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outubro 2015

Books, Filmes

#Resenha: A Sangue Frio – Truman Capote

O gênero True Crime é um dos meus favoritos! Desde que li Helter Skelter, fiquei apaixonada por este tipo de literatura. No Goodreads, existe um ranking com os melhores livros deste estilo, que é também conhecido como nonfiction. Nesta lista, está A Sangue Frio, do Truman Capote. Conhecia Capote por seu trabalho como roteirista e também pelo seu livro Bonequinha de Luxo, que inspirou um dos meus filmes preferidos. Já o considerava muito bom, principalmente por The Innocents, filme em que ele foi roteirista, baseado no conto de Henry James, A Volta do Parafuso. Apesar de não ter gostado do conto (achei muito arrastado), gostei bastante do filme, acho que ele fez escolhas muito inteligentes para o roteiro!

Truman Capote

Truman Capote

Achei muito curioso um escritor que nunca havia feito nada do gênero, ter escolhido assassinatos reais para um trabalho. Principalmente, porque nos outros livros que li com esta temática, os autores estavam diretamente relacionados ao caso, como Bugliosi, autor de Helter Skelter, que foi promotor no julgamento dos assassinatos Tate-LaBianca; Robert Graysmith, que trabalhava no Chronicle, quando começaram a receber as cartas do Zodíaco; e Ann Rule, que além de já escrever sobre crimes, era amiga de Ted Bundy.

Mas a falta de um relacionamento direto com o crime ou com os assassinos (pelo menos a princípio) torna a decisão de escrever sobre isto (a meu ver) ainda mais extraordinária. Veja bem, Truman conseguiu visualizar o imenso potencial da história em um simples recorte de jornal. Qualquer outra pessoa teria passado por isto sem a mais vaga lembrança depois. Capote viu naquela nota, sobre assassinatos em uma pequena cidade a milhares de kilômetros, no meio do Kansas, uma oportunidade de estudar os seres humanos. Não só as vítimas e os assassinos, mas o efeito que um caso desses traria para aquela pacata cidade, em que todos se conheciam e deixavam as portas abertas durante a noite. Este era seu mote principal e quando chegou a Holcomb, para dar início à sua pesquisa, nem ao menos se importava que o crime fosse algum dia solucionado.

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Ele viajou para lá, junto com Harper Lee, autora de O Sol é para Todos, que havia acabado de ganhar um Pulitzer por sua obra e conta-se que a presença dela foi essencial para que suas entrevistas tivessem sucesso. Afinal a personalidade de Truman era muito impactante, muito diferente de tudo que a cidade conhecia.

Família Clutter - Assassinados em sua própria casa, sem motivo aparente!

Família Clutter – Assassinados em sua própria casa, sem motivo aparente!

Quando os assassinos são enfim descobertos, Capote vê que não poderia terminar seu livro, sem ter uma visão clara sobre os homens que cometeram o crime e passa a entrevistá-los continuamente, até sua execução (não é spoiler, está até mesmo na capa do livro).

Os Assassinos: Perry Smith e Dick Hickock

Os Assassinos: Perry Smith e Dick Hickock

Truman é primoroso no desenvolvimento deste livro. Em nenhum momento, ele aparece no texto. Com todas as suas entrevistas, ele consegue desenvolver a personalidade das vítimas, reconstituir suas horas finais, mostrar os impactos na cidade e, ainda, nos revela a personalidade dos assassinos, suas histórias, até este fatídico acontecimento. Chega a ser assustador a proximidade que ele leva o leitor a ter com os personagens da história.

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O livro é sensacional e praticamente deu origem ao gênero do jornalismo literário, como Capote denominou-o. Está em primeiro lugar na lista de True Crime Books, do Goodreads e não é por menos! É fantástico!

Assisti Confidencial, logo após terminar o livro. O filme conta a história de Capote, durante o período que escreveu A Sangue Frio, e seu relacionamento controverso com Perry Smith, um dos assassinos da família Clutter. Particularmente, gostei muito do filme. Realmente, me emocionou! Apesar de alguns dizerem que é inferior à Capote, que conta a mesma história e inclusive foi feito praticamente na mesma época. Irei assisti-lo também, junto com a adaptação de A Sangue Frio, e contarei minhas impressões em uma resenha somente dos filmes!

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Books

#Resenha: Cuco – Julia Crouch

Comecei a ler Cuco com um pé atrás. Apesar de já ter visto o livro na grande maioria dos bookshelf tours que assisti, as opiniões sobre ele eram bem negativas. A mesma coisa acontecia no Skoob. Mas, mesmo assim, resolvi dar uma chance. E acabei gostando muito!

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O livro conta a história de Rose, que vive uma vida tranquila, em uma casa construída em uma cidade pequena, praticamente no campo. Apesar de seu casamento com Gareth ter sofrido algumas turbulências, recentemente, o término de sua nova casa e a chegada de sua segunda filha parecem selar o começo de um período de paz.

Rose é a típica dona de casa perfeita dos anos 60. Adoro os trabalhos domésticos e sua grande aspiração é educar bem suas filhas e viver tranquilamente, longe dos perigos da cidade grande.

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Mas tudo muda quando sua amiga de infância Polly liga para dizer que seu marido morreu em um acidente de carro e que ela está voltando para os Estados Unidos, com seus dois filhos. A relação entre Rose e Polly sempre foi muito estreita. Passaram uma infância terrivelmente difícil, apoiando-se sempre uma na outra.

Rose então decide convidá-la para morar com eles por um período, até que ela consiga atravessar o luto e se reestabelecer. O convite logo gera uma grande tensão com Gareth, que apesar de ter sido amigo do marido de Polly, não consegue suportá-la. Mesmo assim, acaba acatando a vontade de Rose.

Mas quando Polly chega, tudo começa a mudar. Acidentes inexplicáveis e segredos do passado começam a vir a tona. Nada era tão perfeito quanto parecia!

A leitura é muito rápida! A primeira parte é um pouco cansativa, mas do meio para o final fica difícil largar o livro. Gostei até mesmo do final, que foi muito criticado. Achei que foi coerente com a personalidade dos protagonistas, principalmente com o desejo de Rose de manter tudo perfeito. A única grande crítica fica pela falta de confrontos. Muitas vezes, você está aguardando ansioso por um diálogo, em que tudo seja colocado às claras, e ele nunca acontece.

Mesmo assim, gostei e recomendo. Me lembrou muito A Mão que Balança o Berço!

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