazer parte da grade escolar e concordo plenamente. Talvez poderia impedir grandes danos, principalmente às vítimas de bullying. Excelente!

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Books, Clássicos

#Resenha: Madame Bovary – Gustave Flaubert

Madame Bovary foi publicado em 1857 e causou uma grande comoção, para não dizer escândalo! Seu autor inclusive enfrentou um processo: foi acusado de ofender a moral e a religião. Um dos primeiros romances da escola realista, o livro critica abertamente o período que o antecedeu, o romantismo, além de, através de um de seus personagens, fazer críticas pesadas ao catolicismo.

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A história começa contando sobre a vida de Charles Bovary, um menino não excepcionalmente inteligente e pobre, que através de grande esforço, se torna médico. Charles não é um homem com grandes ambições ou aventureiro, a única que deseja é levar uma vida tranquila, com a família que criar. Ele se casa com uma viúva, mas não é apaixonado por ela. Em uma de suas visitas, para tratar um paciente, conhece sua filha, Emma e logo se encanta. Emma parece ser tudo que um homem poderia querer, educada em um colégio católico, toca piano e, desde que sua mãe faleceu, dirige a casa para seu pai. Quando a esposa de Charles morre, a decisão de casar-se com Emma vem naturalmente.

Logo depois de se casarem, Emma começa a se ressentir de sua vida pacata. Leitora assídua de grandes romances, não consegue enxergar em sua vida as grandes paixões que achou que viveria. Tudo isto culmina quando vai à um baile, em um castelo. Lá ela dança com um visconde, vê as pessoas tão bem vestidas e a casa que ela sempre desejou. Depois de tudo isto, voltar para seu cotidiano se torna insuportável para ela, que de esposa modelo, passa a não ligar mais para seus deveres.

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Charles é completamente devotado a Emma e acredita que ela esteja doente, sofrendo dos nervos. Neste momento, ele recebe uma proposta de trabalho irrecusável. Um pequeno vilarejo que está sem médico. Esta é uma oportunidade para que ele cresça profissionalmente e também para proporcionar uma mudança de ares para Emma, que está grávida.

Ao chegar em seu novo lar, em uma pequena cidade, Emma conhece Léon Dupuis, o escrevente da cidade. Léon e Emma logo estabelecem uma conexão muito forte, apaixonados por arte e literatura, acabam se apaixonando. Mas Léon tem medo de se declarar e ser rejeitado, pois vê Emma como a mulher perfeita, sem vícios. Emma, por sua vez, se sentindo intensamente culpada por seus sentimentos, passa a se esforçar para ser a mulher mais virtuosa que poderia. O rapaz então resolve ir para Paris, para esquecer seu amor, que ele julga não correspondido.

Emma fica profundamente deprimida com sua partida. Nada em sua vida é como ela idealizou, nem mesmo sente grande afeição por sua filha. E quando ela conhece Rodolphe, um homem rico da região, que faz de tudo para conquistá-la, ela acaba cedendo. Mas Rodolphe não está realmente apaixonado por ela, apenas aprecia a conquista.

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Ao decorrer da história, Emma acaba ficando a cada dia mais cínica e infeliz. Afundando em dívidas e em mentiras. Mas esta tristeza também é idealizada por ela, que sempre se considera uma grande vítima do destino.

Apesar de ser bem difícil gostar de Emma, por seu egoísmo e sua arrogância, há um grande teor feminista em sua personagem, que faz com que possamos nos identificar com ela. Ao descobrir que estava grávida, por exemplo, Emma deseja que seu bebê seja um menino, pois um homem pode criar seu próprio destino, não precisa se submeter as mesmas regras que a sociedade impõe às mulheres.

Madame Bovary atravessa séculos e continua extremamente atual, pois trata de grandes temas universais. Até mesmo a crítica feita por Flaubert aos romances lidos pela protagonista, que a levam a desejar uma vida completamente idealizada, podemos trazer para nossa realidade, onde a exposição às redes sociais muitas vezes tem o mesmo efeito sobre nós, nos fazendo acreditar que a vida das outras pessoas é muito mais feliz do que a nossa.

Uma leitura deliciosa (a escrita de Flaubert é primorosa) e que vai lhe fazer parar para pensar em diversos assuntos polêmicos e necessários.

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